“Me mandou ficar de roupa íntima e disse que eu era um problema”. Médica também fez o Concurso, mas foi reprovada. Vítimas desconfiam de retaliação e afirmam que Prefeitura já tinha ciência das denúncias. Veja todos os detalhes na reportagem
Uma grave denúncia abala as estruturas da cidade de Nova Friburgo. Uma médica do trabalho contratada via CLT pela Prefeitura é acusada de assédio e abuso de poder durante perícias médicas aos aprovados PCD’s do Concurso Público de Nova Friburgo. Os relatos chocantes expõem um cenário de terror vivido por candidatos que passaram pelo crivo da profissional. O EcoSerrano alerta que os depoimentos a seguir podem conter gatilhos.
Katiane Souza Cardoso, é professora e portadora de síndrome compressiva de punho bilateral com comprometimento motor na mão esquerda, relata um verdadeiro calvário durante sua perícia médica. “A médica me disse que, por ela, não contrataria alguém como eu. ‘Você é um problema!’, ela disse. Me mandou ficar de roupas íntimas, fazia com que eu encostasse meus joelhos no meu peito, sendo que a minha deficiência é nas mãos. Fez várias manobras nos meus braços e ao final disse que mandaria para uma comissão. Até o momento, não tive retorno”, desabafa Katiane.
Katiane passou como
1ª colocada no Concurso Público para Professor I e 2ª colocada para professor em Atendimento Educacional Especializado (AEE), como pcd. Ela teme que, mesmo que seja aprovada, o resultado seja comunicado além do prazo estabelecido e possa ferir o seu direito de escolher a unidade em que quer trabalhar. A data para a escolha é nesta sexta-feira, 1º de março.
De acordo com a professora, os aprovados vão iniciar os trabalhos de imediato, sem tomar posse oficialmente. “Isso contraria a Lei Municipal 1.740. Ninguém é funcionário público antes de tomar posse”.
Histórico de abusos: O silêncio cúmplice das autoridades
Mais de 10 casos de assédio teriam sido relatados por outros candidatos e funcionários do Executivo contra a mesma profissional. Os relatos dão conta de que ela criava um cenário de terror e insegurança. “O mais alarmante é que as autoridades parecem ser coniventes ou omissas diante dos abusos cometidos pela profissional”. Segundo Katiane, a gestão de Johnny Maycon tem conhecimento dessas denúncias, mas até agora não tomou medidas efetivas para resolver o problema.
Com o prazo para o resultado das perícias está chegando ao fim, os candidatos aprovados estão em desespero diante das exigências arbitrárias da médica. Um rapaz com problema no coração precisou gastar dinheiro que não tinha para satisfazer as exigências da profissional. “Ela solicitou que eu fizesse um ecocardiograma e ameaçou que se eu não levasse até o dia 29, eu perderia o concurso. Com o maior sacrifício, gastei R$ 550, dinheiro usado para o sustento da minha filha. Me virei para conseguir emprestado. O cardiologista me deu um laudo favorável e disse que estou apto a qualquer atividade física e laboral. No entanto, ela ignorou esta informação”, relata o candidato.
Outras denúncias em andamento
Além dos relatos já divulgados, outras pessoas estão se preparando para fazer denúncias contra a médica. As vítimas dos supostos abusos vão protocolar novas denúncias a Ouvidoria da Prefeitura e ao Conselho Regional de Medicina. Caso a situação não tenha um desfecho satisfatório, os denunciantes planejam acionar a justiça comum.
Médica foi reprovada no Concurso Público
Curiosamente, a médica também participou do Concurso Público da Prefeitura, mas foi reprovada. Os denunciantes suspeitam que sua frustração por não ter passado no certame possa estar influenciando o tratamento supostamente desumano dispensado aos candidatos aprovados.
Esclarecimentos
O portal EcoSerrano entrou em contato com a Subsecretaria de Comunicação da Prefeitura de Nova Friburgo e pediu explicações. No entanto, por conta do horário de funcionamento da Prefeitura e do tempo curto entre a solicitação e o fechamento desta reportagem, o Executivo ainda não emitiu uma nota. Caso a resposta da Prefeitura de Nova Friburgo seja enviada, o EcoSerrano se compromete a atualizar a reportagem.
O portal esclarece ainda que preservou o nome da médica, pois não há nenhuma condenação contra ela. No entanto, os próprios denunciantes têm publicado em suas redes sociais – e nas da Prefeitura – a identidade da profissional. A população aguarda ansiosa por uma resposta das autoridades e clama por justiça diante desses atos repugnantes.
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