Especialistas do Cemaden apontam efeitos severos do fenômeno e eventos extremos por todo o país
O El Niño 2026-2027 já começa a entrar no radar dos especialistas e pode trazer impactos importantes para diversas regiões do Brasil. No Estado do Rio de Janeiro, a expectativa é de ondas de calor mais intensas, períodos prolongados de tempo seco e aumento da estiagem. O alerta ocorre enquanto cientistas tentam separar dados científicos reais do excesso de especulações sobre o fenômeno.
El Niño pode mudar o clima no Brasil e elevar temperaturas no Rio de Janeiro
O avanço das projeções sobre o fenômeno El Niño para o ciclo 2026-2027 começa a preocupar especialistas em clima e monitoramento ambiental. Dados divulgados por pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) indicam que o fenômeno tem grande chance de se formar ainda neste ano.
Segundo os especialistas, as probabilidades passam de 90% a partir da primavera de 2026, entre setembro e novembro. O fenômeno climático é conhecido por alterar o regime de chuvas e provocar mudanças importantes nas temperaturas em diversas partes do planeta.
No Brasil, os efeitos já esperados incluem aumento das chuvas no Sul, secas mais severas na Amazônia e Nordeste e maior frequência de ondas de calor na região central do país.
No Estado do Rio de Janeiro, embora o texto técnico do Cemaden não cite diretamente o território fluminense, os impactos podem ser sentidos com intensidade. Meteorologistas apontam possibilidade de temperaturas acima da média, períodos prolongados de calor fora do comum, redução da umidade relativa do ar e avanço de condições mais secas em várias regiões do estado.
Rio pode enfrentar sequência de ondas de calor e tempo seco
O cenário climático preocupa especialmente por causa da combinação entre calor extremo e estiagem prolongada. Em períodos de El Niño, massas de ar quente tendem a ganhar força com maior frequência, favorecendo ondas de calor sucessivas.
Na prática, isso pode significar dias consecutivos de temperaturas elevadas, sensação térmica intensa e baixa umidade do ar, inclusive durante o inverno.
Além do desconforto térmico, os efeitos podem atingir diretamente o abastecimento de água, o risco de queimadas em áreas de vegetação, a saúde respiratória da população e até o consumo de energia elétrica.
Especialistas destacam que o fenômeno não provoca desastres sozinho, mas aumenta as chances de ocorrência de eventos extremos quando combinado com vulnerabilidades urbanas e ambientais.
Cientistas tentam conter exageros e especulações
O Cemaden publicou um artigo para diferenciar projeções científicas reais de informações exageradas que vêm circulando sobre o El Niño 2026-2027.
Os pesquisadores Regina Alvalá, José Marengo e Marcelo Seluchi afirmam que ainda existe incerteza sobre a intensidade final do fenômeno, principalmente por causa da antecedência das projeções.
Atualmente, existe cerca de 25% de chance de formação de um El Niño forte e outros 25% de probabilidade de um evento muito forte, segundo dados internacionais analisados pelos especialistas.
Mesmo assim, os cientistas reforçam que o monitoramento precisa ser contínuo e baseado em dados oficiais, evitando alarmismo sem sustentação técnica.
Mudanças climáticas podem ampliar impactos
Outro ponto destacado pelos especialistas é que os efeitos do El Niño podem ocorrer em um cenário climático diferente do observado décadas atrás.
Com o avanço das mudanças climáticas globais, ondas de calor mais intensas e eventos extremos vêm se tornando mais frequentes em várias partes do mundo.
Isso faz com que fenômenos naturais, como o próprio El Niño, passem a ter potencial de gerar impactos ainda maiores sobre cidades, infraestrutura urbana e saúde pública.
Para estados como o Rio de Janeiro, que já enfrentam episódios recorrentes de calor extremo, a combinação entre mudanças climáticas e El Niño pode representar um período de atenção redobrada nos próximos meses.
O que se sabe até agora sobre o El Niño 2026-2027
Os especialistas ainda aguardam os próximos meses para definir com maior precisão a intensidade do fenômeno.
A expectativa é de que as projeções fiquem mais confiáveis durante o inverno, quando novos modelos climáticos devem indicar o comportamento do Oceano Pacífico e seus reflexos no clima global.
Enquanto isso, órgãos de monitoramento seguem acompanhando os dados para antecipar possíveis impactos e orientar medidas preventivas.
ENTENDA O CENÁRIO DO EL NIÑO
O El Niño já está confirmado? Ainda não oficialmente, mas as probabilidades de formação são consideradas muito altas pelos especialistas.
O Rio de Janeiro pode ter calor acima do normal? Sim. O cenário indica possibilidade de ondas de calor mais intensas, tempo seco e baixa umidade do ar.
O fenômeno pode afetar o inverno? Sim. Parte dos efeitos pode começar ainda durante o segundo semestre de 2026, inclusive no inverno.
O El Niño causa desastres sozinho? Não. Ele aumenta a probabilidade de eventos extremos, mas os impactos dependem também das condições urbanas e ambientais.