Vista aérea de Porto Real, cidade histórica no Rio de Janeiro, com edifícios e paisagem verde.

A ‘cidade italiana’ do RJ que completa 150 anos de história

Porto Real celebra 150 anos de imigrantes italianos que transformaram o município em polo cultural e industrial, mantendo tradições e festas típicas.

 

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Porto Real celebra 150 anos da chegada dos imigrantes italianos

No Rio de Janeiro, Porto Real completa 150 anos desde a chegada das primeiras famílias italianas, que transformaram a região em um polo cultural e industrial. Entre festas, memórias e desafios, o município preserva suas tradições e costumes trazidos da Itália.

O início da história: quarentena, esperança e adaptação

Foi numa manhã úmida de fevereiro de 1875 que o navio Anna Pizzorno aportou no Rio de Janeiro com cinquenta famílias italianas, vindas do norte do país, principalmente da província de Módena. Avisadas de que precisariam passar por quarentena devido a um surto de febre amarela, elas foram direcionadas para a região que hoje se conhece como Porto Real. Sem luxo ou conforto, essas famílias trabalharam duro, adaptando-se ao clima, ao solo e ao idioma. Com o tempo, criaram igrejas, praças e festas, mantendo vivas suas tradições culturais. Documentos indicam que essa comunidade se consolidou mesmo sem planejamento formal do governo imperial.

Do distrito à emancipação política

Porto Real começou como região de fazendas e paradas de veraneio da Família Real. O nome da cidade vem das visitas de Dom Pedro II, que costumava atracar embarcações no Rio Paraíba do Sul. Antes de se tornar município, foi distrito de Resende, até sua emancipação político-administrativa em 1995.

Imigrantes italianos: origem e legado

Pesquisas apontam que os primeiros italianos vieram principalmente de Novi di Modena e Concórdia, motivados por enchentes, epidemias, más colheitas e crises políticas após a unificação da Itália. Segundo registros, estabeleceram-se, casaram-se, tiveram filhos e preservaram costumes, culinária e danças típicas, tornando Porto Real uma colônia culturalmente rica.

Conflitos e controvérsias durante as guerras

Durante a primeira metade do século XX, houve atritos entre os italianos e nativos. O caso mais notório foi a remoção do busto de Vítor Emanuel II durante a Segunda Guerra Mundial, acusado de ligação simbólica com o Eixo. Anos depois, outro busto foi colocado, mas atualmente se encontra em conservação precária.

Festas italianas e cultura viva

A Festa da Cultura Italiana é o principal evento local, realizado em julho pela Associação Vittorio Emanuele II. Apresentações de danças típicas, o Festival Gastronômico Cucina di Mamma e o concurso La Piu Bella Ragazza atraem visitantes de toda a região. Fontes confiáveis destacam a participação de grupos como Le Piccole Ballerine e As Polentinhas.

Casa do Imigrante: memória preservada

O museu local abriga fotografias, utensílios domésticos, ferramentas agrícolas, documentos e recortes de jornais, incluindo o diário original de Enrico Secchi, figura central na imigração italiana. Segundo registros, a instituição é referência para estudos sobre a formação da colônia italiana no Brasil.

Turismo e atrações históricas

Além da cultura italiana, Porto Real oferece atrações naturais e históricas: Horto Municipal, Antiga Usina Açucareira às margens do Rio Paraíba do Sul, Fonte de Água Dom Pedro e a Paróquia Nossa Senhora das Dores, inaugurada em 1910 com imagens trazidas da Itália.

Indústria e economia local

Porto Real se destaca também pelo polo industrial, com presença de multinacionais como Stellantis, que produz modelos da Citroën, e uma cadeia de fornecedores que atende montadoras em Resende. A prefeitura ressalta a vocação industrial da cidade, comparável a grandes centros do país.

Melhor época para visitar e como chegar

O ideal é julho, durante a Festa da Cultura Italiana, quando o clima ameno favorece passeios e gastronomia típica. Saindo do Rio, são cerca de 160 km de carro (aproximadamente duas horas). De ônibus, é necessário fazer baldeação em Resende ou Barra Mansa.

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