Depósito ligado à investigado por tráfico foi alvo da Polícia Civil e comerciantes contam tudo
Uma nova frente de investigação aberta nesta terça-feira, 31 de março, na Baixada Fluminense, colocou no centro da apuração um produto básico do dia a dia: a farinha usada nas padarias. Segundo a polícia, o controle criminoso sobre a distribuição já reflete no bolso de moradores, com unidades de pão chegando a R$ 0,80 em áreas onde antes custavam R$ 0,50. Quais são as cidades envolvidas no esquema? Veja abaixo
A operação atinge diretamente regiões da Baixada Fluminense, em pontos sob influência do Terceiro Comando Puro, onde comerciantes relatam restrições para comprar de fornecedores tradicionais. Logo nas primeiras horas da investigação, agentes da Polícia Civil chegaram a um depósito apontado como ligado a Leandro Santos Sabino, citado pelos investigadores como peça central no esquema. A situação chama atenção porque o impacto ultrapassa o crime tradicional e entra diretamente na economia local. Veja no próximo parágrafo quais são as cidades alvos da operação.
O que a polícia encontrou nessa operação? De acordo com a investigação conduzida pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, as cidades de Belford Roxo e Duque de Caxias foram alvos da operação. O depósito funcionaria como base de distribuição de sacos de farinha vendidos a comerciantes em áreas controladas por criminosos. A apuração está concentrada na atuação da 60ª Delegacia de Polícia e da 66ª Delegacia de Polícia, que investigam o suposto monopólio imposto a padarias.
Como esse controle funcionava na prática? Segundo relatos reunidos durante a investigação, comerciantes eram obrigados a adquirir farinha de uma marca determinada pelo grupo criminoso, mesmo existindo oferta legal no mercado atacadista. O preço é o ponto mais visível dessa pressão: enquanto o saco custa entre R$ 60 e R$ 70 no mercado regular, sob imposição criminosa ele chegava a R$ 100. Quem sente primeiro esse efeito é justamente o consumidor final.
Por que o preço do pão mudou em alguns bairros? Nos bairros Parque São José e Parque Suécia, localizados na divisa entre Belford Roxo e Duque de Caxias, o reflexo já apareceu no balcão das padarias. A unidade do pão passou de R$ 0,50 para R$ 0,80. Pouca gente percebe, mas quando um insumo básico sofre controle forçado, o reajuste chega rapidamente ao produto mais vendido do dia.
Há suspeita sobre a marca da farinha? Segundo a polícia, não. A marca citada nos relatos não é investigada por ligação com o crime organizado. A apuração está concentrada em quem controlava a venda e impunha a compra.
O que o Ministério Público vai apurar agora? A Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro foi acionado após comunicação feita pela Prefeitura de Belford Roxo. Entre os possíveis crimes analisados estão extorsão qualificada, formação de cartel e atuação de organização criminosa. A linha principal agora é entender até onde esse modelo avançou dentro do setor de panificação.
Atualizado às 08h10 – Até esta manhã, a investigação segue em andamento e novas diligências não estão descartadas. A polícia também tenta identificar se outros produtos passaram pelo mesmo tipo de controle comercial em áreas dominadas.
O dado que fecha esse quadro – O que mais pesa nessa investigação é que ela revela um movimento já observado em outras regiões: o crime organizado deixando de atuar apenas no território e avançando sobre cadeias inteiras de abastecimento. Quando isso ocorre, o impacto deixa de ser apenas policial e passa a atingir diretamente preço, oferta e rotina de quem compra.
Perguntas rápidas
O depósito continua interditado? A operação ainda mantém o local sob apuração.
Há previsão de novas ações? Sim, novas diligências podem ocorrer.
Quem deve acompanhar novos desdobramentos? Comerciantes e consumidores da região.