Estudo da UFRJ revela ainda que o município aparece entre as cidades onde há movimento de massa. Levantamento oficial ainda aponta 254 áreas vulneráveis
Em Nova Friburgo, os números sobre áreas vulneráveis voltam ao centro da discussão nesta quinta-feira, 26 de março de 2026, com base em dois eixos: o dado oficial de 30 mil moradores em áreas de risco e um estudo técnico da Universidade Federal do Rio de Janeiro que aprofunda como esses riscos permanecem distribuídos na cidade. O levantamento acadêmico mostra que o município está entre 821 cidades brasileiras classificadas como suscetíveis a movimentos gravitacionais de massa, fenômeno diretamente ligado a deslizamentos em encostas urbanas.
Mais adiante, um ponto específico ajuda a conectar os fatos.
A situação ainda interfere diretamente na rotina de milhares de moradores em Nova Friburgo (RJ), especialmente em regiões marcadas historicamente por ocupação em encostas e fundos de vale. Segundo os dados oficiais usados como referência pública pelo município, 254 áreas de risco seguem mapeadas, com 7.500 casas e cerca de 30 mil pessoas vivendo em locais sujeitos a deslizamentos, alagamentos, inundações e enxurradas. Mas o ponto mais sensível aparece quando o estudo técnico mostra que parte dessas vulnerabilidades não depende apenas de chuva intensa, mas também do tipo de relevo, ocupação urbana e histórico geológico local.
Estudo técnico detalha como o risco se distribui em Nova Friburgo: De acordo com a pesquisa “Risco Geológico: Uma Abordagem Integrada entre Métodos de Mapeamento Geotécnico Analisados em Nova Friburgo, RJ”, elaborada por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o município foi analisado a partir de três métodos brasileiros de mapeamento geotécnico. O trabalho compara: carta de suscetibilidade; carta geotécnica de aptidão à urbanização; cartas de perigo e risco geológico.
Segundo os autores, essa integração permite identificar com mais precisão áreas onde o perigo estrutural é maior e onde a ocupação urbana exige monitoramento permanente. “O município de Nova Friburgo se insere entre as 821 cidades cadastradas no Brasil como mais suscetíveis a movimentos gravitacionais de massa.”
Imagens de alta resolução revelaram danos ainda mais precisos da tragédia: O estudo utilizou modelagens em 3D e imagens de alta resolução em áreas estratégicas do distrito sede. Segundo a pesquisa, esse cruzamento permitiu delimitar com georreferenciamento as edificações destruídas no evento extremo de janeiro de 2011.
Pouca gente percebe, mas os pesquisadores destacam que esse tipo de análise mostra que algumas rupturas de encosta foram ainda mais extensas do que os primeiros levantamentos indicavam. “As cartas de Perigo/Risco demonstram melhor delimitação dos danos ocorridos e rupturas de deslizamento.”
Áreas prioritárias exigem prevenção contínua: Segundo os pesquisadores, os dados levantados indicam que a cidade precisa manter ações preventivas em áreas prioritárias. Entre as medidas citadas no estudo estão: monitoramento permanente; sistemas de alerta; obras preventivas; mitigação geológica em áreas críticas.
Câmara cobra atualização oficial dos números: Ao mesmo tempo, um requerimento apresentado pelo vereador Cláudio Damião pede que a prefeitura informe se os números de 254 áreas, 7.500 casas e 30 mil moradores continuam válidos. O documento também questiona: quantas famílias foram retiradas nos últimos quatro anos; quais bairros concentram maior risco; se há demolições de imóveis abandonados em áreas vulneráveis; se existe política habitacional em andamento.
Tragédia de 2011 ainda define parte do planejamento urbano: Desde a tragédia de janeiro de 2011, os mapas elaborados com apoio da CPRM continuam sendo base técnica para parte do monitoramento municipal. O que chama atenção é que o estudo da UFRJ mostra que a integração entre diferentes cartas geotécnicas melhora a definição de áreas prioritárias para prevenção futura.
Atualizado às 15h10: Até o momento, não há resposta consolidada do Executivo aos 11 itens enviados no requerimento legislativo.
O dado que fecha esse quadro: Os pesquisadores concluem que a combinação entre relevo acidentado, ocupação consolidada e histórico de eventos extremos mantém Nova Friburgo como território de alta complexidade urbana. Na prática, isso significa que reduzir risco depende não apenas de obras, mas também de planejamento habitacional contínuo.
Sobre a reportagem
Quantas pessoas vivem hoje em áreas de risco segundo o dado oficial? Cerca de 30 mil moradores.
Quantas áreas vulneráveis seguem mapeadas? 254 áreas.
O estudo aponta necessidade de quê? Monitoramento, alerta e mitigação preventiva permanentes.