Mudança começa domingo e provoca cobranças por documentos, planejamento e participação popular
A mão dupla na Rua General Osório ainda nem começou, mas já colocou uma pergunta no centro do debate em Nova Friburgo: quais informações técnicas levaram a Prefeitura a promover uma das mudanças mais delicadas dos últimos anos no trânsito da cidade?O novo sistema entra em vigor às 6h deste domingo, 26 de julho. A medida será experimental durante 60 dias e atingirá não apenas a General Osório, mas também ruas do entorno, cruzamentos, semáforos e áreas de estacionamento.Segundo a Prefeitura, o objetivo é adequar a organização viária à realidade local e melhorar a fluidez do trânsito. A administração municipal afirma que o período de testes permitirá acompanhar os resultados antes de uma decisão definitiva.O anúncio, porém, abriu outra frente: políticos e moradores passaram a cobrar a divulgação do estudo técnico citado pelo prefeito Johnny Maycon como fundamento da mudança.
A Rua General Osório passará a operar nos dois sentidos. Para permitir a implantação, a Secretaria Municipal de Mobilidade e Urbanismo, a Semu, também alterará a circulação das vias próximas.A Rua Aristão Pinto passará a ter sentido único, partindo da Rua General Osório em direção à Rodovia Presidente João Goulart. Dessa forma, motoristas que estiverem na Aristão Pinto não poderão acessar a General Osório.As ruas Carlos Magno do Valle e José Antônio Alves terão os sentidos invertidos em relação à circulação atual.Novos semáforos também começarão a funcionar nos seguintes cruzamentos:
General Osório com Henrique Zamith;
General Osório com Padre Luís Yabar;
General Osório com Aristão Pinto.
As mudanças foram confirmadas pela Prefeitura emcomunicado oficial publicado em 23 de julho.Durante os 60 dias de testes, poderão ocorrer novas intervenções, como proibições de parada e estacionamento, além de interrupções temporárias. Os locais atingidos deverão receber sinalização.A Semu informou que as alterações poderão ser ajustadas ou até revogadas conforme os resultados observados.
Onde está o estudo?
Ao anunciar a mudança, Johnny Maycon afirmou que a implantação ocorreria após estudos técnicos. Entretanto, até a publicação desta reportagem, o material divulgado pela Prefeitura não apresentava o estudo completo, a metodologia utilizada, seus responsáveis ou os dados específicos que sustentaram a decisão.Também não foram esclarecidos publicamente:
Qual estudo técnico foi realizado?
Quem elaborou o documento?
Houve contratação de empresa para essa finalidade?
Qual foi o custo?
Quais projeções foram feitas para pedestres, escolas, hospitais e estabelecimentos comerciais?
Quais indicadores serão utilizados para avaliar os 60 dias de experiência?
A falta dessas respostas passou a ser questionada por diferentes representantes políticos após o anúncio.
Lideranças políticos cobram transparência
Zé Alexandre, presidente do Instituto de Políticas Públicas e do PT Nova Friburgo defendeu que decisões com impacto direto sobre a população sejam acompanhadas de transparência e diálogo. Segundo ele, caso existam estudos técnicos, os documentos precisam ser apresentados e debatidos com moradores, comerciantes, entidades e conselhos municipais.Ele também afirmou que Nova Friburgo necessita de planejamento e participação social, além de cobrar atenção para outros problemas estruturais de mobilidade.Wanderson Nogueira (PDT) questionou a ausência de um Plano de Mobilidade Urbana orientando intervenções desse porte. Em manifestação nas redes sociais, ele avaliou que a General Osório não pode ser analisada somente pelo fluxo de veículos, por concentrar escolas, creches, hospitais e clínicas.Wanderson também apresentou uma crítica política, ao sugerir que a medida poderia estar sendo usada para desviar a atenção da avaliação do governo. A afirmação representa a opinião do ex-deputado e não foi acompanhada da apresentação de provas nesse sentido.O vereador Marcos Marins (PSD) também cobrou a divulgação do estudo técnico. Ele questionou quais setores foram ouvidos antes da decisão e lembrou que moradores, comerciantes, escolas e usuários convivem diariamente com a dinâmica da via.Marins afirmou ainda que uma audiência pública sobre mobilidade e educação no trânsito foi realizada em outubro de 2025, mas que o governo municipal não participou. Apesar das críticas, o vereador declarou esperar que a experiência produza resultados positivos.
Teste começa sob desconfiança
A General Osório concentra hospitais, unidades de saúde, escolas, estabelecimentos comerciais e circulação intensa de pedestres. Por isso, o debate vai além da velocidade dos carros ou da criação de um novo caminho para o Centro.A segurança de crianças, idosos, pacientes, ciclistas e pessoas com mobilidade reduzida também deverá ser considerada durante os testes.A Prefeitura pediu compreensão aos moradores e atenção redobrada à nova sinalização. O descumprimento das regras poderá resultar nas penalidades previstas pelo Código de Trânsito Brasileiro.A experiência começa domingo, mas as perguntas já estão nas ruas. O resultado dependerá não apenas da fluidez alcançada, mas da segurança oferecida e da transparência com que o poder público apresentará os dados usados para avaliar a mudança.O Portal EcoSerrano mantém o espaço aberto para que a Prefeitura de Nova Friburgo apresente o estudo técnico, sua autoria, metodologia, custos e demais esclarecimentos. Eventual manifestação será acrescentada à reportagem.