União dos Moradores mostra o que mudou e revela as pendências que continuam nas ruas
Uma lâmpada apagada, um bueiro sem limpeza e uma pilha de entulho abandonada podem parecer problemas isolados. Para quem convive diariamente com essas situações, porém, cada pendência interfere na segurança, na mobilidade e na relação dos moradores com o lugar onde vivem.No Parque Dom João VI, a comunidade decidiu que as reclamações não ficariam restritas às conversas entre vizinhos. O caminho escolhido foi reunir as demandas, ouvir diferentes ruas e levar os pedidos formalmente ao poder público.Dessa mobilização nasceu, em 2017, a União dos Moradores do Parque Dom João VI. A entidade reúne moradores da região, incluindo Parque Imperial e Alto do Mozer, e caminha para completar uma década de atuação em Nova Friburgo.Ao longo desses anos, foram realizadas ações voluntárias de limpeza, conservação e valorização do bairro. O grupo também passou a registrar solicitações administrativas para deixar documentado o que precisava ser resolvido pela Prefeitura.
Segundo a União dos Moradores, as demandas encaminhadas ao município são formalizadas por meio de processos administrativos. A intenção é permitir que cada solicitação tenha um registro e possa ser acompanhada.A associação afirma que procura ouvir os moradores antes de encaminhar os pedidos. Dessa forma, problemas apontados em ruas diferentes são reunidos e apresentados como uma necessidade coletiva.Nem sempre a resposta acontece no tempo esperado. A entidade relata que alguns processos permanecem sem andamento perceptível, o que obriga os representantes do bairro a voltar aos órgãos municipais e renovar as cobranças.O número do processo mais recente e as respostas oficiais recebidas não foram apresentados no material encaminhado ao Portal EcoSerrano. Por isso, as informações sobre o andamento são atribuídas à associação.
Programa municipal chegou ao bairro
Uma das solicitações mais recentes foi a realização do programa Bairro Total. A ação municipal previa concentrar diferentes serviços na região, com participação da Secretaria Executiva de Desenvolvimento Regional e da Secretaria de Serviços e Equipamentos Públicos.A lista apresentada pelos moradores incluía:
recolhimento de resíduos e entulhos;
manutenção da iluminação pública;
podas;
jardinagem;
limpeza de bueiros.
As equipes municipais foram ao bairro e parte do trabalho saiu do papel. Lâmpadas apagadas foram recuperadas, serviços de jardinagem foram executados e algumas podas foram realizadas.Foi justamente depois dessa passagem das equipes que surgiu a nova cobrança.
O serviço não terminou, dizem moradores
De acordo com a União dos Moradores, a limpeza dos bueiros e o recolhimento de entulhos e resíduos deixados nas calçadas não foram iniciados. A instalação de novos braços de iluminação pública também permanece pendente.A associação agora pede que a Prefeitura retorne ao Parque Dom João VI para concluir o conjunto de ações apresentado aos moradores.A cobrança não desconsidera o que já foi realizado. O grupo reconhece a recuperação das lâmpadas, a jardinagem e as podas executadas, mas entende que a passagem do programa pelo bairro não pode ser considerada concluída enquanto os demais serviços permanecerem sem atendimento.O Portal EcoSerrano mantém o espaço aberto para que a Prefeitura de Nova Friburgo informe o cronograma, o andamento dos pedidos e a previsão para a conclusão dos trabalhos.
Descarte irregular preocupa a comunidade
Outra frente de atuação envolve o descarte de resíduos de obras. Segundo a entidade, materiais vêm sendo abandonados em calçadas, margens de córregos, áreas de mata, ruas e pontos próximos a rios.A União dos Moradores afirma que parte do material seria levada por pessoas que não vivem no bairro. Essa informação é um relato da associação e não acompanha, até o momento, a identificação dos responsáveis ou uma apuração oficial.Sem a confirmação da autoria, não é correto apontar moradores, empresas ou transportadores específicos. O descarte irregular, entretanto, pode ser documentado e encaminhado aos órgãos responsáveis para fiscalização.Além do impacto visual, os resíduos podem obstruir a passagem de pedestres, reduzir o escoamento da água e atingir áreas de vegetação. Quando chegam aos bueiros e córregos, também aumentam a dificuldade de limpeza e podem agravar alagamentos durante períodos de chuva forte.Dependendo do tipo de material, o abandono ainda pode favorecer o acúmulo de água, a presença de animais e a contaminação do solo.
Recolher não resolve sozinho
A retirada do entulho é necessária, mas não encerra o problema. Se o ponto continuar sem fiscalização e voltar a receber descarte, o custo do recolhimento se repete e o bairro retorna à situação anterior.Por isso, a associação defende duas ações paralelas: a limpeza dos locais atingidos e medidas para impedir novos descartes.Moradores que presenciarem uma situação desse tipo podem registrar o local, a data e as características do veículo, desde que isso seja feito sem confronto ou exposição a risco. O material deve ser encaminhado aos canais oficiais de fiscalização.Também é importante evitar a publicação de placas, rostos ou acusações nas redes sociais antes de uma apuração. O registro pode ajudar as autoridades, mas não deve ser usado para condenar alguém antecipadamente.
Organização não substitui o poder público
Mutirões e trabalhos voluntários ajudam a cuidar das áreas comuns e fortalecem o vínculo entre vizinhos. Essas ações, porém, não retiram do município a responsabilidade por iluminação, drenagem, limpeza urbana e outros serviços públicos.A experiência do Parque Dom João VI mostra que uma associação pode organizar pedidos, acompanhar protocolos e pressionar por respostas. A execução dos serviços que dependem da estrutura municipal continua sendo obrigação do poder público.A participação comunitária também ajuda a definir prioridades. Quem mora no bairro conhece os pontos que alagam, as ruas com iluminação insuficiente, as áreas usadas para descarte e os locais onde pedestres encontram dificuldade.
Uma comunidade que decidiu acompanhar
A União dos Moradores define sua atuação como um instrumento de gestão e cidadania. O trabalho envolve cobrar, mas também reconhecer os avanços e manter os moradores informados sobre cada etapa.Nos grupos e nas redes sociais, a entidade divulga solicitações, resultados e serviços ainda pendentes. Essa prestação de contas permite que a própria comunidade acompanhe o que foi pedido e o que efetivamente chegou às ruas.Depois de cerca de nove anos de mobilização, o grupo continua cobrando a conclusão do Bairro Total e ações permanentes contra o descarte irregular.A diferença é que as reclamações agora têm organização, memória e protocolo. Quando uma resposta demora, o bairro sabe exatamente o que foi solicitado e quais etapas ainda faltam.