Falésia colorida em São Francisco de Itabapoana, com farol ao fundo e praia.

Dados “cruéis” mostram que esta seria a pior cidade do Estado do Rio de Janeiro

Vale a pena conhecer este município? Veja todos os detalhes

São Francisco de Itabapoana: entre praias rústicas e os piores índices sociais do RJ

Localizada no extremo oriental do estado do Rio de Janeiro, São Francisco de Itabapoana abriga cerca de 45 mil habitantes em 1.118 km². Apesar de suas praias e falésias rústicas, o município carrega uma marca negativa: figura em estudos como a pior cidade para se viver no estado.  
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  Com renda média de apenas R$ 302 por pessoa, o município amarga a última posição no Índice de Progresso Social (IPS) de 2024, com 51,12 pontos, entre os 92 municípios fluminenses.

Índices sociais alarmantes

Os dados reforçam o quadro de desigualdade. O município registra mortalidade infantil de 31,89% e um IDHM de 0,639, muito abaixo da média estadual (0,762). Enquanto a maior parte da população enfrenta limitações de renda e infraestrutura precária, uma pequena elite, cerca de 6,31% dos moradores, acumula patrimônio médio de R$ 470 mil, superando até cidades de maior desenvolvimento, como Niterói.

Um passado de atrasos históricos

A origem do município remonta às capitanias hereditárias, em 1539, com o donatário Pero Góis da Silveira, que iniciou a plantação de cana-de-açúcar. Décadas de conflitos com povos indígenas e abandono marcaram a região até sua ocupação definitiva, mais de um século depois. A emancipação só ocorreu em 1995, quando se separou de São João da Barra. O nome homenageia São Francisco de Paula, enquanto “Itabapoana” significa “correnteza de água”, no tupi.

Turismo: potencial ou desafio?

Apesar dos índices sociais negativos, a cidade aposta no ecoturismo como alternativa de desenvolvimento. A Praia da Lagoa Doce, com falésias de 10 metros, é apresentada como atrativo geológico, embora a erosão natural seja marcante. Outro ponto cultural é o barracão de Gargaú, espaço comunitário que já sediou festas populares, shows e celebrações religiosas. As praias locais oferecem águas mornas e ondas moderadas, com potencial para banhistas e surfistas. No entanto, a ausência de guarda-vidas, sinalização precária e estrutura turística limitada tornam a experiência um desafio para visitantes.

Como chegar

O acesso a São Francisco de Itabapoana pode ser feito por carro ou ônibus. A viagem leva cerca de 6 horas saindo da Região Metropolitana do Rio, via BR-101 e RJ-224. De ônibus, a viagem dura em torno de 7 horas, com passagens a partir de R$ 131.

Entre promessas e esquecimentos

São Francisco de Itabapoana é, ao mesmo tempo, um retrato das belezas naturais do litoral fluminense e das fragilidades sociais de um município que ainda busca se firmar. Enquanto enfrenta carências em infraestrutura e serviços básicos, a cidade tenta transformar seu patrimônio natural em alternativa econômica — mas o desafio permanece enorme.

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