Mapa mostrando anomalias climáticas globais em dezembro a março, com destaque para regiões de calor e mudanças no tempo.

El Niño 2026: RJ, SP e MG, devem enfrentar clima sufocante no segundo semestre

Fenômeno climático já influencia previsões e aumenta preocupação com impactos na saúde da população

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Ainda faltam alguns meses para a primavera começar oficialmente, mas muita gente já percebe que o clima parece estranho. Temperaturas acima do normal em pleno outono, sensação abafada em vários períodos do dia e mudanças bruscas no comportamento do tempo começaram a despertar atenção até de quem normalmente não acompanha previsão meteorológica. Nos bastidores da meteorologia mundial, praticamente não existe mais dúvida: um novo El Niño está em formação e deve influenciar diretamente o clima do planeta no segundo semestre de 2026. O alerta não envolve apenas calor. E talvez seja justamente isso que mais preocupa. Quando um El Niño ganha força, os efeitos costumam atravessar o cotidiano das pessoas de maneira silenciosa. A água some mais rápido dos reservatórios, o ar fica mais pesado, aumentam as crises respiratórias, crescem os focos de queimadas e as cidades passam semanas convivendo com um desconforto permanente causado pelo calor excessivo e pela baixa umidade. Segundo análise divulgada pela Climatempo, os modelos meteorológicos indicam risco crescente de um El Niño forte a muito forte até a primavera deste ano. O aquecimento das águas do Pacífico Equatorial já atingiu níveis considerados suficientes para caracterizar o início oficial do fenômeno nas próximas semanas. E o Sudeste brasileiro aparece entre as regiões que podem sentir fortemente os impactos. No Rio de Janeiro, em São Paulo e em Minas Gerais, a expectativa é de uma segunda metade de inverno cada vez mais seca, seguida por uma primavera marcada por ondas de calor frequentes, temperaturas muito acima da média e sensação constante de abafamento. Na prática, isso altera completamente a rotina urbana. O desconforto térmico aumenta dentro de ônibus, escolas, escritórios e residências. Dormir fica mais difícil. O consumo de água e energia sobe. Hospitais costumam registrar aumento de atendimentos ligados à desidratação e problemas respiratórios. Crianças e idosos acabam sendo os mais afetados em períodos prolongados de calor intenso. Outro ponto que preocupa meteorologistas e profissionais da saúde é a qualidade do ar. Com menos chuva e tempo mais seco, aumenta a concentração de poluentes na atmosfera, especialmente em regiões metropolitanas. O cenário favorece crises de rinite, sinusite, asma e outras doenças respiratórias que costumam disparar justamente nos meses mais secos do ano. Quem vive em cidades grandes do Sudeste conhece bem aquela sensação de garganta irritada, olhos ardendo e dificuldade para respirar em períodos de estiagem prolongada. E os especialistas acreditam que 2026 pode trazer episódios ainda mais persistentes. Além da saúde humana, existe uma preocupação crescente com o impacto ambiental. A combinação entre calor extremo, vegetação seca e baixa umidade cria um ambiente altamente favorável para queimadas. O receio é que o Brasil enfrente uma temporada intensa de incêndios florestais nos próximos meses, principalmente entre o fim do inverno e o avanço da primavera. Em muitas regiões, basta alguns dias sem chuva para o cenário mudar completamente. Pastos ressecam, áreas verdes perdem umidade rapidamente e pequenos focos de incêndio conseguem se espalhar com velocidade impressionante. Os meteorologistas lembram que cada episódio de El Niño possui características próprias. Isso significa que ainda não é possível afirmar exatamente quais cidades serão mais atingidas por eventos extremos como secas severas, tempestades ou incêndios. Mesmo assim, há uma certeza cada vez mais consolidada entre os centros de monitoramento climático: o segundo semestre de 2026 será marcado por forte influência do fenômeno no Brasil. E existe um agravante adicional. Além do Pacífico mais quente, outros oceanos do planeta também estão registrando temperaturas acima da média. Isso aumenta a quantidade de energia disponível na atmosfera e potencializa eventos climáticos extremos ao redor do mundo. No Sul do Brasil, o risco maior envolve temporais mais frequentes e episódios de chuva intensa. Já no Norte e Nordeste, cresce a preocupação com redução das chuvas e agravamento da seca. No Sudeste, porém, a combinação entre calor persistente, ar seco e queimadas pode transformar a primavera de 2026 em uma das mais desconfortáveis dos últimos anos. Mais do que uma mudança no clima, o El Niño acaba alterando hábitos, saúde, rotina e até o comportamento das cidades. E os primeiros sinais disso já começaram a aparecer antes mesmo do inverno chegar.

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