Mulher com máscara e mochila em aeroporto, possivelmente alvo de abordagem.

Denúncia: Você conhece o “Corredor do assédio e do golpe” no aeroporto do Galeão?

Queixas incluem xingamentos, insistência e atuação de intermediários fora das áreas oficiais

Relatos apontam abordagens sucessivas logo após a saída da área restrita no terminal internacional. Passageiros afirmam que a insistência continua mesmo após recusas e afeta principalmente turistas estrangeiros.

Na última semana, passageiros que desembarcaram no Aeroporto Internacional Tom Jobim, conhecido como Galeão, relataram episódios de insistência, pressão verbal e oferta irregular de serviços logo na saída da área restrita de desembarque internacional.

Segundo apuração publicada por O Globo, o espaço passou a ser descrito por viajantes como um “corredor de assédio”, marcado por abordagens simultâneas envolvendo transporte, passeios, chips de celular, limpeza de calçados e até troca de moedas fora dos canais autorizados. Em diversos relatos, passageiros afirmaram que a negativa inicial não encerrou a abordagem, e que alguns intermediários continuaram acompanhando turistas até áreas externas do terminal.

Transporte fora das plataformas oficiais preocupa passageiros: De acordo com os depoimentos reunidos, a situação se intensifica após a saída da área destinada aos táxis credenciados. Fora desse ponto, pessoas sem identificação oficial oferecem corridas particulares, muitas vezes vestindo camisetas com a palavra “táxi”, mas sem vínculo formal com cooperativas autorizadas. Segundo os relatos, alguns passageiros foram conduzidos até o setor de embarque para utilizar veículos que operariam fora das plataformas regulamentadas.

Turistas estrangeiros aparecem entre os mais vulneráveis, especialmente pela falta de familiaridade com o sistema local de transporte. Em um dos episódios relatados, uma turista asiática chegou a seguir um intermediário até a escada rolante que leva ao embarque, mas depois retornou e buscou orientação no balcão de informações.

Xingamentos e pressão após recusas também foram registrados: A apuração mencionou ainda casos de agressividade verbal após a recusa dos serviços oferecidos. Uma advogada de 46 anos, que acompanhava a mãe de 73 anos, afirmou que reagiu diante da insistência e classificou a situação como assédio. 

Segundo o relato, cobranças abusivas também foram citadas, incluindo corridas oferecidas por valores em dólar muito acima dos preços praticados normalmente. Outro passageiro afirmou ter sido xingado após rejeitar uma proposta de transporte.

Oferta de câmbio e serviços improvisados também entrou nas denúncias: Além do transporte, passageiros relataram abordagens para limpeza de calçados, em alguns casos iniciadas sem autorização prévia. Segundo os relatos, houve ainda oferta de troca de moeda em áreas discretas do terminal, com transações em dinheiro e até por Pix. A prática de câmbio, conforme a legislação brasileira, só pode ser feita por instituições autorizadas e com registro formal da operação.

Órgãos públicos dizem acompanhar situação: Segundo informado oficialmente, equipes da Polícia Federal apuram denúncias relacionadas a câmbio ilegal, enquanto a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro acompanha eventuais crimes registrados no terminal. A concessionária RIOgaleão informou que atua em conjunto com órgãos públicos para reduzir irregularidades e melhorar a experiência dos passageiros. Já a Aena, futura administradora do aeroporto, informou que ainda está em fase de planejamento operacional. A orientação para passageiros é utilizar exclusivamente balcões oficiais, aplicativos conhecidos ou áreas credenciadas de transporte.

O que o passageiro precisa observar ao sair do Galeão?

  • Quem oferece transporte no terminal é sempre autorizado? Não. Há relatos de atuação de pessoas sem vínculo formal com serviços credenciados.

  • Troca de moeda pode ser feita com qualquer pessoa no aeroporto? Não. A operação só pode ocorrer em instituições autorizadas.

  • O que fazer em caso de abordagem insistente? Buscar imediatamente agentes de segurança ou balcões oficiais de atendimento.

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