Vista aérea de Nova Friburgo, cidade na região serrana do Rio de Janeiro, com montanhas ao fundo e rio no meio.

Municípios da Região Serrana têm pior nível de investimentos do RJ, aponta Firjan

Região serrana sob alerta: “Municípios não conseguiram priorizar obras e serviços para a população”

O Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF) revelou que a Região Serrana do RJ apresentou o menor nível de investimentos do estado em 2024. O estudo, divulgado em 18 de setembro de 2025, mostra que, mesmo em um cenário de maior repasse de recursos e ambiente econômico positivo, os municípios não conseguiram priorizar obras e serviços para a população. Segundo registros da Firjan, a média de investimentos da região foi de apenas 0,1921 ponto, em uma escala que vai até 1, colocando os municípios serranos em situação crítica.    

Como funciona o IFGF

O IFGF analisa dados de mais de 5 mil municípios brasileiros e é composto por quatro indicadores: Autonomia, Gastos com Pessoal, Liquidez e Investimentos. O estudo classifica a gestão como crítica (abaixo de 0,4), em dificuldade (0,4 a 0,6), boa (0,6 a 0,8) ou de excelência (acima de 0,8). Na média geral, os 13 municípios da Serra alcançaram 0,5710 ponto, um resultado próximo ao dos demais municípios fluminenses.

Resultados mistos

Apesar da baixa aplicação em investimentos, a região teve desempenho positivo em Autonomia (0,6480 pontos) e Liquidez (0,7778 pontos), demonstrando capacidade de gerar receitas próprias e de manter equilíbrio financeiro. O indicador de Gastos com Pessoal (0,6660 pontos) também foi considerado satisfatório, apontando que boa parte dos municípios não compromete de forma excessiva o orçamento com salários e aposentadorias.

Municípios em destaque

Entre os destaques, Cordeiro obteve nota máxima em Liquidez, enquanto Petrópolis, Teresópolis e Cantagalo apresentaram autonomia elevada, com alta capacidade de arrecadação local.

Situação crítica

Na outra ponta, São Sebastião do Alto e Trajano de Moraes tiveram os piores resultados. Segundo os dados, além da falta de investimentos, os municípios apresentam alto comprometimento da receita com folha de pagamento. Em São Sebastião do Alto, a nota zero no indicador de Gastos com Pessoal indica que mais de 60% da receita foi destinada a despesas de pessoal, acima do limite legal.

Contexto estadual e nacional

No estado do Rio, o indicador de Autonomia foi o segundo pior, com média de 0,4373 ponto, reforçando a dependência de transferências externas. Em relação aos Gastos com Pessoal, a média estadual foi de 0,7174 ponto, puxada pelo crescimento do orçamento total. No Brasil, o cenário fiscal apresentou melhora, com média de 0,6531 ponto, mas ainda com 36% dos municípios em situação difícil ou crítica, afetando cerca de 46 milhões de pessoas. Para a Firjan, o quadro reforça a necessidade de reformas estruturais, especialmente no modelo de distribuição de recursos e na gestão de despesas de pessoal. “Mesmo em um cenário econômico favorável e com aumento de repasses, a baixa priorização de investimentos é preocupante. A sociedade precisa cobrar compromisso com o uso do dinheiro público”, destacou Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan.

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