Árvore imponente em meio à paisagem, possivelmente no Rio de Janeiro.

Conhece a cidade do RJ que era imponente, com maior concentração de ouro e hoje está “apagada”?

Município teve papel central em boa parte da História do Rio

Magé, na Baixada Fluminense, foi um dos principais centros logísticos do Brasil Colônia, responsável pelo escoamento do ouro de Minas Gerais. A reportagem resgata esse passado, apresenta ruínas históricas, tradições religiosas, quilombos reconhecidos e atrativos naturais que hoje tentam recolocar a cidade no mapa do turismo fluminense.

Leia a reportagem completa no site Agenda do Poder: https://agendadopoder.com.br/o-porto-esquecido-mage-entre-a-historia-e-o-abandono/

Um passado de riqueza que o tempo quase apagou

Imagine uma cidade que viu toneladas de ouro passarem por suas mãos, mas que hoje permanece fora dos grandes roteiros turísticos. Essa é Magé, município da Baixada Fluminense que foi estratégico para a economia do Brasil Colônia e que ainda tenta resgatar sua relevância histórica. Enquanto o Rio de Janeiro concentrava o poder político e administrativo, era em território mageense, especialmente no Porto Estrela, que a riqueza das Minas Gerais efetivamente embarcava rumo à capital e à Europa. Entre 1709 e 1780, praticamente todo o ouro e diamantes extraídos em Minas passaram por ali, consolidando Magé como um dos principais eixos logísticos do país naquele período.

A origem de Magé e sua importância estratégica

A história oficial de Magé começa em 1566, com a fundação da Aldeia de Magepe-Mirim por padres jesuítas liderados por São José de Anchieta. O objetivo era catequizar os povos Tupinambás que habitavam a região. Em 1696, a localidade foi elevada à categoria de vila, passando a se chamar Vila de Santana de Magé. A posição geográfica, às margens da Baía de Guanabara e no caminho para as Minas Gerais, transformou o município em ponto estratégico para a Coroa Portuguesa. Esse papel logístico moldou o desenvolvimento urbano e econômico da região por séculos.

O significado do nome “Magé”

O nome “Magé” tem origem no tupi antigo e faz referência a uma planta nativa. Segundo o tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro, deriva de “ma’ye”, termo usado para designar um tipo de cipó do gênero Banisteriopsis. A denominação reflete a relação dos povos originários com a flora local. Registros jesuítas mencionam as formas “Magepe” e “Magepe-Mirim”, que ao longo do tempo foram simplificadas para Magé. Há hipóteses que associam o nome a um chefe indígena, mas essa versão não possui comprovação documental.

Porto Estrela: a “Babilônia das Laranjeiras”

No bairro de Porto Estrela, antigo Porto das Laranjeiras, estão as ruínas de um dos mais importantes portos do Brasil Colônia. O local ficou conhecido como a “Babilônia das Laranjeiras” devido à intensa movimentação econômica. A rota utilizada evitava ataques de piratas na Baía de Guanabara. O ouro chegava por terra a Magé e seguia em saveiros fortemente protegidos até o Rio de Janeiro. Com a chegada da ferrovia, epidemias e mudanças econômicas, o porto entrou em decadência. Hoje, restam vestígios de cais, armazéns e construções que testemunham a antiga grandiosidade do local.

A estrutura monumental do Porto da Estrela

O Porto Estrela não era apenas um cais. Tratava-se de um complexo com trapiche, armazéns reais, quartel, hospital, capela e vila operária. Registros indicam que, no século XIX, até 16 embarcações partiam diariamente rumo à capital. O porto aparece em mapas oficiais desde 1767 e sua vila chegou a ser município autônomo até 1892. Foi um dos principais portos do país até a modernização do Porto do Rio de Janeiro.

O Poço Bento e a tradição das águas milagrosas

O Poço Bento é um dos símbolos da religiosidade mageense. Segundo a tradição, em 1566 São José de Anchieta teria purificado as águas salobras do local, tornando-as potáveis. O episódio deu origem a peregrinações e relatos de curas atribuídas às águas. Até hoje, fiéis visitam o local, situado na Estrada da Piedade, no 1º Distrito de Magé. O espaço integra o circuito de turismo religioso do município e preserva a memória da presença jesuítica na região.

O Palácio Anchieta e a confusão histórica

O Palácio Anchieta, localizado no Centro de Magé, é um sobrado do século XVIII construído para abrigar padres jesuítas. Posteriormente, funcionou como Casa de Câmara e Cadeia. Apesar do nome, não há registros oficiais que confirmem homenagem direta a São José de Anchieta. A confusão é frequente devido à existência do famoso Palácio Anchieta de Vitória, no Espírito Santo. O edifício resistiu ao tempo e ao forte vendaval que atingiu Magé em janeiro de 1947, tornando-se um dos marcos históricos da cidade.

Capela do Bonfim e a lenda da Mirindiba

Construída em 1876, a Capela de Nosso Senhor do Bonfim fica no ponto mais alto do centro de Magé, oferecendo vista para a Baía de Guanabara, Serra dos Órgãos e Baixada Fluminense. No local está a Mirindiba, árvore centenária associada a uma lenda indígena sobre uma jovem transformada em árvore após um romance proibido. A história possui versões diferentes, mas todas envolvem tragédia. A lenda segue viva no imaginário local e faz parte do patrimônio cultural do município.

Quilombos, cachoeiras e turismo de resistência

Magé abriga ao menos três quilombos reconhecidos pela Fundação Palmares: Feital, Bongaba e Maria Conga. Este último homenageia uma liderança quilombola que comandou movimentos de resistência no século XVIII. A cidade também oferece opções de ecoturismo, como a Cachoeira do Monjolo, a Cachoeira Grande, em Pau Grande, e a Cachoeira Véu da Noiva, com quedas superiores a 100 metros. Esses atrativos compõem rotas alternativas de turismo histórico, cultural e ambiental.

Como chegar a Magé

A distância entre o Centro do Rio de Janeiro e Magé é de aproximadamente 61,5 km. De carro, o trajeto leva cerca de 45 minutos em condições normais. De ônibus, a viagem dura em média 1h10, com tarifas a partir de R$ 27.

Participe: o que você sabe sobre Magé?

Você conhecia a importância de Magé no ciclo do ouro do Brasil Colônia? Já visitou o Porto Estrela ou algum ponto histórico da cidade? Você acredita que o turismo histórico pode ajudar no desenvolvimento da região?
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