Praia ao pôr do sol com pegadas na areia, sugerindo Horário de Verão.

Horário de Verão pode retornar em 2026, após constatação de déficit energético

Estudo técnico aponta necessidade de energia equivalente a quase três Itaipus

O alerta sobre a necessidade de ampliar a geração elétrica no país voltou a colocar o horário de verão no centro das discussões energéticas. Embora o governo federal mantenha a decisão de não retomar a medida neste momento, técnicos não descartam novas avaliações caso o cenário de pressão sobre o sistema se agrave.

Atualizado às 16h

Uma nova leitura sobre o sistema elétrico brasileiro trouxe de volta um tema que costuma reaparecer em períodos de maior pressão energética: a possibilidade de retorno do horário de verão. O motivo está no tamanho do desafio apontado em estudo encaminhado à Agência Nacional de Energia Elétrica, que indica a necessidade de contratar 35 gigawatts adicionais até 2035 para evitar instabilidades e apagões no país.

O que muda no cenário energético brasileiro agora? O volume projetado equivale a quase três vezes a capacidade da Usina Hidrelétrica de Itaipu, uma das principais bases de sustentação do sistema nacional. Hoje, Itaipu responde por cerca de 9% do consumo brasileiro e ainda atua como reserva estratégica em momentos de pico. Segundo o levantamento, o país precisará ampliar a oferta de chamadas fontes despacháveis — como térmicas e hidrelétricas — capazes de entrar rapidamente em operação quando a demanda sobe.

Isso pode fazer o horário de verão voltar? Por enquanto, oficialmente, não há decisão para retomar a medida. O governo federal continua mantendo a posição de que o horário de verão permanece suspenso. Mas o cenário técnico faz o tema voltar ao radar porque, em momentos de maior desequilíbrio entre consumo e geração, o adiantamento dos relógios reduz a pressão no início da noite, período em que historicamente a demanda cresce. Um detalhe técnico ajuda a entender por que isso ainda não está descartado: se houver agravamento no quadro de segurança energética, medidas de gestão de consumo podem voltar à mesa.

Por que o sistema precisa de tanta energia extra? O crescimento acelerado das fontes solar e eólica trouxe avanço na geração, mas também aumentou a necessidade de equilíbrio operacional. Essas fontes dependem de clima e horário, o que exige reforço de estruturas capazes de responder rapidamente. O estudo elaborado pela Academia Nacional de Engenharia e pelo CIGRE-Brasil aponta que não basta gerar mais: será preciso armazenar melhor e distribuir com mais eficiência.

Onde estão os maiores riscos hoje? De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico, o Sistema Interligado Nacional atingiu 246.762 MW de capacidade instalada, enquanto a demanda máxima chegou a 104.732 MW. Mesmo com capacidade aparentemente superior, o sistema enfrenta sobrecargas porque parte da geração não entra no momento exato em que o consumo exige.

O que já está sendo feito? O governo já contratou cerca de 19 GW adicionais em fontes térmicas e hidráulicas. Esse volume, sozinho, já supera a potência instalada de Itaipu. Além disso, o Ministério de Minas e Energia iniciou discussões sobre leilões de baterias para armazenamento energético.

O curtailment mostra que o sistema já opera sob pressão? Sim. O curtailment — corte temporário de geração para evitar sobrecarga — tem sido usado com frequência crescente. Segundo análises do setor, houve pelo menos 16 dias em 2025 em que o sistema operou próximo do limite de segurança. Isso ocorre principalmente em fins de semana, quando a produção continua alta, mas o consumo cai.

O que pode acontecer nos próximos anos? Se os investimentos em armazenamento, reservatórios e transmissão não avançarem no ritmo necessário, medidas de gestão energética podem ganhar força. Entre elas, o horário de verão volta naturalmente ao debate técnico, mesmo sem decisão imediata. Hoje, o cenário ainda é de monitoramento. Mas no setor elétrico, a lógica é simples: quando a margem diminui, toda ferramenta capaz de aliviar a demanda volta a ser observada.

Entenda rapidamente

  • O horário de verão vai voltar em 2026? Ainda não há decisão oficial.

  • O governo descarta totalmente? Não. Mantém a suspensão, mas acompanha o cenário.

  • O risco de apagão existe hoje? Há alerta técnico para reforço estrutural até 2035.

  • O que mais pesa no sistema? A dificuldade de equilibrar geração intermitente com demanda real.

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