Máquinas trabalham na área das obras de canalização do Canal Gaspar Ventura, em Duque de Caxias

Caxias investe em obra de grande porte para reduzir alagamentos e melhorar mobilidade

Projeto chama atenção pela complexidade e deve ser “exportado” como modelo para os demais municípios fluminenses

Uma obra de canalização com 2.730 metros de extensão avança no Segundo Distrito de Duque de Caxias com a proposta de melhorar o escoamento das águas das chuvas, reduzir o risco de transbordamentos e reorganizar a infraestrutura urbana da região. A nova etapa do projeto no Canal Gaspar Ventura envolveu nove demolições de construções situadas na área reservada para a intervenção. O trabalho foi realizado na terça-feira (18) e abriu espaço para a continuidade da implantação da estrutura de canalização. A obra começou em fevereiro e é executada em parceria entre a Prefeitura de Duque de Caxias e o Governo Federal. Segundo o governo municipal, a intervenção faz parte de um conjunto de medidas destinadas a prevenir problemas provocados pelas chuvas.

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Qual é o ganho para a população?

O principal benefício esperado é o aumento da capacidade de drenagem da região. Com uma estrutura dimensionada para conduzir melhor a água, a canalização pode reduzir transbordamentos e diminuir os impactos das chuvas sobre residências, ruas, estabelecimentos comerciais e deslocamentos da população. Isso não significa que a obra, isoladamente, eliminará todos os alagamentos. O resultado também depende da conservação da estrutura, da limpeza periódica do canal, do funcionamento das demais redes de drenagem e da intensidade das chuvas. Ainda assim, uma intervenção dessa dimensão pode trazer ganhos diretos para o cotidiano dos moradores:
  • maior capacidade de escoamento da água;
  • redução do risco de transbordamento do canal;
  • menor exposição de imóveis próximos aos efeitos das chuvas;
  • recuperação de dez pontos de travessia;
  • melhoria da circulação entre ruas e bairros;
  • reorganização da infraestrutura urbana ao longo do traçado.
A recomposição das travessias é especialmente importante porque permite recuperar conexões interrompidas ou inadequadas sobre o canal. Na prática, isso pode melhorar o acesso de moradores, veículos, serviços públicos e atendimentos de emergência. O projeto também prevê a interligação de ruas dos bairros Vila Teresa, Vila São José e Nossa Senhora do Carmo. Dessa forma, a obra não se limita ao controle das águas: também poderá criar novos acessos e melhorar a mobilidade no Segundo Distrito.

Canalização utilizará concreto e gabião

Dos 2.730 metros abrangidos pelo projeto, 1.774,62 metros receberão canalização com estruturas de concreto pré-moldado. Outros 275,5 metros serão executados em gabião, técnica que utiliza estruturas preenchidas com pedras e permite contenção e estabilização das margens. Somados, os dois tipos de intervenção correspondem a pouco mais de dois quilômetros. O comunicado oficial não detalha qual solução será adotada nos demais trechos incluídos na extensão total do projeto. Além da canalização, está prevista a recomposição de dez travessias. A Prefeitura não apresentou, no material divulgado, o prazo para a conclusão integral da obra, o valor total investido ou o percentual físico já executado.

Desapropriações permitem avanço da obra

A liberação da faixa necessária para a canalização depende da retirada de construções existentes ao longo do traçado. De acordo com a Prefeitura de Duque de Caxias, o projeto possui 273 pontos mapeados. Até o momento:
  • 30 construções foram indenizadas e demolidas;
  • 14 acordos foram fechados e estão em tramitação;
  • 130 permanecem em negociação;
  • 36 estão em fase de demolição;
  • duas construções estão fora do traçado;
  • uma possui decisão judicial.
Os números detalhados pela Prefeitura somam 213 pontos. O comunicado não esclarece a situação dos outros 60 necessários para completar os 273 pontos mapeados. Também não foi informado se as nove demolições realizadas na terça-feira já estão contabilizadas entre as 36 construções classificadas como em fase de demolição. A Prefeitura afirma que as desapropriações e demolições são planejadas e acompanhadas pela Secretaria Municipal de Obras e Agricultura. O material oficial, contudo, não detalha se as nove construções estavam ocupadas, se todas já haviam sido indenizadas ou quais medidas de reassentamento e acompanhamento foram oferecidas às famílias eventualmente afetadas.

Prefeitura cita drenagem e segurança

O prefeito Netinho Reis (MDB) afirmou que cada etapa concluída representa um avanço para melhorar a drenagem e reduzir os impactos das chuvas. “Estamos avançando com responsabilidade e planejamento em uma obra que é fundamental para a cidade. Cada etapa cumprida representa um passo importante para melhorar a drenagem, reduzir os impactos das chuvas e levar mais segurança e qualidade de vida para os moradores”, declarou. O secretário municipal de Obras e Agricultura, Valber Januário, disse que as demolições são necessárias para permitir o avanço da canalização e que o processo envolve planejamento e diálogo com os moradores. Para que a população possa acompanhar o resultado da intervenção, ainda faltam informações objetivas sobre o cronograma, o investimento, a execução física e as soluções destinadas às famílias atingidas. Esses dados permitem avaliar não apenas o tamanho da obra, mas quando os benefícios prometidos poderão ser percebidos pelos moradores.

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