Direito à Livre Locomoção: Por que a Mobilidade Urbana esquece o transporte público?

Tulio Rezende: “A maioria das administrações municipais preferem ficar no Plano de Trânsito e Transporte, com foco no automóvel”

Entre 5.565 municípios no Brasil, Nova Friburgo com menos de 200 mil habitantes ocupa a posição 130, relacionado ao número de automóveis por habitante (Denatran, maio/23), de um total de 111.215 veículos. Os problemas relacionados ao transporte particular e público são alguns dos mais urgentes da cidade, como o aumento de acidentes de trânsito e congestionamentos. Passageiros reclamam de longas esperas do transporte público (nos finais de semana chegando a 3 horas), além de problemas mecânicos, lotação, violência etc. Política de transporte é uma coisa, política de mobilidade é outra coisa. Para entender a mobilidade de uma cidade é preciso entender como seu povo se move. Para isso é preciso atingir um amplo espectro da população, ter uma fotografia do momento e prever os próximos anos (até décadas) através de projeções de computador. Um plano de mobilidade é universal e atinge a todo cidadão e cidadã e ainda deve ser fiel à realidade socioeconômica e ambiental de cada território. Um tipo específico de pesquisa, muito ampla, também conhecida como “origem-destino” é fundamental para esse estudo, sendo que ela nos dá os números dos que se deslocam a pé, de bicicleta, de ônibus, carro, moto, táxi, app, carona, transporte escolar, rural, etc. Esse diagnóstico é o primeiro passo para um Plano de Mobilidade. Mas isso custa tempo e recursos e a maioria das administrações municipais preferem ficar no Plano de Trânsito e Transporte, com foco no automóvel. Resolve problemas imediatos, mas empurra para frente questões estruturais básicas. Com o recente reajuste no valor da passagem de ônibus, esse esclarecimento é preciso para leitores e leitoras entenderem que, ao pagar essa passagem temos direito de saber a composição desse valor, e desse valor, onde e quanto está sendo investido em melhorias no próprio sistema de transporte e, principalmente, no sistema de mobilidade, que inclui toda e qualquer forma de locomoção.  O direito ao transporte público gratuito e de qualidade já é realidade em 84 cidades brasileiras. Estudantes, idosos, mães, pais e acompanhantes de crianças em idade escolar são em geral os mais onerados pelo sistema de transporte público. Pelo menos para esses, o passe livre deveria ser regra. Enquanto a nossa Nova Friburgo não ocupa esse ranking de cidades com passe livre, precisamos pelo menos entender o que fazer para chegar até isso. Planejamento e ciência é o que foi sugerido e esboçado aqui neste artigo, assumidamente um manifesto pelo direito à livre locomoção pela cidade, Direito à Cidade. Por Túlio Rezende A reprodução deste conteúdo em parte ou em sua totalidade, sem prévia autorização do EcoSerrano, pode acarretar em violação dos direitos autorais e resultar em uma ação judicial. Redes Sociais do EcoSerrano Telegram Grupo de Whatsapp 3 Grupo de Whatsapp 2    Grupo de Whatsapp 1   Instagram: @ecoserrano Facebook: @ecoserranoo Twitter: @serrano_eco Youtube: EcoSerrano
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