Pessoa lavando as mãos em torneira de metal brilhante. Água corrente.

Falta de água persiste em áreas de oito municípios do Rio

Comunicados previam normalização entre 24 e 72 horas, mas localidades da Capital, Baixada e interior ainda registram falta de água

Reparos foram anunciados como concluídos, sistemas voltaram a operar e prazos de até 72 horas foram apresentados pelas concessionárias. Mesmo assim, moradores de áreas de oito municípios do Estado do Rio de Janeiro ainda enfrentam falta de água, baixa pressão ou fornecimento irregular nesta quarta-feira, 5 de agosto. O levantamento do EcoSerrano reúne comunicados da Águas do Rio e da Cedae divulgados entre os dias 1º e 4 de agosto, mas que continuam atuais porque a normalização não ocorreu integralmente nas regiões atingidas. Os problemas alcançam partes da cidade do Rio, Cachoeiras de Macacu, Nova Iguaçu, Miracema, Duque de Caxias, Macaé, Sapucaia e São João da Barra. Ao todo, os avisos citam nominalmente 37 bairros e localidades, além de todo o município de Macaé, do abastecimento geral de Cachoeiras de Macacu, do distrito de Anta, em Sapucaia, e de outras ruas próximas ao poço Jacuy, em São João da Barra. A sequência dos comunicados mostra um problema comum: concluir um reparo ou religar um sistema não significa que a água chega imediatamente às casas. A rede precisa recuperar pressão, encher reservatórios e alcançar pontos mais altos e distantes. Entretanto, em diversas localidades, o tempo informado já terminou ou está perto de se esgotar sem que o serviço tenha retornado de forma regular.

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Zona Norte ainda sente efeitos de vazamento e falta de energia

Na cidade do Rio, o problema atinge partes da Zona Norte. A Águas do Rio informou ter concluído, na tarde de segunda-feira (3), o reparo de um vazamento na Avenida Ernani Cardoso, próximo ao Mergulhão Clara Nunes, no Campinho. A ocorrência foi relacionada aos efeitos do vendaval que atingiu a Região Metropolitana na semana anterior. A falta de energia interrompeu simultaneamente sistemas de bombeamento e provocou impactos na distribuição. A concessionária informou que o abastecimento poderia levar 72 horas ou mais para ser plenamente normalizado, principalmente em regiões elevadas e nas extremidades das redes. As áreas listadas são: Água Santa, Bento Ribeiro, Campinho, Cascadura, Encantado, Engenheiro Leal, Engenho de Dentro, Madureira, Marechal Hermes, Méier, Piedade, Praça Seca, Quintino Bocaiúva, Todos os Santos e Vila Valqueire. Como o próprio comunicado admitia a possibilidade de prazo superior a 72 horas, moradores dessas regiões podem continuar enfrentando baixa pressão ou interrupções mesmo depois da conclusão do reparo.

Caonze continua dentro do período de recuperação da rede

Em Nova Iguaçu, o reparo de um vazamento na Rua Coronel Bernardino de Melo, no bairro Caonze, estava previsto para terminar até o fim da noite de segunda-feira. O fornecimento seria restabelecido gradativamente, mas a concessionária advertiu que a normalização completa poderia levar até 72 horas ou mais, especialmente nas partes altas e nas pontas do sistema. Nesta quarta-feira, o prazo ainda está em andamento, mas moradores que continuam sem água devem registrar a ocorrência diretamente com a empresa para que a situação de cada rua seja verificada.

Miracema ultrapassa prazo de 24 horas

Em Miracema, a Águas do Rio informou na segunda-feira que havia concluído o reparo de uma rede de distribuição e iniciado a retomada do sistema. O prazo anunciado para regularização era de até 24 horas, atingindo Centro, Rodagem, Santa Teresa, Jardim Beverly, Jove, Orçay, Pontilhão do Rosa, Carrapichão, Vista Alegre, Cruzeiro e Fazendinha. Como o período indicado já terminou, a permanência da falta de água ou da baixa pressão nessas localidades representa atraso em relação à previsão apresentada no comunicado.

