Porta da Bandeira da Imperatriz de Olaria foi alvo de xingamentos racista em Olimpíadas da própria escola. No Junfri, seguranças teriam agredido dois alunos negros de Campos dos Goytacazes. Veja os detalhes
Dois casos de racismo despertaram a revolta de friburguenses e espectadores de fora da cidade na última semana. Ambos os casos aconteceram durante competições esportivas, mas que não tiveram ligação.Na última quarta-feira, 11, durante as Olimpíadas da Cooperativa Educacional Escola Fribourg, que acontecia no ginásio do Friburguense, em Olaria, a aluna Gabriella Costa de 15 anos, uma das porta-bandeiras da Imperatriz de Olaria, foi xingada de macaca por alguns estudantes. As ofensas aconteceram durante uma partida de vôlei, na qual a estudante era uma das atletas.Enquanto a partida acontecia, Gabriela disse ao EcoSerrano que notou os colegas de outra turma entoando alguns gritos, mas não entendeu o que era. Ao final do jogo, as amigas informaram à estudante que os gritos traziam a mensagem racista de “macaca”. Na mesma hora a estudante procurou os professores responsáveis pela organização do torneio, mas ao informá-los da situação, não obteve o apoio esperado.“Eu fui até ela (professora responsável pelas Olimpíadas), ela estava entregando as medalhas para o pessoal, cutuquei ela, chamei o nome dela e ficava esperando, ela não olhou pra mim em nenhum momento. Vieram outras professoras perguntando oq tinha acontecido, eu expliquei o que tinham me falado. Nessa hora eu decidi ir embora, não estava bem pra continuar ali”, contou a estudante. Gabriela saiu chorando do local, amparada pelas amigas.Após o ocorrido, a aluna retornou a escola com seus pais e exigiram que alguma medida fosse tomada já que o caso era recorrente. “Se eles (pais) não fossem (à escola), ninguém iria falar nada. Não é a primeira vez que acontece algo comigo e eles não tomam providências e só fizeram algo depois que meus pais foram no colégio”, desabafou Gabriela. De acordo com a estudante, uma pessoa foi identificada e transferida de unidade. “Tinham outros, mas só conseguimos identificar um menino”.
Imperatriz de Olaria se pronuncia sobre o caso
Em nota publicada no Instagram, a Imperatriz de Olaria repudiou a discriminação e prestou solidariedade a porta bandeira.“Gaby Costa, nossa primeira porta-bandeira, vivenciou situações de racismo dentro do espaço escolar, nesta semana. Fato que vem sendo repercutido entre a comunidade escolar, familiares e amigos. Por acreditarmos que nossa escola de samba se torna um referência em vários aspectos, por sermos um meio de comunicação e um dos locais que nossa porta bandeira mais ama estar, desejamos força para Gaby neste momento! Ainda manifestamos o nosso repúdio contra qualquer forma de racismo, em todos os espaços possíveis. Precisamos falar sobre isso e refletir sobre como cada vez mais podemos mudar este cenário, cada um com sua realidade!”
Junfri
Os Jogos Universitários Friburguenses (Junfri) aconteceram durante os quatro dias de feriado prolongado. Milhares de estudantes de Nova Friburgo e do Estado estiveram na cidade para participar de várias modalidades, assim como dos eventos festivos que o torneio proporciona. No entanto, mais um suposto caso de racismo chamou atenção, durante os jogos.Ainda não ficou claro o que de fato aconteceu. No entanto, ao que parece, na madrugada do último sábado, 14, dois estudantes negros “foram agredidos fisicamente pelos seguranças da empresa terceirizada contratada pelo evento esportivo Junfri”, escreveu em nota a atlética da Estácio de Sá de Nova Friburgo. Os alunos pertencem ao Instituto Superior de Ensino do Censa (Isecensa), uma universidade particular em Campos dos Goytacazes (norte do estado). Segundo uma postagem da atlética, os seguranças envolvidos na confusão foram identificados e afastados do evento pela organização.Em nota, os organizadores do JUNFRI se manifestaram sobre o caso.“Os Jogos Universitários Friburguenses (JUNFRI), por meio de seus organizadores, vem a público se manifestar. Primeiramente, gostaríamos de esclarecer que JUNFRI não compactua com discriminação e intolerância, sendo ideologias que vão na contramão dos valores do evento. Há 15 anos o JUNFRI tem como objetivo a união, integração e diversão, sendo, portanto, condições avessas ao que o evento acredita e propõe. Ao tomar conhecimento que um caso de racismo teria ocorrido, foi formada uma plenária extraordinária realizada com os presidentes das atléticas participantes. Nela ficou esclarecido que todas as medidas cabíveis serão aplicadas para zelar, como sempre, pela segurança de todos. Os atletas agredidos estão recebendo todo apoio do evento e da atlética que representam, Isefúria. O JUNFRI também se coloca totalmente à disposição dos atletas envolvidos e se compromete para que situações como essa não se repitam.”
Críticas
A nota gerou ainda mais críticas por parte dos estudantes. Segundo os comentários a organização desclassificou uma atlética por ter estendido faixa e entoando gritos contra o suposto racismo.“Fazem nota de repúdio, mas desclassificam uma atlética por se posicionarem contra um crime?”, postou uma usuária do IG. “A medida cabível foi expulsar a atlética que se posicionou frente ao problema, que colocou ginásios e outras atléticas cantando junto contra o ato banal ocorrido. Deve ter doído no ego do grande organizador e dono do evento ter que entregar 3 primeiros lugares para a atlética resistência desta edição”, publicou uma outra pessoa.