SuperVia anuncia que deixará concessão de trens no Rio de Janeiro e Baixada Fluminense após 27 anos

Cariocas e moradores da Baixada recebem notícias que podem ser “livramento” ou início de um “terror”

Após quase 27 anos, notícias deixaram população abalada. Veja todos os detalhes

 
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🚆 SuperVia encerra concessão com sistema ferroviário em estado crítico

Depois de quase 27 anos operando os trens urbanos da Região Metropolitana do Rio, a SuperVia deixará oficialmente a concessão até setembro de 2025. O fim da gestão foi definido em um acordo judicial firmado em dezembro de 2024, e marca a saída da empresa sob duras críticas: viagens mais longas, infraestrutura deteriorada, superlotação crônica e trens abandonados, que hoje representam risco à população.

⌛ Viagens mais demoradas do que em 1998

O contrato de concessão assinado em 1998 estabelecia metas ambiciosas: transportar dois milhões de passageiros por dia em cinco anos. Em 2025, esse número permanece em 300 mil — o mesmo de quase três décadas atrás. E o serviço piorou. Hoje, um passageiro leva 98 minutos da Central do Brasil até Santa Cruz — um trajeto que em 1998 durava 75 minutos. Outros exemplos:
  • Belford Roxo → Central: de 53 para 64 minutos
  • Gramacho → Leopoldina: de 37 para 59 minutos
  • Japeri → Central: de 75 para 103 minutos
A redução de velocidade é reflexo direto da má conservação dos trilhos e dormentes. Em muitos trechos, os trens circulam a 40km/h, quando poderiam atingir 60 a 70km/h.

🚨 Sucateamento e insegurança: o legado da SuperVia

A degradação não para na lentidão. A reportagem flagrou composições superlotadas, estações com aglomerações perigosas, falhas em portas durante viagens e trem parado com passageiros obrigados a caminhar nos trilhos. Em Japeri, 79 trens das décadas de 70 e 80 apodrecem no que virou um “cemitério ferroviário”. Vagões sem portas abrigam usuários de drogas e acumulam restos de utensílios para consumo de crack. A frase “viva a maconha”, pichada em um dos trens, é retrato do abandono. Outro depósito com 113 vagões da antiga Flumitrens está em Deodoro, penhorado judicialmente desde 1997.

🔧 SuperVia alega limitações e promete leilões

Em nota, a SuperVia informou que mais de 45 mil dormentes e 402 toneladas de trilhos foram substituídos nos últimos 18 meses. A empresa atribui parte do colapso à pandemia e ao aumento no furto de cabos e materiais, o que impactou na operação e obrigou mudanças nos horários. Os trens inservíveis serão leiloados como sucata, e os recursos usados para quitar dívidas judiciais.

🔄 O que vem a seguir?

Com o fim da concessão, o governo estadual estuda novos modelos de gestão para o sistema ferroviário. Ainda não há definição sobre quem assumirá o controle dos trens no lugar da SuperVia, mas o desafio está claro: reerguer um dos modais mais importantes e abandonados do transporte público do RJ.

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