Você lembra deste caso? Julgamento será retomado no dia 4 de março e júri popular vai decidir se acusada é culpada ou inocente
O Ministério Público leva a julgamento uma ré acusada de homicídio e tentativa de homicídio no Rio de Janeiro. O processo envolve duas vítimas da mesma família e volta ao plenário após adiamento anterior. O júri popular acontece agora com base em laudos periciais e denúncia formal já aceita pela Justiça.
Júri popular é confirmado pelo Ministério Público: Nesta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) informou que o Grupo de Atuação Especial do Tribunal do Júri (GAEJURI) e a 1ª Promotoria de Justiça junto ao III Tribunal do Júri da Capital levarão a julgamento Cíntia Mariano Dias Cabral, acusada de envenenar a enteada e tentar matar o enteado na cidade do Rio de Janeiro (RJ).
Segundo comunicado oficial do órgão, o júri popular está marcado para terça-feira, 4 de março, e analisará a denúncia por homicídio consumado e tentativa de homicídio. O impacto imediato do ato judicial é a retomada formal do processo criminal, que estava suspenso após adiamento ocorrido em 2025. De acordo com o MPRJ, o julgamento ocorrerá no Tribunal do Júri da Capital, responsável por crimes dolosos contra a vida, conforme previsto na legislação penal brasileira.
Denúncia aponta envenenamento com substância conhecida como “chumbinho”: Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público, os fatos teriam ocorrido em 15 de março de 2022, quando a acusada teria colocado veneno na comida servida à enteada Fernanda Cabral, então com 22 anos.
Após a refeição, a jovem apresentou sintomas graves, foi hospitalizada e morreu 13 dias depois, conforme registros médicos incluídos nos autos. Ainda segundo o processo, em maio de 2022, a ré teria repetido o método ao servir alimento contaminado ao enteado Bruno Cabral, que sobreviveu após atendimento hospitalar.
Laudos periciais anexados ao processo indicam sintomas compatíveis com intoxicação exógena por carbamato, substância associada ao chamado “chumbinho”. O Ministério Público sustenta que há prova da materialidade e indícios de autoria, conforme documentação técnica analisada durante a investigação.
Caso já havia sido iniciado em 2025 e acabou adiado: O julgamento chegou a começar em outubro de 2025, mas foi interrompido após a defesa deixar o plenário alegando ausência de testemunha considerada essencial e necessidade de novas diligências. Na ocasião, o Tribunal decidiu pelo adiamento para garantir o direito à ampla defesa, procedimento previsto no Código de Processo Penal quando há questionamentos processuais relevantes. Agora, com nova data definida, o processo retorna ao estágio de julgamento pelos jurados populares.
Contexto do caso e motivação apontada pela acusação: De acordo com o Ministério Público, a acusação sustenta que o crime teria sido cometido por motivo considerado fútil, relacionado a ciúmes da relação das vítimas com o pai, Adeílson Jarbas Cabral, marido da acusada à época dos fatos. O caso ganhou repercussão desde 2022 por envolver vítimas da mesma família e suspeita de envenenamento alimentar, situação considerada incomum em processos analisados pelo Tribunal do Júri da capital fluminense.
Comparativamente, investigações semelhantes envolvendo substâncias tóxicas costumam depender fortemente de perícia química e exames toxicológicos, o que explica o longo período de instrução processual até a fase de julgamento.
O que acontece durante um júri popular: No Tribunal do Júri, cidadãos sorteados atuam como jurados e decidem se o réu é culpado ou inocente com base nas provas apresentadas pela acusação e pela defesa. O procedimento inclui interrogatório, depoimentos de testemunhas, debates entre promotores e advogados e votação secreta dos jurados. A sentença é proferida pelo juiz presidente após a decisão do conselho de sentença. Caso haja condenação, a pena é fixada na própria sessão, conforme determina a legislação penal brasileira.
Impacto direto e acompanhamento do julgamento: O julgamento deve mobilizar familiares das vítimas, representantes do Ministério Público e equipes jurídicas das partes envolvidas. O processo também pode gerar novos desdobramentos judiciais, incluindo recursos posteriores, dependendo do resultado. O MPRJ informou que atua no caso por meio do GAEJURI, grupo especializado em julgamentos complexos do Tribunal do Júri.
Entenda o julgamento marcado para março
Quando ocorre o júri popular? O julgamento está marcado para 4 de março de 2026, no Tribunal do Júri da Capital do Rio de Janeiro.
Quais crimes serão analisados? Homicídio consumado contra a enteada e tentativa de homicídio contra o enteado, conforme denúncia do Ministério Público.
Por que o julgamento foi adiado antes? O processo foi suspenso em outubro de 2025 após pedido da defesa relacionado à ausência de testemunha considerada essencial.