Incêndio destrói templo de Umbanda e Kimbanda em Nova Friburgo. Investigação aponta possível crime.

“Queriam nos silenciar”: Após incêndio, templo denuncia intolerância religiosa e ameaça de linchamento

Vídeo mostra templo sendo consumido pelas chamas. Polícia Civil investiga o caso

O incêndio que atingiu um templo de Umbanda e Kimbanda em Nova Friburgo passou a ser investigado como possível crime. A denúncia feita pelos próprios religiosos reacendeu o debate sobre intolerância religiosa e liberdade de culto na cidade (Veja o vídeo abaixo).

SIGA O ECOSERRANO NO INSTAGRAM: https://www.instagram.com/ecoserrano/

Um incêndio que atingiu um templo de Umbanda e Kimbanda – Templo de kimbanda Tranca Ruas de M’Bará Hé – em Nova Friburgo está sendo investigado pela Polícia Civil e pode ter relação com intolerância religiosa, segundo relatos divulgados pelos próprios integrantes do espaço religioso.

O caso aconteceu no último sábado (16) e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, que conseguiram conter as chamas antes que o imóvel fosse completamente destruído.

Após o incêndio, os responsáveis pelo templo divulgaram um manifesto nas redes sociais denunciando ameaças, hostilidade e episódios recorrentes de intolerância contra praticantes de religiões de matriz africana.

Segundo o grupo, o espaço já convivia há algum tempo com pressão de vizinhos e olhares de reprovação relacionados à prática religiosa.

“Constatamos o que parecia improvável: crime”

No texto divulgado após o incêndio, os integrantes afirmam que a Polícia Civil enviou peritos ao local logo após a ocorrência e que os primeiros levantamentos apontaram indícios compatíveis com possível ação criminosa.

“Constatamos o que parecia ser improvável, porém não impossível: crime”, afirmou o templo em trecho da publicação.

O caso foi registrado na 151ª Delegacia de Polícia de Nova Friburgo, que agora conduz as investigações.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre autoria ou motivação do incêndio.

Relato denuncia ameaças após o incêndio

Outro ponto que chamou atenção no manifesto foi a denúncia de ameaças sofridas pelos frequentadores logo após o incêndio.

Segundo os religiosos, pessoas próximas ao local chegaram a ameaçar integrantes do templo e acreditavam que não haveria proteção policial para o caso.

A publicação afirma que houve até ameaça de “linchamento”, situação que gerou forte repercussão nas redes sociais e mobilizou manifestações de solidariedade.

Para os integrantes do espaço, o episódio vai além do dano material causado pelas chamas.

O grupo afirma que o caso representa mais um episódio de violência simbólica e social enfrentada por religiões historicamente alvo de preconceito no Brasil.

“Resistir” virou a palavra central após o incêndio

Mesmo diante da destruição parcial do templo, o manifesto publicado pelos religiosos tem tom de resistência.

“Nossos antepassados resistiram à escravização e hoje nós resistiremos à chibata social”, escreveu o grupo.

Em outro trecho, os integrantes afirmam que Nova Friburgo “não verá como plateia nosso choro, sem que haja luta pelo direito de ser Kimbanda, de ser Umbanda, de ser”.

A mensagem passou a circular amplamente entre lideranças religiosas, movimentos sociais e moradores da cidade.

Casos de intolerância seguem preocupando

Ataques contra templos e praticantes de religiões de matriz africana continuam sendo registrados em diversas regiões do país.

Especialistas e entidades ligadas à defesa da liberdade religiosa apontam que muitos casos ainda deixam de ser denunciados por medo, constrangimento ou receio de represálias.

Em Nova Friburgo, o episódio reacendeu debates sobre convivência religiosa, respeito às diferenças e o direito constitucional à liberdade de culto.

Polícia Civil investiga as circunstâncias

A Polícia Civil deverá analisar laudos periciais, imagens e depoimentos para esclarecer o que provocou o incêndio.

As investigações seguem em andamento.

Até a publicação desta reportagem, não havia confirmação oficial de prisão ou identificação de suspeitos.

Entenda o caso

  • O que aconteceu? Um templo de Umbanda e Kimbanda em Nova Friburgo foi atingido por um incêndio no último sábado.

  • O incêndio foi criminoso? Ainda não há conclusão oficial, mas a hipótese de crime passou a ser investigada após perícia inicial e relatos dos responsáveis pelo espaço.

  • O caso foi registrado na polícia? Sim. A ocorrência foi registrada na 151ª Delegacia de Polícia de Nova Friburgo.

  • O que diz o manifesto do templo? Os religiosos afirmam que já conviviam com ameaças, hostilidade e intolerância antes do incêndio.

ACOMPANHE O ECOSERRANO

 
Back To Top