Levantamento entregue ao prefeito Eduardo Paes e ao governo do estado aponta caminhos para dobrar o crescimento previsto da indústria nos próximos dez anos.
Estudo da Firjan mapeia nove novas fronteiras de desenvolvimento capazes de transformar a indústria fluminense. Projeções indicam geração de 676 mil empregos e impacto de R$ 210 bilhões no PIB industrial. Documento foi apresentado a autoridades e empresários.
Expansão industrial e potencial de crescimento
O estudo “Rio de futuro: vocações e potencialidades econômicas do Rio de Janeiro”, elaborado pela Firjan, revela que o estado tem condições de expandir significativamente sua atividade industrial nos próximos anos. A análise indica que, no cenário atual, o PIB industrial fluminense deve crescer R$ 279 bilhões em dez anos.Com estímulo direto às nove fronteiras de desenvolvimento identificadas pela federação, esse avanço pode chegar a R$ 489 bilhões — um acréscimo estimado de R$ 210 bilhões.Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (10/12), o estudo foi entregue ao prefeito Eduardo Paes e ao secretário estadual da Casa Civil, Nicola Miccione, durante evento que reuniu mais de 300 empresários na sede da Firjan.
Geração de empregos e impacto no país
O levantamento projeta que 676 mil novos empregos podem ser criados caso as novas fronteiras sejam estimuladas de forma estratégica. O volume é equivalente a todo o mercado formal de trabalho do Mato Grosso do Sul e elevaria a participação do Rio no PIB industrial nacional de 17% para 23%.A análise foi construída a partir de indicadores de instituições como IBGE, FGV e Banco Central, além da consulta direta a 200 especialistas, gestores públicos e representantes do setor produtivo.
Desafios estruturais do Rio de Janeiro
A Firjan destaca, porém, que o estado precisa lidar com entraves que impactam diretamente as decisões de investimento. A segurança pública aparece como o principal deles: dois em cada três industriais afirmam que a violência interfere na expansão de suas atividades.O estudo também menciona perdas de energia que, em 2024, geraram prejuízo de R$ 1,7 bilhão — valor capaz de abastecer residências fluminenses por cinco meses. Além disso, o Rio enfrenta baixa integração logística entre portos, ferrovias, aeroportos e rodovias, reduzindo competitividade.
O que dizem as autoridades
“O estímulo a essas novas fronteiras é imprescindível. Não podemos deixar passar a oportunidade de estabelecer um verdadeiro marco para o desenvolvimento econômico e social do Estado do Rio”, afirmou o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano.Para Eduardo Paes, o estudo funciona como um guia de planejamento. “Bússola é o nome deste documento. A indústria sabe onde quer chegar, e isso pode nortear o poder público.”Nicola Miccione reforçou a importância da visão estratégica. “O gestor público não pode deixar de acompanhar para onde a indústria está indo.”
Grupos de vocações econômicas
O estudo divide as potencialidades do estado em dois blocos:
Estruturantes: Petróleo e Gás, Infraestrutura, Metalmecânico e Construção — com potencial de gerar 438 mil empregos.
Consumo: Alimentos e Bebidas, Audiovisual e TIC, produtos químicos e farmacêuticos, moda, têxtil e confecção, papel e gráfico — com potencial de 238 mil empregos.
As nove novas fronteiras de desenvolvimento
As áreas consideradas estratégicas pela Firjan são:
Transição energética, baixo carbono e economia circular
Turismo, cultura e economia criativa
Complexo portuário-logístico e corredores produtivos
Complexo da saúde, biotecnologia e farmoquímica
Economia do mar, indústria naval e bioeconomia marinha
Complexo aeroespacial e MRO (manutenção e reparo)
Indústria química e petroquímica avançada
Hub de inovação, tecnologia, IA e data centers
Agroindústria e bioeconomia territorial
A Firjan informou que, a partir de fevereiro de 2026, iniciará um cronograma de ações para apresentar os resultados a industriais de todas as regiões e a pré-candidatos às eleições de 2026.
Participe: qual setor deve ser prioridade no desenvolvimento do Rio?
Qual das nove fronteiras você considera mais urgente para o estado?
A indústria fluminense tem potencial para competir nacionalmente?
O que mais precisa avançar para destravar o desenvolvimento econômico?