Bolsonaro pode ser o primeiro presidente, desde FHC, a encerrar mandato com queda real do valor do salário mínimo
Ir ao mercado e fazer compras do mês é praticamente impossível atualmente. Mesmo para uma compra dos itens que compõem a cesta básica. Ao checar os preços nas prateleiras, o consumidor, principalmente da classe média para baixo, precisa recorrer a substituições, ou até mesmo deixar de comprar aquele produto porque não tem dinheiro.Arroz, feijão, legumes, verduras, ovo, considerados produtos acessíveis e “de certa garantia” na mesa do brasileiro, atualmente virou artigo de luxo para os mais pobres. Nem mesmo os auxílios do governo federal são capazes de garantir a aquisição de itens básico da alimentação.De acordo com uma reportagem do Correio Braziliense, entre os principais fatores que influenciam a escalada dos preços estão inflação e a taxa de juros — em constante alta desde o ano passado. A categoria de alimentos e bebidas foi uma das que sofreu maior impacto para o IPCA-15. O custo geral da alimentação em casa acumula mais de 16% na soma dos 12 meses anteriores. Em abril, os dados apontam que cerca de 90% dos alimentos analisados encareceram no período de um ano.O presidente Jair Bolsonaro será o primeiro presidente, desde o governo Fernando Henrique Cardoso, a encerrar o mandato com queda real do valor do salário mínimo, considerando a inflação prevista para este ano pelo mercado financeiro, de 7,89%.A reportagem da CNN mostrou que a redução do valor do salário mínimo gerou impactos significativos n a população mais pobre. Em março, por exemplo, o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda mostrou aceleração dos preços das famílias de renda muito baixa (1,74%) e de renda baixa (1,72%). Resultado: a inflação dessas faixas de renda passou a acumular alta de 12% e 11,6%, respectivamente, nos últimos 12 meses.Em contrapartida, a inflação das famílias de renda alta, por sua vez, apresentou aumento de 1,24% em março. Neste caso, a inflação acumulada em 12 meses é de 10%.De acordo com o Ipea, a pressão inflacionária sobre as famílias de baixa renda foi exercida sobretudo pelos alimentos, decorrente de uma alta disseminada de preços que atingiu itens de grande relevância na cesta de consumo, como arroz (+2,7%), feijão (6,4%) e cenoura (31,5%), por exemplo.