Paralisação começou à meia-noite desta segunda-feira, 29 de junho, e ocorre no mesmo dia em que a Seleção enfrenta o Japão, às 14h
A segunda-feira já seria diferente para milhares de trabalhadores no Rio de Janeiro. Hoje, 29 de junho, o Brasil entra em campo contra o Japão pela Copa do Mundo, às 14h, no horário de Brasília. Em muitas empresas, a jornada deve terminar mais cedo, por volta do meio-dia, para que funcionários consigam acompanhar a partida.Mas, antes mesmo de pensar no jogo, muita gente precisou resolver um problema mais urgente: conseguir chegar ao trabalho.A greve dos rodoviários, iniciada à meia-noite desta segunda-feira, atingiu linhas municipais de ônibus e também provocou relatos de dificuldades no BRT. Nas primeiras horas da manhã, passageiros usaram as redes sociais para reclamar da baixa circulação de veículos, pontos cheios e longos períodos de espera.O problema não está apenas na ida. Para quem trabalha até 12h, a volta para casa também pode ser comprometida. A combinação entre greve, redução da frota, horário de almoço, deslocamentos antecipados e preparação para o jogo do Brasil tende a concentrar ainda mais passageiros em um intervalo curto do dia.
Logo cedo, os relatos já indicavam que a operação prometida para esta segunda-feira não era suficiente para evitar transtornos. Passageiros afirmaram que esperavam desde a madrugada sem conseguir embarcar.Um usuário relatou, por volta das 5h, que não havia ônibus circulando normalmente e que poucos veículos do BRT haviam passado pela estação Praça Seca desde as 4h. Outra passageira escreveu que os pontos estavam cheios e que a greve havia sido realmente sentida por quem dependia do transporte público.Também houve quem não conseguisse sair para o trabalho. Uma passageira relatou que se arrumou, saiu de casa, mas não conseguiu seguir viagem por causa da paralisação. Apesar de declarar apoio à reivindicação dos motoristas, afirmou que poderia levar falta.Em outro relato, uma usuária disse que aguardava o BRT desde 3h50. A reclamação foi direcionada à Mobi Rio, responsável pelo sistema, que havia informado operação normal.
O jogo do Brasil muda o peso da paralisação
Greves no transporte público já afetam diretamente a rotina de quem depende de ônibus para trabalhar, estudar, ir ao médico ou cumprir compromissos. Nesta segunda, porém, o impacto ganha um componente a mais: o calendário da Copa do Mundo.Com Brasil x Japão marcado para 14h, muitas empresas que não deram folga devem liberar funcionários mais cedo. Na prática, isso cria dois momentos críticos no mesmo dia: a dificuldade de chegar ao trabalho pela manhã e a pressão para voltar para casa antes da partida.Para o trabalhador, o problema pode virar uma corrida contra o relógio. Quem chegou atrasado por falta de ônibus ainda pode enfrentar outro gargalo no retorno, justamente no horário em que parte da cidade tenta se deslocar ao mesmo tempo.O transporte público, que já opera sob determinação judicial de frota mínima, passa a ser ainda mais decisivo em um dia no qual a rotina da cidade tende a se concentrar em poucas horas.
Justiça mandou manter parte da frota
O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região reconheceu a legalidade da greve, mas determinou que parte da frota continue circulando. A decisão estabelece a manutenção de 50% da frota nos horários de pico e 25% nos demais períodos.A multa em caso de descumprimento foi fixada em R$ 50 mil por dia, aplicada de forma independente aos sindicatos envolvidos.A categoria reivindica salário de R$ 4 mil para motoristas de ônibus convencionais e R$ 5 mil para condutores de articulados, além de tíquete alimentação de R$ 1 mil, jornada 5×2, manutenção do passe livre, fim de contratos temporários no BRT, contratação pela CLT, plano de saúde e plano odontológico.Segundo o sindicato dos rodoviários, a paralisação está mantida. A entidade afirma que comunicou a Prefeitura do Rio, o Rio Ônibus, os consórcios operadores e o Ministério Público do Trabalho sobre o início da greve.
Prefeitura e empresas falam em operação, mas passageiros relatam dificuldade
Antes da paralisação, a Prefeitura do Rio informou que o BRT, gerido pela Mobi Rio, funcionaria normalmente, com plano operacional regular de dias úteis. O município também afirmou que acompanha a situação e que adotaria medidas para reduzir os impactos à população, além de solicitar à Justiça aumento do percentual mínimo de veículos em circulação.O Rio Ônibus declarou que as negociações com o sindicato permanecem abertas e que as empresas seguem empenhadas na busca de uma solução.Na prática, porém, os relatos das primeiras horas da manhã mostram que a percepção de muitos passageiros foi outra. Para quem depende do ônibus, a diferença entre uma frota mínima no papel e um coletivo passando no ponto é justamente a diferença entre chegar ou não chegar ao trabalho.E, nesta segunda-feira, essa diferença pode pesar duas vezes: no começo do expediente e na tentativa de voltar para casa antes de a bola rolar para Brasil e Japão.