Pistola sendo manuseada com luvas, possivelmente em processo de limpeza ou manutenção.

Operação Shadowgun: investigação do MPRJ revela venda de armas impressas em 3D pela internet

Desenvolvedor brasileiro identificado no esquema teria vendido peças de armamento e arquivos digitais usados na produção clandestina

Operação do Ministério Público do Rio avança e identifica desenvolvedor ligado à produção de armas em impressoras 3D. Investigação aponta vendas online e conexão com criminosos. Mandados são cumpridos em 11 estados.

MPRJ atualiza investigação sobre grupo que fabricava armas com impressoras 3D: Nesta quinta-feira, 12 de março de 2026, às 14h50, na cidade do Rio de Janeiro, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro divulgou uma atualização da Operação Shadowgun, conduzida pelo CyberGAECO do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que investiga um grupo acusado de produzir e comercializar peças de armas de fogo fabricadas em impressoras 3D. 

Segundo o órgão, cinco integrantes da organização criminosa foram denunciados pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de arma de fogo, após investigação que apontou a produção e venda de componentes de armamento utilizando tecnologia de impressão 3D. A operação cumpre mandados de prisão e busca e apreensão no Rio de Janeiro e em outros estados, incluindo Espírito Santo, São Paulo, Rio Grande do Sul, Pará e Paraíba.

Investigação identifica desenvolvedor brasileiro ligado ao projeto de armas 3D: De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, a investigação identificou como um dos principais envolvidos Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, conhecido na internet pelo apelido “Zé Carioca”.

Segundo o MPRJ, ele seria o desenvolvedor de um dos projetos digitais mais populares utilizados mundialmente na chamada subcultura de armas produzidas em impressoras 3D. Como estratégia de divulgação, o investigado utilizava o slogan: “Testado nos EUA, projetado no Brasil e feito na sua casa”. De acordo com os investigadores, apesar de tentar manter anonimato fora da internet, diligências realizadas ao longo da investigação permitiram identificar sua identidade e o funcionamento do esquema.

Venda de peças e arquivos digitais pela internet: Segundo a denúncia, além da divulgação de arquivos digitais utilizados para impressão das peças, também foi identificada a comercialização sistemática de acessórios e componentes de armas pela internet.

As investigações apontam que Lucas Alexandre teria atuado em conjunto com outros integrantes da organização criminosa no desenvolvimento e distribuição dos projetos utilizados para a fabricação dos armamentos. De acordo com o Ministério Público, o grupo atuava tanto na produção física de componentes quanto na divulgação dos arquivos necessários para a impressão em equipamentos domésticos.

Histórico de vendas levanta alerta para segurança pública: A investigação do MPRJ identificou 79 registros de vendas realizadas em uma plataforma virtual, a maioria delas com destino ao estado do Rio de Janeiro.

Segundo o órgão, a análise do histórico de compradores revelou que parte dos itens foi adquirida por pessoas com antecedentes criminais. Entre os compradores identificados, segundo a denúncia, está um homem acusado de dois homicídios, além de outros indivíduos investigados por envolvimento com milícia e tráfico de drogas. As informações constam nos documentos apresentados pelo Ministério Público à Justiça.

Estrutura do grupo incluía produção de peças metálicas: Outro denunciado apontado como figura relevante na investigação é Gianluca Bianchi. De acordo com o MPRJ, ele atuaria como coprodutor no desenvolvimento das peças utilizadas nos armamentos.

A denúncia também indica que o pai de Gianluca possui uma empresa de ferragens que teria sido utilizada para produzir componentes metálicos necessários para o funcionamento das armas, complementando as partes plásticas geradas pelas impressoras 3D. Segundo os investigadores, os demais integrantes da organização exerciam funções relacionadas ao desenvolvimento técnico e à divulgação dos projetos digitais.

Investigação contou com cooperação internacional: A apuração conduzida pelo CyberGAECO teve início a partir de um relatório técnico do Ciberlab, vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Segundo o MPRJ, a investigação também contou com a colaboração da Homeland Security Investigations, agência federal de investigação criminal dos Estados Unidos, e da Agência Brasileira de Inteligência.

De acordo com o Ministério Público, apesar da cooperação internacional, os crimes investigados ocorreram exclusivamente dentro do território brasileiro, por meio de vendas entre particulares realizadas pela internet. Por esse motivo, a competência judicial foi fixada no estado do Rio de Janeiro, onde foi identificado o maior número de compradores.

Lei brasileira equipara fabricação caseira de armas ao comércio ilegal: O Ministério Público destacou que, conforme a legislação brasileira, a fabricação de armas de fogo, mesmo quando realizada em ambiente residencial, é equiparada à atividade comercial ilegal. Isso significa que os responsáveis podem responder às mesmas penas previstas para comércio clandestino de armamentos, de acordo com a legislação vigente. Autoridades afirmam que o crescimento da produção clandestina de armas utilizando novas tecnologias representa um desafio crescente para órgãos de segurança pública.

🔄 Atualizado às 15h00 — O Ministério Público informou que a Operação Shadowgun continua em andamento e que novas informações poderão ser divulgadas após a conclusão das diligências.

Miniquestionário sobre a Operação Shadowgun

  • O que investiga a Operação Shadowgun? A fabricação e comercialização de peças de armas de fogo produzidas em impressoras 3D.

  • Quem é o desenvolvedor citado na investigação? Lucas Alexandre Flaneto de Queiroz, conhecido na internet como “Zé Carioca”.

  • Quantas vendas foram identificadas na investigação? Ao menos 79 registros de vendas foram identificados em uma plataforma virtual.

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