É o segundo evento climático em menos de 30 dias. Veja os detalhes sobre os riscos à população
O litoral do Rio voltou a tremer, mas não da forma como muita gente imagina quando ouve a palavra terremoto.Uma sequência de pequenos abalos sísmicos foi registrada entre a manhã e a noite de sexta-feira, 26, em alto-mar, a cerca de 75 quilômetros de Saquarema, na Região dos Lagos. Os tremores foram detectados por estações da Rede Sismográfica Brasileira e analisados pelo Centro de Sismologia da USP, com coordenação do Observatório Nacional.Os eventos foram fracos. O maior deles teve magnitude 2,5 mR. Os demais ficaram entre 1,5 mR e 2,1 mR. Não há registro de danos, vítimas ou impacto percebido pela população.Ainda assim, a sequência chama atenção por um motivo: ela não aparece isolada no mapa sísmico recente do estado.
Para quem está em terra firme, a ideia de tremor no litoral fluminense pode soar estranha. O Brasil não está nas bordas mais ativas das placas tectônicas, como acontece em países onde terremotos fortes são mais frequentes. Isso ajuda a explicar por que abalos no país costumam ser fracos e raramente causam danos.Mas isso não significa ausência total de atividade sísmica.A margem sudeste do Brasil, especialmente em alto-mar, é considerada por especialistas uma das principais áreas sísmicas offshore do país. Pequenos terremotos podem ocorrer por tensões naturais acumuladas na crosta terrestre e, na maior parte das vezes, só aparecem nos equipamentos de monitoramento.É exatamente esse o ponto que torna o caso interessante. O fenômeno existe. Só quase nunca é sentido.
A sequência perto de Saquarema
Os registros ocorreram em alto-mar, próximos à costa de Saquarema. De acordo com os dados divulgados, foram detectados cinco eventos ao longo do período:26 de junho, 8h58 — magnitude 2,5 mR;26 de junho, 12h15 — magnitude 2,1 mR;26 de junho, 12h18 — magnitude 1,7 mR;26 de junho, 13h — magnitude 2,1 mR;26 de junho, 21h23 — magnitude 1,5 mR.As magnitudes são consideradas baixas. Em geral, tremores abaixo de 3 costumam passar despercebidos pela população e são identificados principalmente pelas estações sismográficas.A sequência não indica, por si só, risco imediato para moradores da Região dos Lagos ou de outras áreas do estado.
O susto fica maior que o perigo
O termo terremoto costuma provocar medo porque remete a grandes desastres em outros países. No caso registrado no litoral do Rio, a situação é diferente.Os tremores ocorreram longe da costa, em baixa magnitude e sem relato de danos. Especialistas afirmam que esse tipo de evento é relativamente comum no Brasil e não representa risco significativo para a população.O que existe é monitoramento.A Rede Sismográfica Brasileira acompanha esse tipo de ocorrência por meio de estações espalhadas pelo país. Os dados ajudam pesquisadores a entender melhor como a crosta terrestre se comporta também em regiões onde a atividade sísmica é discreta, mas não inexistente.
Maricá já tinha entrado no mapa em maio
A sequência perto de Saquarema não foi a primeira registrada no litoral fluminense em 2026.Em maio, tremores também foram detectados na costa próxima a Maricá. Na ocasião, um dos eventos chegou a magnitude 3,3, acima dos abalos registrados agora. Mesmo assim, também não houve relatos de danos ou vítimas.A repetição de pequenos registros em pontos próximos da costa ajuda a colocar o litoral do Rio em uma conversa pouco comum no dia a dia dos moradores: a de que o estado também tem atividade sísmica, ainda que geralmente fraca e restrita aos instrumentos de medição.
Não há como prever o próximo
Uma das principais dúvidas depois de uma sequência de tremores é se isso significa que outro abalo maior pode acontecer.A resposta dos especialistas é direta: não existe tecnologia capaz de prever quando um novo tremor ocorrerá, onde será exatamente ou qual magnitude terá.O histórico da costa fluminense, no entanto, é marcado principalmente por eventos de baixa magnitude. Por isso, o monitoramento contínuo é importante, mas não há indicação de risco relevante para a população a partir dos registros mais recentes.A terra tremeu no mar do Rio.Mas, desta vez, quem percebeu primeiro não foi o morador. Foram os equipamentos.