Intervenção vai reorganizar circulação, modernizar estrutura e resgatar identidade histórica – Uma das áreas mais movimentadas do Rio de Janeiro começou a passar por mudanças que podem alterar a rotina de milhares de pessoas. A intervenção mexe com mobilidade, comércio e memória urbana. O impacto deve ser sentido já nos próximos meses.
O cenário já começou a mudar em uma das áreas mais movimentadas da Zona Oeste do Rio. As obras de requalificação do Calçadão de Campo Grande tiveram início nesta segunda-feira (13), trazendo expectativa — e também adaptação — para quem circula diariamente pelo principal eixo comercial do bairro. Com investimento de R$ 17,2 milhões e atuação da Prefeitura do Rio, por meio da Rio-Urbe e da Secretaria Municipal de Infraestrutura, a intervenção atinge cerca de 14 mil metros quadrados. A proposta vai além de uma simples reforma: envolve reorganizar o espaço urbano, melhorar a mobilidade de pedestres e atualizar a estrutura sem apagar a identidade construída ao longo de décadas.
Logo no início das intervenções, um ponto chama atenção: o piso original, marcado pelo traço de Burle Marx, começa a ser recuperado. Trechos irregulares e desgastados serão substituídos por novos materiais, com foco em segurança e padronização — um problema recorrente para quem circula diariamente pela região.
UMA NOVA CONFIGURAÇÃO PARA O DIA A DIA: A mudança não se limita ao visual. O calçadão passará por uma reconfiguração completa que impacta diretamente a rotina de comerciantes, trabalhadores e moradores. O projeto prevê nivelamento de vias, ampliação de áreas para pedestres e reorganização logística. Ruas como Coronel Agostinho, Barcelos Domingos e Major de Almeida estão incluídas, além da expansão até a Rua Viúva Dantas — trecho que deve ganhar mais espaço para circulação com o alinhamento entre rua e calçada.Outro ponto importante envolve o funcionamento do comércio. A criação de áreas específicas para carga e descarga tenta resolver um problema antigo da região, reduzindo conflitos entre veículos e pedestres.
ESTRUTURA, ACESSIBILIDADE E PADRONIZAÇÃO: Além do piso, o espaço urbano também será reestruturado com foco em permanência e acessibilidade. Bancos, jardineiras, iluminação e elementos de convivência serão recuperados ou substituídos. Um dos destaques está na instalação de 41 contêineres com cerca de 100 boxes comerciais padronizados. A medida busca organizar o comércio informal e trazer mais uniformidade visual ao espaço — uma mudança que pode alterar a dinâmica econômica local. Também estão previstos novos pórticos e totens de acesso, com referências visuais ao projeto original. Esses elementos terão função prática e informativa, além de incorporar recursos táteis para facilitar a circulação de pessoas com deficiência.
ENTRE MODERNIZAÇÃO E MEMÓRIA: Nem tudo será novo. Parte do projeto aposta justamente na recuperação do que já existia. A proposta de resgatar o desenho original de Burle Marx tenta equilibrar modernização com preservação histórica — um desafio comum em áreas urbanas consolidadas. Criado na década de 1970 e inaugurado em 1976, o calçadão se consolidou como o principal ponto de encontro e comércio de Campo Grande. A proximidade com a estação de trem e o terminal rodoviário ajudou a transformar o local em um dos espaços mais movimentados da cidade. Mais do que um centro comercial, o calçadão carrega uma dimensão simbólica para quem vive na região. É onde circulam histórias, rotinas e relações construídas ao longo de gerações.
O QUE MUDA A PARTIR DE AGORA: Com o avanço das obras, a tendência é que o impacto na circulação aumente temporariamente. Interdições pontuais, ajustes no fluxo e mudanças no funcionamento do comércio devem fazer parte da rotina nos próximos meses. Por outro lado, a expectativa da Prefeitura é de que, ao final, o espaço ofereça melhores condições de circulação, mais segurança e uma nova organização urbana capaz de acompanhar o crescimento da região. O ritmo das obras e a resposta da população devem definir como essa transformação será percebida na prática. Até lá, o calçadão segue em transição — entre o que sempre foi e o que está prestes a se tornar.
PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE AS OBRAS
Quando começaram as obras no Calçadão de Campo Grande? As intervenções tiveram início em 13 de abril de 2026.
Qual o valor do investimento? O projeto conta com investimento de R$ 17,2 milhões.
Quais áreas serão afetadas? Trechos das ruas Coronel Agostinho, Barcelos Domingos, Major de Almeida e expansão até a Rua Viúva Dantas.
O que muda para o comércio local? Haverá reorganização com criação de boxes padronizados e áreas específicas para carga e descarga.
O projeto preserva a história do local? Sim. Parte da proposta inclui a recuperação do desenho original de Burle Marx.