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Estudantes do RJ poderão avançar de série mesmo reprovados em até 6 disciplinas

Medida da Secretaria Estadual de Educação redefine critérios de progressão no Ensino Médio fluminense e gera reação de entidades da área.

Nova regra da Seeduc permite que alunos do Ensino Médio avancem de série mesmo com várias reprovações, desde que cumpram um plano especial de recuperação. Entidades educacionais criticam a medida, afirmando que ela pode mascarar indicadores e comprometer a qualidade do ensino.

Nova regra permite avanço com até 6 matérias pendentes

Alunos da rede estadual do Rio de Janeiro podem avançar para a próxima série do Ensino Médio mesmo sendo reprovados em até seis disciplinas. A mudança, já em vigor, foi estabelecida por decreto do governador Cláudio Castro e regulamentada pela Secretaria Estadual de Educação (Seeduc). A medida cria um regime extraordinário de progressão parcial. Segundo a Seeduc, o objetivo é reduzir a evasão escolar e oferecer novas formas de recuperação contínua. Pelas novas diretrizes, estudantes da 1ª e da 2ª série podem seguir para o ano seguinte mesmo com pendências em até seis matérias. Eles, porém, deverão cumprir um plano obrigatório de recuperação especial, estruturado individualmente por cada unidade escolar. Esse processo deve ser concluído até o fim do 1º trimestre do ano letivo seguinte. O aluno manterá a vaga apenas se finalizar todas as dependências dentro do prazo.

Critérios específicos para alunos da 3ª série

Para os estudantes da 3ª série, a tolerância é menor. A progressão será autorizada apenas para quem tiver até três reprovações. A conclusão das dependências também deve ocorrer até o fim do 1º trimestre do ano seguinte, sendo essa etapa indispensável para emissão do certificado de conclusão do Ensino Médio. Segundo a Seeduc, o modelo já é utilizado em outras redes estaduais e permite recuperação presencial ou remota, a depender da organização de cada escola. A secretaria reforça que a aprovação “não será automática”, condicionando a progressão ao cumprimento integral das atividades de recuperação.

Reação do Sepe-RJ e do Sepe-NF

Sindicatos da educação reagiram à medida. Em nota pública, o Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe-RJ) e o núcleo de Nova Friburgo afirmaram que a política representa “um grave ataque ao direito à educação”, citando que a aprovação parcial pode mascarar dificuldades reais de aprendizagem. Segundo o sindicato, a iniciativa integra o pacote de políticas conhecido internamente como “Novas Oportunidades de Aprendizagem” (NOA), que, segundo a entidade, ampliaria avaliações e recuperações sucessivas sem resolver questões estruturais das escolas. A entidade afirma que a medida pode inflar artificialmente índices como o IDEB — no qual o Rio ocupa atualmente uma das últimas posições entre os estados — e critica o índice de 95% de aprovação mínimo estipulado pela Seeduc para concessão de bônus de R$ 3 mil aos professores. A categoria aponta que funcionários administrativos e aposentados foram excluídos da bonificação e pede que o governo priorize o pagamento do piso nacional da educação.

Debate sobre qualidade de ensino e impactos na rede estadual

Segundo o Sepe, a medida ocorre em um contexto de falta de professores, ausência de concursos, mudanças do Novo Ensino Médio e perda de aulas ao longo do ano. As entidades defendem que a reprovação, quando necessária, é parte do processo pedagógico, garantindo que o estudante conclua a série com os conhecimentos essenciais. A Seeduc, por sua vez, sustenta que a nova política busca evitar abandono escolar e ampliar as chances de aprendizagem ao longo do tempo, sem interromper a trajetória do estudante.

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