Botijões em depósito de gás de Nova Friburgo, onde comerciantes relatam ameaças

Criminosos teriam exigido “taxa de segurança” para depósitos de gás em Nova Friburgo

Polícia investiga ameaças contra comerciantes em cinco bairros

Comerciantes responsáveis por depósitos de gás em diferentes regiões de Nova Friburgo relatam que estão sendo ameaçados e pressionados a pagar cerca de R$ 1,3 mil por mês para continuar trabalhando. O medo de represálias levou parte dos estabelecimentos a fechar as portas na última sexta-feira, 21 de agosto. Os relatos envolvem comerciantes da Fazenda Lage, Terra Nova, Floresta, São Domingos e Califórnia. As vítimas pediram para não ser identificadas por temerem novas ameaças.  A Polícia Civil tomou conhecimento das denúncias e iniciou diligências, mesmo sem o registro formal das possíveis vítimas. A investigação deverá apurar quem realizou as cobranças e se as ameaças partiram efetivamente de integrantes do tráfico ou de pessoas usando o nome de uma organização criminosa para intimidar os comerciantes.

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Cobrança equivale a outro aluguel

Os valores apresentados nos relatos variam entre R$ 1.300 e R$ 1.350 por estabelecimento a cada mês.  Um dos comerciantes afirmou que o valor exigido corresponde ao resultado da venda de aproximadamente dez botijões e se aproxima da despesa mensal com o aluguel do estabelecimento. “Isso é praticamente o preço do meu aluguel”, resumiu uma das vítimas. A cobrança criaria um novo custo fixo para negócios que já precisam arcar com aluguel, funcionários, reposição do estoque, transporte e outras despesas operacionais. Segundo os comerciantes, quem não aceitasse pagar poderia sofrer represálias. As denúncias, entretanto, ainda estão sendo apuradas e não há confirmação oficial sobre quem fez as ameaças.

Fechamento prejudica moradores

O impacto ultrapassa os estabelecimentos. O fechamento dos depósitos dificulta o acesso ao gás de cozinha para moradores das regiões atingidas, especialmente aqueles que não possuem meios de buscar o botijão em bairros mais distantes. Parte dos comerciantes retomou o atendimento, mas sob apreensão. Outros poderiam permanecer fechados por tempo indeterminado, conforme os relatos divulgados. Ainda não há um levantamento oficial sobre quantos depósitos receberam as cobranças, quantos fecharam ou quantas famílias tiveram o atendimento afetado.

Polícia investiga duas possibilidades

A Polícia Civil informou que tomou conhecimento das denúncias e adotou providências, mesmo sem um registro formal apresentado pelas possíveis vítimas. Os envolvidos serão chamados para prestar depoimento. As diligências são realizadas em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Militar, de acordo com as informações divulgadas. O policiamento foi reforçado nas regiões citadas pelos comerciantes. Neste momento, a Polícia Civil trabalha sem antecipar uma conclusão. A investigação precisa descobrir se as ameaças são reais e foram feitas por integrantes de uma organização criminosa ou se alguém estaria se passando por traficante para exigir dinheiro. Essa diferença é essencial. Embora comerciantes atribuam a cobrança ao tráfico, a autoria ainda não foi confirmada oficialmente. Também não foram divulgados nomes de investigados, prisões ou provas que vinculem uma facção ao caso. Caso a extorsão seja comprovada e os responsáveis sejam identificados, a Polícia Civil poderá realizar os indiciamentos correspondentes.

Ministério Público aguarda investigação

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro informou que aguarda a conclusão da apuração policial para receber o caso e avaliar as medidas cabíveis. A Ouvidoria do MPRJ também recebe denúncias pelo número 127, com ligação gratuita dentro do Estado do Rio, ou pelo formulário eletrônico do órgão. O canal permite encaminhar informações e documentos para análise. Ouvidoria do MPRJ O silêncio das vítimas diante das autoridades pode ser explicado pelo próprio medo relatado pelos comerciantes. A ausência inicial de boletim de ocorrência, contudo, não impediu a Polícia Civil de começar a apuração. Informações sobre as ameaças podem ser repassadas anonimamente ao Disque-Denúncia. Em situações de risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar. O EcoSerrano preservará a identidade de comerciantes e moradores que possam colaborar com informações sobre o caso.

Telefones úteis

Polícia Militar: 190 Para ameaças em andamento, risco imediato ou emergência policial. Disque-Denúncia: 181 Para repassar informações de forma anônima. Ouvidoria do MPRJ: 127 Para denúncias e comunicações ao Ministério Público dentro do Estado do Rio.

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