Forte da Laje no Rio de Janeiro, construção militar histórica em ilha.

Os segredos por trás desta ruína história do Rio de Janeiro, símbolo de imponência

A fortaleza que resistiu a guerras guarda histórias e lendas. Conhece?

 

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Forte da Laje: a fortaleza esquecida da Baía de Guanabara que resistiu a guerras e virou ruína histórica

Muito antes de se tornar ruína, o Forte da Laje foi símbolo de estratégia militar e de resistência. Em 1555, os franceses ocuparam o local — então chamado de Bateria Ratier — em uma tentativa de conquistar a Baía de Guanabara. A fortaleza como a conhecemos hoje começou a ser construída entre 1710 e 1716. As muralhas foram erguidas em pedra lavrada e cal, impermeabilizadas com óleo de baleia, em uma obra que desafiou os recursos da época.

De bastião militar a “Alcatraz tropical”

Localizado em pleno acesso à Baía de Guanabara, o forte se tornou peça-chave na defesa do Rio. Seus canhões cruzavam fogo com os das fortalezas de Santa Cruz e São João. No século XIX, recebeu uma cúpula blindada de aço-níquel com mais de 3 mil toneladas, projetada para resistir aos poderosos canhões Krupp. Mas sua história foi além da guerra: o Forte da Laje também virou prisão política, abrigando nomes que marcaram a história brasileira.

Prisioneiros célebres e fugas ousadas

Entre os detentos mais conhecidos estiveram José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, e o poeta Olavo Bilac. O forte também foi palco de tentativas de fuga cinematográficas. O capitão Pedro Ivo Veloso, líder da Revolução Praieira, mergulhou nas águas e nadou até um barco amigo, em episódio lembrado como uma “Fuga de Alcatraz” à brasileira. Outro preso famoso, Bento Gonçalves, tentou escapar serrando grades, mas desistiu de abandonar o companheiro Pedro Boticário, que ficou preso em um túnel. O episódio mais sombrio, contudo, ocorreu após a Revolta da Chibata (1910). O líder João Cândido, conhecido como Almirante Negro, sobreviveu à prisão na temida Cela 5, onde apenas ele e mais um marinheiro saíram vivos de 18 detidos.

O declínio e a desativação

Com a evolução da tecnologia militar e a chegada da aviação e dos mísseis, o forte perdeu relevância estratégica. Em 1997, foi oficialmente desativado e seu último preso célebre havia sido o marechal Henrique Lott, em 1961, após se opor à tentativa de impedir a posse de João Goulart. Desde então, o Forte da Laje se transformou em ruína, marcado por canhões enferrujados, paredes corroídas e pisos repletos de cacos de vidro.

O restaurante que naufragou

Em 2012, surgiu a proposta de transformar o forte em um restaurante japonês de luxo, com investimento previsto de R$ 15 milhões. O projeto previa atracadouros flutuantes e espaço para até mil pessoas. No entanto, o orçamento final saltou para cerca de US$ 40 milhões, inviabilizando a ideia. O sonho do “Espaço Laje” naufragou antes mesmo de sair do papel.

É possível visitar?

Atualmente, a visitação só é permitida mediante agendamento com o Centro de Capacitação Física do Exército, na Fortaleza de São João. Não há acesso livre para turistas, mas vídeos de visitas informais circulam nas redes. Assim, o Forte da Laje segue em pé, testemunha de séculos de batalhas, fugas e projetos frustrados — resistindo hoje não a inimigos, mas à maresia e ao abandono. GRUPOS DE WHATSAPP DO ECOSERRANO:
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