Operação desmantelou grupo que aplicou milhares de golpes por cerca de 4 anos. Identidades foram reveladas
O Ministério Público cumpre 4 mandados de prisão e 23 de busca no Rio de Janeiro e no Maranhão. A investigação aponta movimentação superior a R$ 150 milhões. Bairros da Zona Oeste do Rio são alvo nesta manhã.
Nesta quarta-feira, 4 de março de 2026, o Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro informou que denunciou 11 integrantes de uma organização criminosa investigada por fraudes digitais e lavagem de capitais. A operação cumpre quatro mandados de prisão — dois no estado do Rio de Janeiro e dois no Maranhão — além de 23 mandados de busca e apreensão.
De acordo com comunicado oficial, os alvos no Rio de Janeiro (RJ) estão nos bairros do Recreio dos Bandeirantes e de Vargem Grande. Segundo nota do MPRJ, o grupo teria movimentado mais de R$ 150 milhões entre 2021 e 2024, explorando falhas sistêmicas em fintechs e plataformas de pagamento. O impacto imediato inclui bloqueio judicial de bens e apreensão de dispositivos eletrônicos para perícia.
Denúncia detalha esquema com contas digitais falsas: Conforme a denúncia apresentada à Justiça, a organização criava múltiplas identidades digitais com uso de documentos falsos para abertura de contas. A investigação identificou ao menos 238 contas digitais vinculadas a uma única empresa de tecnologia financeira lesada. Segundo o órgão ministerial, os investigados aproveitavam fragilidades no processo de verificação de identidade das instituições financeiras digitais, priorizando a velocidade de abertura de contas. A prática é descrita na denúncia como exploração deliberada de falhas operacionais.
Mandados e apoio policial: A operação conta com apoio da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital, da Coordenadoria de Inteligência da Investigação e de forças de segurança do Maranhão. Os mandados foram expedidos pelo Juízo competente após requerimento do CyberGAECO. Entre os denunciados está Yago de Araújo Silva, apontado nas investigações como líder do grupo, além de outros três investigados alvos de prisão preventiva. As informações constam em peça processual protocolada pelo MPRJ.
Lavagem de capitais com criptoativos e empresas de fachada: De acordo com as investigações, após a obtenção dos valores ilícitos, o grupo estruturava esquema de lavagem de capitais por meio de criptoativos, simulação de compra e venda de veículos, aquisição de imóveis e uso de empresas de fachada.
Parte dos recursos, segundo a denúncia, teria sido enviada ao exterior por plataformas de criptomoedas, dificultando o rastreamento. Também foram identificadas transações envolvendo a empresa GAS Consultoria, ligada a Glaidson Acácio dos Santos, que já responde a processos por lavagem de dinheiro em investigações anteriores. O CyberGAECO requereu judicialmente o sequestro de bens no valor total de R$ 150 milhões, medida que visa assegurar eventual ressarcimento.
Impacto prático e orientação: Especialistas em segurança digital orientam que usuários de fintechs mantenham autenticação em dois fatores ativada; monitorem movimentações bancárias; comuniquem imediatamente transações suspeitas às instituições financeiras e registrem ocorrência junto às autoridades competentes. O MPRJ reforça que vítimas podem colaborar com investigações por meio de canais oficiais.
Perguntas e respostas sobre a operação
O que foi cumprido nesta quarta-feira? Quatro mandados de prisão e 23 de busca e apreensão no RJ e no MA.
Qual o valor investigado? Mais de R$ 150 milhões movimentados entre 2021 e 2024, segundo a denúncia.
Houve bloqueio de bens? Sim. O MPRJ requereu sequestro judicial no mesmo montante investigado.