Cachoeiras de Macacu tinha previsão de retorno na segunda-feira

O abastecimento de Cachoeiras de Macacu foi reduzido devido a um reparo na rede principal de distribuição. A conclusão do serviço estava prevista para as 19h de segunda-feira, com normalização gradual em seguida. O aviso, porém, não estabelecia um prazo máximo para que a água chegasse a todos os imóveis. Moradores que continuam enfrentando interrupção nesta quarta-feira já acumulam mais de um dia de irregularidade após o horário previsto para o fim dos trabalhos.

Duque de Caxias sofre reflexos de paralisação da ETA

Em Duque de Caxias, a Estação de Tratamento de Água de Campos Elíseos teve a operação interrompida na noite de sexta-feira (31), devido à falta de energia elétrica. A paralisação afetou Campos Elíseos, Jardim Primavera, Saracuruna e Cangulo. A informação divulgada indicava normalização gradativa em até 72 horas após a conclusão do serviço. A dificuldade, neste caso, é que o comunicado não apresentava claramente o horário em que a operação foi plenamente restabelecida, o que impede o morador de saber com precisão quando começa e termina a contagem das 72 horas. Essa ausência de uma referência objetiva dificulta a cobrança e prolonga a incerteza para quem continua sem abastecimento.

Todo o município de Macaé foi afetado

Em Macaé, um reparo emergencial em uma tubulação do sistema interrompeu o fornecimento para todos os bairros na noite de segunda-feira. A Cedae informou que o serviço terminou na madrugada de terça-feira (4) e que o sistema foi restabelecido em seguida. A normalização poderia levar até 48 horas. O prazo, portanto, segue em andamento nesta quarta-feira. A expectativa é que o fornecimento seja regularizado até a madrugada ou ao longo de quinta-feira, dependendo do horário exato da retomada. O impacto é maior para imóveis sem caixa-d’água ou cisterna, que podem sentir imediatamente qualquer interrupção na rede.

Distrito de Anta ainda pode enfrentar instabilidade

No distrito de Anta, em Sapucaia, uma manutenção na estação de tratamento provocou instabilidade na segunda-feira. Embora o abastecimento tenha sido restabelecido ao término do serviço, a Cedae informou que a normalização poderia levar até 72 horas. O prazo termina entre esta quarta e quinta-feira, conforme o horário de conclusão da manutenção. Até lá, áreas mais distantes ou elevadas podem continuar recebendo água com menor pressão.

São João da Barra passa do prazo anunciado

Em São João da Barra, um reparo emergencial realizado no domingo (2) interrompeu o fornecimento em áreas do município, incluindo Atafona, Cehab, Coreia, Vila Esperança, Jardim das Palmeiras e ruas próximas ao poço Jacuy. O serviço estava previsto para terminar ao meio-dia, com normalização em até 48 horas. Esse prazo terminou na terça-feira. Caso moradores dessas localidades continuem sem água nesta quarta, o problema já ultrapassa o período informado pela Cedae.

Por que a água demora mesmo depois do reparo?

A retomada do abastecimento não ocorre de maneira simultânea em toda a rede. Depois de um reparo, é necessário restabelecer a operação, preencher tubulações e reservatórios e recuperar a pressão. Casas situadas em partes altas, ruas distantes das unidades de bombeamento e imóveis localizados nas extremidades das redes costumam receber água por último. Esse processo explica parte da demora, mas não elimina a obrigação de atualizar os moradores quando o prazo previsto não é cumprido. Comunicados que informam apenas que a retomada será “gradativa”, sem indicar horários ou novas previsões, deixam a população sem saber quanto tempo ainda terá de esperar.

O que os moradores podem fazer

Enquanto o fornecimento não for plenamente normalizado, a orientação das empresas é reservar a água disponível para alimentação, higiene e outras atividades essenciais. Moradores também devem registrar protocolo junto à concessionária sempre que o prazo anunciado tiver terminado e a água não tiver retornado. O número do atendimento ajuda a documentar a duração do problema e permite solicitar uma verificação específica para a rua ou imóvel. A Águas do Rio atende gratuitamente por telefone e WhatsApp pelo 0800 195 0 195. Clientes da Cedae podem buscar atendimento e solicitar caminhão-pipa pelo 0800 282 1195, de acordo com a disponibilidade e os critérios da companhia. Até esta quarta-feira, os comunicados reunidos não apresentavam novas previsões específicas para as localidades onde os moradores continuam relatando irregularidade. A normalização, portanto, ainda depende da recuperação completa de cada sistema e de atualizações das concessionárias.

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