Veja em detalhes como tradicional casarão sofreu grande transformação e se tornou referência
Um hospital em ruínas que volta à vida
Em Vassouras, na região do Vale do Café, um casarão do século XIX acaba de ganhar um novo destino. A antiga Santa Casa de Misericórdia, construída em 1853 e interditada em 2007, será reaberta como Museu de Vassouras, dedicado à preservação da memória histórica da região.VEJA TODA A REPORTAGEM COMPLETA NO SITE AGENDA DO PODER:https://agendadopoder.com.br/conheca-o-museu-construido-por-ronaldo-cezar-coelho-para-contar-a-historia-de-indigenas-escravizados-e-portugueses-do-vale-do-cafe/O espaço, que já funcionou como hospital e asilo, sobreviveu ao abandono e a um incêndio antes de passar por um restauro completo. Agora, o prédio passa a abrigar exposições permanentes sobre o ciclo do café, seus personagens e as contradições sociais que marcaram o período.
A força do Vale do Café no século XIX
No auge da produção cafeeira, o Vale do Café chegou a ser responsável por até 75% do café consumido no mundo. O museu pretende revisitar essa história com uma abordagem crítica, trazendo vozes que muitas vezes ficaram à margem dos registros oficiais, como indígenas, africanos escravizados e personagens de resistência.Entre os destaques previstos estão experiências imersivas e hologramas que retratam figuras como Manuel Congo, líder quilombola, Marianna Crioula, símbolo da luta contra a escravidão, e Eufrásia Teixeira Leite, empresária pioneira do século XIX.
Um restauro milionário sem verbas públicas
O projeto de recuperação foi financiado integralmente pelo Instituto Vassouras Cultural, fundado pelo empresário e ex-deputado federal Ronaldo Cezar Coelho. O investimento já ultrapassa R$ 50 milhões, sem recursos públicos.As obras tiveram início com um restauro emergencial em 2018, conduzido pela Concrejato Engenharia, para evitar o colapso da estrutura. O projeto arquitetônico é assinado por Maurício Prochnik.Segundo Ronaldo Cezar Coelho, a iniciativa busca valorizar a diversidade cultural da região:“O Vale do Café era a cara do Brasil no século XIX: 70% da população era preta, havia os fazendeiros vindos de Minas Gerais e também os povos indígenas, como os puris e os coroados. O Brasil precisa conhecer essa história”, afirmou.
Inauguração e expectativa local
A apresentação oficial do restauro acontece no fim de agosto, mas a abertura definitiva com as exposições montadas está prevista para novembro de 2025. Entre os convidados para o lançamento está o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Roberto Barroso, reforçando o simbolismo histórico de Vassouras — cidade que já forneceu quatro nomes à Suprema Corte, mesmo sem ter uma faculdade de Direito.A expectativa da população é alta, já que o museu deve se tornar um novo ponto de atração cultural e turística, além de movimentar a economia local.
Mais do que um museu: um espaço de reflexão
O Museu de Vassouras não será voltado à coleção privada de seu financiador, mas sim à construção de uma narrativa crítica sobre o ciclo do café. A proposta é mesclar tecnologia de ponta, acervos e experiências imersivas para provocar reflexões sobre identidade, memória e desigualdade.Além disso, o espaço integra o Memorial Judaico de Vassouras, projetado por Roberto Burle Marx, que homenageia Benjamin Benatar e Morluf Levy — judeus enterrados no jardim do casarão, devido às restrições de sepultamento em cemitérios católicos no século XIX.
Como chegar a Vassouras
De carro, o trajeto a partir do Rio de Janeiro leva cerca de 1h40min pela Via Dutra (BR-116) e RJ-127. De ônibus, há três saídas diárias do Terminal Novo Rio, com tempo médio de viagem de 2h25min e passagens entre R$ 56,58 e R$ 73,67.