Colchão de casal boia dentro do córrego que corta a Avenida Campesina Friburguense, em Nova Friburgo.

Crime ambiental “bizarro” em Nova Friburgo

Câmeras podem revelar quem jogou colchão dentro de córrego

Um colchão de casal foi encontrado boiando no córrego que corta a Avenida Campesina Friburguense, em Nova Friburgo, na manhã desta segunda-feira, 20 de julho. O objeto ocupa parte do curso d’água e revela um descarte que vai muito além da falta de educação. O córrego deságua no Rio Bengalas e qualquer material abandonado no local pode ser carregado pela correnteza, reter outros resíduos e dificultar a passagem da água. Ainda não há informações sobre quem jogou o colchão no córrego nem quando o descarte aconteceu. A região possui câmeras de segurança que poderão ajudar na identificação de veículos ou pessoas envolvidas. As imagens, caso tenham registrado o momento, poderão ser encaminhadas aos órgãos responsáveis pela fiscalização. A identificação pelas câmeras, porém, não gera punição automática. Será necessário confirmar quem praticou o descarte, reunir os registros e permitir que a autoridade competente faça a apuração e, se houver elementos, aplique as medidas previstas na legislação.

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Jogar resíduos na água pode gerar multa e processo criminal

O descarte de resíduos sólidos em córregos, rios e outros recursos hídricos é tratado como infração ambiental pelo Decreto Federal nº 6.514. A norma inclui entre as condutas irregulares o lançamento de resíduos sólidos ou rejeitos em praias, no mar ou em quaisquer recursos hídricos. A conduta também pode ser enquadrada como crime ambiental, dependendo das circunstâncias e do dano ou risco provocado. O artigo 54 da Lei de Crimes Ambientais pune quem causa poluição em níveis capazes de resultar em danos à saúde humana, provocar a morte de animais ou causar destruição significativa da flora. A mesma lei prevê uma forma mais grave quando a poluição ocorre pelo lançamento irregular de resíduos ou detritos. Isso significa que nem todo descarte, isoladamente, permite afirmar de imediato que houve o crime previsto no artigo 54. O enquadramento depende da análise das autoridades, das condições do local, do impacto causado e das provas reunidas. Mesmo quando não ficam preenchidos os requisitos para uma acusação criminal, o responsável ainda poderá responder administrativamente pelo descarte irregular e ser obrigado a retirar o material ou reparar eventuais danos.

Colchão pode reter ainda mais lixo

Um colchão encharcado ganha peso e pode ficar preso entre pedras, vegetação, tubulações ou pontos mais estreitos do córrego. Além de prejudicar o escoamento, o objeto pode reter garrafas, sacolas, galhos e outros materiais levados pela água. Em períodos de chuva, esse tipo de obstrução pode agravar pontos de acúmulo e dificultar o trabalho de limpeza. Até a publicação desta reportagem, não havia informação sobre a retirada do colchão ou sobre o acionamento de uma equipe municipal. O Portal EcoSerrano mantém o espaço aberto para esclarecimentos dos órgãos responsáveis e para informações sobre a remoção do objeto e a eventual identificação do autor. 

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