Fila de veículos parados durante a noite nas Braunes, em Nova Friburgo, após a retomada experimental de um semáforo no Centro.

Megatrânsito: teste com semáforo trava Nova Friburgo

Motoristas associam fila de mais de dois quilômetros à nova programação implantada diante da Câmara Municipal

Uma tentativa de melhorar a circulação de veículos no Centro de Nova Friburgo terminou, pelo menos nas primeiras horas do novo teste, com o efeito contrário percebido por quem estava ao volante: trânsito praticamente parado e uma fila que avançou por mais de dois quilômetros. A Secretaria Municipal de Mobilidade e Urbanismo retomou nesta quarta-feira, 10 de junho, o funcionamento experimental do semáforo instalado no encontro da Rua Farinha Filho com a Rua Augusto Spinelli, em frente à Câmara Municipal. A mudança foi apresentada como uma tentativa de organizar a circulação de veículos e a travessia de pedestres naquele trecho. Durante a noite, porém, motoristas relataram ao Portal EcoSerrano um congestionamento muito acima do habitual.

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Uma fotografia enviada por um leitor mostra a fila de veículos já na altura das Braunes, em frente ao campus da Universidade Estácio de Sá. O registro foi feito a aproximadamente dois quilômetros do cruzamento onde o semáforo voltou a operar. Na imagem, uma sequência de luzes vermelhas se estende pela via, com os veículos praticamente sem movimento. O próprio painel do automóvel de onde a fotografia foi tirada marcava velocidade zero. Os motoristas que entraram em contato com o Portal atribuíram a retenção ao retorno do semáforo. Essa relação, no entanto, ainda depende de avaliação técnica da Prefeitura, já que outros fatores, como volume de veículos, horário de pico, conversões e interferências em cruzamentos anteriores, também podem ampliar um congestionamento. Semáforo voltou em caráter experimental A programação anunciada para o equipamento prevê três minutos de sinal verde para os veículos que circulam pela Rua Augusto Spinelli. Em seguida, o semáforo em frente à Câmara abre por 15 segundos para a travessia dos pedestres. Depois desse intervalo, o equipamento passa a operar de forma intermitente até o início de um novo ciclo. A própria Secretaria de Mobilidade e Urbanismo informou que a alteração seria experimental e acompanhada por uma equipe técnica, responsável por avaliar os efeitos sobre o fluxo de veículos e pedestres. O primeiro resultado visível, entretanto, foi uma longa retenção que ultrapassou o entorno imediato do cruzamento, atravessou parte do Centro e chegou às Braunes. O problema não ficou restrito a alguns minutos de espera diante do sinal. Quando uma retenção avança por vários cruzamentos, os veículos deixam de escoar normalmente, bloqueiam acessos laterais e espalham o congestionamento para ruas que alimentam o corredor principal. Para quem estava saindo do trabalho, voltando para casa ou atravessando a região central, o experimento representou aumento no tempo de deslocamento e uma noite de trânsito pesado. Teste precisa medir tempo de viagem, não apenas o cruzamento A avaliação da Prefeitura não pode observar apenas se os veículos conseguem atravessar o ponto da Câmara Municipal. O funcionamento precisa considerar o efeito provocado em toda a sequência viária. Entre os dados que precisam ser acompanhados estão o tamanho das filas, o tempo médio de viagem entre as Braunes e o Centro, o número de veículos que atravessa o cruzamento em cada ciclo e o impacto sobre as ruas próximas. Também será necessário verificar se os três minutos de sinal verde e os 15 segundos reservados aos pedestres estão ajustados ao fluxo real de cada horário. Um semáforo pode organizar um cruzamento e aumentar a segurança da travessia, mas, quando não está sincronizado com os demais pontos ou com a capacidade das vias seguintes, a retenção pode simplesmente ser transferida para trás. A Secretaria ainda não informou por quanto tempo a experiência permanecerá em funcionamento nem quais critérios serão utilizados para decidir se a programação será mantida, alterada ou novamente suspensa. O registro encaminhado ao EcoSerrano mostra que, no primeiro dia da retomada, o trânsito pesado já havia alcançado uma distância considerável do equipamento. Agora, o resultado precisa entrar na avaliação prometida pela própria Prefeitura.

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