Unidade de conservação de Nova Friburgo se torna referência nacional ao receber a primeira Cota de Reserva Ambiental emitida no Brasil
A RPPN Rio Bonito de Lumiar, em Nova Friburgo, foi escolhida pelo Inea como a primeira área privada do país a receber uma Cota de Reserva Ambiental. O mecanismo inaugura um novo caminho para regularização ambiental, remuneração de proprietários e ampliação da conservação da Mata Atlântica.
RPPN de Nova Friburgo se torna destaque nacional
Localizada em Nova Friburgo, na Região Serrana, a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Rio Bonito de Lumiar passou a ocupar posição de destaque no cenário ambiental brasileiro. Com cerca de 160 hectares de Mata Atlântica preservada, a área se tornou a primeira do país a receber uma Cota de Reserva Ambiental (CRA), novo instrumento previsto no Código Florestal que remunera proprietários rurais pela conservação de áreas nativas.O reconhecimento reforça o papel estratégico da Região Serrana na proteção da biodiversidade fluminense. Conforme informações do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), a escolha da unidade friburguense se deve ao histórico de conservação e à qualidade técnica da área.
Reconhecimento legal e modelo de preservação
A RPPN foi oficialmente reconhecida como unidade de conservação particular pelo Inea em 2018. Desde então, a área se consolidou como um dos principais exemplos de proteção integral no estado, sem permitir pesca, caça, queimadas ou descarte irregular de resíduos.A propriedade do Dr. Bernardo Furrer também passou por um processo robusto de restauração ecológica, transformando uma área antes ociosa em aproximadamente 21 hectares de floresta recuperada.
Biodiversidade em destaque na Região Serrana
A unidade abriga espécies fundamentais para o equilíbrio ecológico da Mata Atlântica. Entre os animais observados na área estão a onça-parda, a jaguatirica, o tamanduá-mirim e o quati. A flora inclui figueiras, jabuticabeiras, canelas, copaíbas e jequitibás, espécies consideradas essenciais para o ciclo ecológico da região.
O que muda com a primeira CRA emitida no Brasil
O Estado do Rio de Janeiro se tornou, no último mês, a primeira unidade da federação a emitir uma Cota de Reserva Ambiental. Na prática, o mecanismo valoriza financeiramente proprietários que preservaram áreas além do mínimo exigido por lei.Segundo informações técnicas do Inea, a CRA permitirá:
negociação de passivos ambientais;
regularização ambiental mais rápida e com menor custo;
oferta de ativos ambientais no mercado financeiro;
criação de uma espécie de “prateleira” de serviços ambientais certificados.
O instrumento segue um modelo transparente e padronizado, fortalecendo a compra de títulos ambientais de alto valor ecológico para ações voluntárias de compensação.O secretário estadual de Ambiente, Bernardo Rossi, destacou que o avanço representa uma virada histórica: “Por meio da RPPN Rio Bonito de Lumiar e do Inea, o Rio de Janeiro se tornou o berço de uma nova forma de enxergar o Código Florestal e o papel do proprietário rural na preservação do patrimônio verde nacional.”
Economia e ecologia no mesmo caminho
Para o diretor de Biodiversidade do Inea, Cleber Ferreira, o mecanismo marca uma nova fase de incentivos à conservação. “Esse é um instrumento que une economia e ecologia, dá eficiência à regularização e cria incentivos reais à preservação”, afirmou.
Evento no Rio debate o futuro da regularização ambiental
Nesta segunda e terça-feira (1º e 2/12), o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, recebe o I Encontro Estadual do CAR e PRA, promovido pelo Inea. O evento reúne especialistas, autoridades ambientais, produtores rurais e instituições científicas para discutir avanços, desafios e oportunidades na implantação do Cadastro Ambiental Rural e dos Programas de Regularização Ambiental.A programação inclui debates técnicos, apresentações, networking e um coquetel de encerramento. O proprietário da RPPN Rio Bonito de Lumiar, Bernardo Furrer, participa como um dos convidados que simbolizam o uso prático do novo instrumento.O encontro também marca o lançamento das novas bases de referência do CAR no estado e a apresentação oficial das primeiras CRAs emitidas no Brasil.
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A proteção da Mata Atlântica deve ser prioridade nas cidades da Região Serrana?
A remuneração ambiental pode ampliar a restauração de áreas degradadas no estado?