Morte de idosa reacende preocupação com os atendimentos de saúde em Lumiar

Apesar de ambulância ser 24h, distrito ficar cerca de 08h sem cobertura médica por questões administrativas

Na tarde do último domingo, 19, no distrito de Lumiar, uma idosa passou mal e precisou ser socorrida pela ambulância que faz plantão na localidade. No entanto, testemunhas afirmam que no momento em que os familiares buscaram ajuda, não encontraram nenhum profissional no local. Pouco tempo depois, a vítima morreu. Testemunhas informaram que os familiares ainda tentaram localizar de diversas formas os plantonistas, indo ao local onde costumam repousar ou através de ligação, mas sem sucesso. Apesar da tragédia, a família preferiu não se manifestar sobre o caso. Ao EcoSerrano, uma outra testemunha informou que a enfermeira estaria em um outro atendimento no momento da ocorrência, mas que esse atendimento não havia necessitado do uso da ambulância. Quanto ao motorista, não foi possível saber o motivo de sua ausência.

Ambulância chega a ficar 08h ausente todos os dias

O caso expõe uma grande preocupação dos moradores do distrito que há meses tentam um diálogo mais amplo com a Secretaria de Saúde para melhorar o serviço prestado na região. A Secretária de Saúde, Nicole Cipriano, já se reuniu em diversos momentos com os moradores. De acordo com a AMA Lumiar, os moradores querem que a ambulância permaneça, de fato, 24h no distrito. Atualmente, o veículo e os plantonistas, ao que tudo indica, precisam se ausentar, no mínimo, três vezes por dia para refeições, troca de turno e abastecimento. As refeições e trocas de turno seriam feitas no Hospital Raul Sertã. Durante as refeições, os moradores afirmam que o distrito fica descoberto por cerca de três horas. Na troca de turnos, que acontece uma vez ao dia, são cerca de duas horas de ausência. Ao todo, seriam 08h sem a cobertura da ambulância e os profissionais de saúde no distrito. A AMA Lumiar pretende discutir também uma maior estruturação do posto de saúde para que, em casos como o do último final de semana, a unidade possa prestar um atendimento de urgência primário para que o paciente tenha tempo de ser transportado e levado até o Hospital. “A ambulância funciona apenas como transporte de paciente e não como meio de atendimento.  Quando a vítima encontra-se num estado bem delicado, seria preciso ter aqui no distrito um espaço para primeiros socorros. Assim, ia dar tempo para que o paciente fosse transferido pro Raul Sertã em segurança. Hoje, esse paciente vai direto pro Hospital e corre o risco, como já aconteceu, de morrer no caminho, por falta de um atendimento primário”, disse uma outra testemunha ao EcoSerrano.

Falha na Comunicação

De acordo com os moradores de Lumiar, o aparelho disponibilizado pela Prefeitura para que a população entre em contato com o serviço de ambulância não fica com os plantonistas. Suspeita-se de que o aparelho fique no Hospital Raul Sertã e, quando alguém entra em contato necessitando de atendimento, as informações são repassadas aos plantonistas. “Não faz sentido. É mais demorado, mais difícil e mais confuso. Como existem locais de difícil acesso, quando o motorista não sabe o caminho, é ainda pior”, reclamou um morador. O EcoSerrano entrou em contato com a Subsecretaria de Comunicação da Prefeitura, para saber um posicionamento a respeito do ocorrido no último domingo, 19. Até o fechamento desta reportagem, não obtivemos resposta.
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