Agentes fiscalizam peças automotivas armazenadas durante operação em ferro-velho na Taquara, no Rio.

Famosos ferro velho no Rio é fechado por depósito clandestino e carro roubado

Operação na Taquara apreendeu materiais sem documentação e levou o proprietário do estabelecimento à delegacia

Peças de um automóvel roubado em abril foram encontradas nesta terça-feira, 9 de junho, dentro de um ferro-velho na Taquara, em Jacarepaguá. A descoberta levou à interdição do estabelecimento, à apreensão de todo o material armazenado e à condução do proprietário em flagrante para a Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis. A operação reuniu agentes da Diretoria de Desmontagem do Detran RJ e da DRFA e ocorreu em um imóvel localizado na Estrada do Cafundá, na Zona Sudoeste do Rio. A fiscalização foi desencadeada a partir de informações encaminhadas ao Disque Denúncia. Entre as peças identificadas estavam componentes de um automóvel da marca BYD roubado na região de Realengo. O material já havia sido separado do veículo, cenário que demonstra como um carro levado durante um roubo pode rapidamente perder sua identificação original e passar a abastecer o comércio clandestino de peças.

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Ao lado do ferro-velho, os agentes encontraram um segundo imóvel que, segundo o Detran RJ, funcionava como depósito clandestino do mesmo proprietário. O espaço era utilizado para guardar portas, capôs e outros componentes automotivos. Nos dois endereços, as peças estavam armazenadas sem organização, identificação individual ou documentação que comprovasse a origem dos materiais. Também foram encontrados componentes de veículos importados e de alto valor comercial. A ausência de rastreabilidade impede que a fiscalização confirme de qual automóvel cada peça foi retirada, quando ocorreu a desmontagem e se o veículo teve origem legal. Por isso, o ferro-velho e o depósito foram interditados, enquanto todo o material permaneceu apreendido para análise. Há suspeita de que peças pertencentes a outros veículos roubados também fossem comercializadas nos locais. Essa possibilidade ainda será investigada, e não foi informado quantos componentes foram recolhidos ou quantos automóveis poderão ser identificados durante a perícia. O proprietário foi conduzido à sede da DRFA. O comunicado divulgado pelo Detran RJ não informou quais crimes foram registrados na ocorrência nem se a prisão foi posteriormente mantida pela autoridade policial. O presidente do Detran RJ, Carlos Eduardo Sarmento, afirmou que a atuação integrada ajuda a atingir o mercado que absorve materiais sem procedência. “A atuação conjunta contribui para o combate às práticas ilegais que alimentam o mercado de peças de automóveis sem procedência e reforça a importância da regularização e do cumprimento da legislação”, declarou. A operação mostra um dos caminhos percorridos depois do roubo de um veículo. Em vez de o automóvel ser revendido inteiro, ele pode ser desmontado e ter portas, capôs e outros componentes distribuídos separadamente, dificultando a identificação e ampliando o lucro obtido com o crime. Para o consumidor, a compra de uma peça sem nota fiscal ou comprovação de origem também carrega riscos. Além da possibilidade de adquirir material retirado de veículo roubado, não há garantia sobre as condições do componente, sua procedência ou a responsabilidade de quem realizou a desmontagem. As peças apreendidas deverão ser examinadas para verificar se existem outros veículos roubados entre os materiais encontrados. O Detran RJ e a Polícia Civil não divulgaram, até o momento, se novas operações serão realizadas a partir das informações obtidas no ferro-velho.

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