Gato-maracajá caminha pela Mata Atlântica entre Nova Friburgo e Cachoeiras de Macacu

Felino de hábitos discretos reaparece nas matas da Região Serrana

Felino solitário e predominantemente noturno foi registrado por equipamento do Projeto Aventura Animal. Veja o vídeo 

Um gato-maracajá foi registrado por uma câmera instalada em uma área de Mata Atlântica entre Nova Friburgo e Cachoeiras de Macacu. O flagrante foi obtido pelo Projeto Aventura Animal e divulgado pelo coordenador da iniciativa, o biólogo Juran Santos, que comemorou a presença do felino na região. As imagens mostram o animal caminhando sozinho pela vegetação. De hábitos predominantemente noturnos e comportamento discreto, o gato-maracajá dificilmente é observado diretamente, o que torna o monitoramento por câmeras uma ferramenta importante para confirmar sua ocorrência. Conhecido cientificamente como Leopardus wiedii, o felino também recebe nomes populares como gato-da-mata e maracajá-peludo. A espécie ocorre em diferentes partes da América Central e da América do Sul e está fortemente associada a ambientes florestais. Pequeno, ágil e habilidoso para se deslocar entre as árvores, o gato-maracajá é um predador que ocupa uma posição importante na cadeia alimentar. Sua presença ajuda a compor o conjunto de informações sobre a fauna que ainda utiliza os remanescentes florestais da Região Serrana.

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Espécie é considerada vulnerável no Brasil

A presença do animal merece atenção porque o gato-maracajá está classificado como vulnerável na avaliação técnico-científica nacional mais recente apresentada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A perda e a fragmentação do habitat estão entre as principais ameaças enfrentadas pela espécie. ICMBio — avaliação nacional do gato-maracajá e Programa Monitora — categorias de conservação. Por isso, o flagrante fornece uma informação relevante aos pesquisadores e ambientalistas: o trecho monitorado continua sendo utilizado pelo felino. O registro também ajuda a documentar sua distribuição e pode orientar novos trabalhos de acompanhamento da biodiversidade local. A imagem, isoladamente, não permite afirmar que toda a Mata Atlântica da região esteja em perfeito equilíbrio. Ela mostra, porém, que a floresta ainda oferece condições para a circulação de uma espécie sensível à perda de habitat. Essa constatação se torna ainda mais significativa diante das pressões enfrentadas pelo bioma, como incêndios, desmatamento e fragmentação de áreas verdes. A sobrevivência do gato-maracajá depende não apenas de trechos preservados, mas também da conexão entre eles, permitindo que o animal encontre alimento, abrigo e condições para se reproduzir. O registro divulgado por Juran Santos reforça a importância do monitoramento contínuo. Câmeras instaladas na mata permitem identificar animais sem interferência direta em sua rotina e revelam uma parcela da vida selvagem que costuma permanecer escondida dos olhos humanos.

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