Nova Friburgo se despede de Zuenir Ventura, jornalista e imortal da ABL

Morre Zuenir Ventura, jornalista que viveu em Nova Friburgo e marcou o Brasil

Mineiro de nascimento, Zuenir construiu uma carreira de mais de seis décadas entre o jornalismo, a literatura e a Academia Brasileira de Letras

O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, no Rio de Janeiro. A morte foi confirmada pela família. Segundo informações publicadas nesta terça, ele morreu em decorrência de pneumonia.

A notícia tem um significado especial para Nova Friburgo. Embora tenha nascido em Além Paraíba, Minas Gerais, Zuenir se mudou com a família para o município da Região Serrana fluminense aos 11 anos. Foi na cidade que passou parte importante da infância e iniciou sua ligação com o Estado do Rio.

A trajetória que começou ainda jovem em Nova Friburgo se transformaria em uma das carreiras mais conhecidas do jornalismo brasileiro.

Zuenir ingressou no jornalismo em 1956, como arquivista, e posteriormente passou por veículos como Correio da Manhã, Fatos & Fotos, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ e Jornal do Brasil. Também foi professor universitário e colunista de O Globo. A Academia Brasileira de Letras registra que ele exerceu diferentes funções de chefia ao longo da carreira.

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Reportagens que se transformaram em livros

No fim de 1969, Zuenir realizou para a Editora Abril uma série de 12 reportagens intitulada “Os anos 60 – a década que mudou tudo”. O trabalho posteriormente foi transformado em livro.

Em 1988, publicou 1968 – O ano que não terminou, uma das obras mais conhecidas de sua trajetória. O livro se tornou referência sobre aquele período da história brasileira e alcançou dezenas de edições.

A obra também ultrapassou as páginas do livro. Serviu de inspiração para a minissérie Anos Rebeldes, produzida pela TV Globo.

Outro trabalho de destaque foi Cidade Partida, lançado em 1994. A obra acompanhou durante dez meses a realidade de Vigário Geral e a mobilização da sociedade civil contra a violência no Rio de Janeiro. O livro recebeu o Prêmio Jabuti de Melhor Reportagem em 1995.

Entrada para a Academia Brasileira de Letras

Em 30 de outubro de 2014, Zuenir foi eleito para a Cadeira nº 32 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo Ariano Suassuna. A eleição ocorreu poucos meses depois da morte de Suassuna, que ocupava a cadeira desde 1990.

A posse aconteceu em 6 de março de 2015, quando Zuenir passou oficialmente a integrar o quadro de imortais da ABL.

No discurso de posse, o jornalista destacou a emoção de chegar à Academia vindo de uma origem familiar humilde e falou sobre a sucessão de Ariano Suassuna na cadeira 32.

A ABL registra que Zuenir foi o sétimo ocupante da cadeira e permaneceu ligado à instituição até seus últimos anos. Em junho de 2026, a Academia chegou a registrar seus 95 anos e destacar sua trajetória no jornalismo.

Uma ligação que permaneceu com o Rio de Janeiro

A relação de Zuenir com o Estado do Rio começou ainda na infância e acompanhou praticamente toda a sua vida profissional.

Além da passagem por importantes redações cariocas, parte significativa de sua produção teve o Rio como cenário. Cidade Partida, por exemplo, colocou no centro da narrativa questões relacionadas à violência urbana e à divisão social da cidade.

Em nota oficial, o Governo do Estado do Rio de Janeiro lamentou a morte do jornalista e escritor e destacou justamente essa ligação.

A manifestação oficial lembrou que Zuenir chegou a Nova Friburgo aos 11 anos e afirmou que ele construiu uma “profunda ligação” com o Rio de Janeiro.

O governo também destacou as mais de seis décadas de carreira e a contribuição deixada pelo jornalista para o jornalismo, a literatura e a memória brasileira.

A morte de Zuenir encerra uma trajetória que atravessou diferentes gerações da imprensa brasileira. Para Nova Friburgo, fica também a memória de um menino que chegou à cidade ainda na infância e que, décadas depois, ocuparia uma das cadeiras da Academia Brasileira de Letras.

A informação sobre velório e sepultamento divulgada nesta terça-feira indica que as cerimônias ocorrerão na sede da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro.

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