Quatro homens em fotos, incluindo o prefeito Johnny Maycon e outros.

Prefeitos brasileiros ignoraram alerta da Embaixada de Israel para não viajar, diz Itamaraty

Desde outubro de 2023, alerta consular que desaconselha toda viagem não essencial àquele país

Após dias de tensão e incerteza, o Governo Federal começou oficialmente a retirada de brasileiros que estavam em missão oficial em Israel, em meio à escalada do conflito entre Israel e Irã. Entre os primeiros a serem resgatados estão 12 prefeitos e vice-prefeitos, que já atravessaram a fronteira e estão em território jordaniano.

Alertas ignorados antes da viagem

Desde 2024, a Embaixada de Israel no Brasil mantém um alerta oficial, recomendando que turistas e visitantes não viajem ao país por conta da instabilidade política e militar na região. Mesmo com o aviso e com sinais claros de escalada do conflito, a comitiva optou por manter a viagem.

Resultado: horas dentro de bunkers, sirenes de emergência durante a madrugada e dias presos sem possibilidade de retorno, após o fechamento do espaço aéreo israelense.


Por que os prefeitos estavam em Israel?

Duas comitivas de autoridades brasileiras viajaram a Israel no início de junho a convite do governo israelense, para participarem de uma missão sobre segurança pública. O problema: o Ministério das Relações Exteriores já mantinha, desde outubro de 2023, um alerta consular desaconselhando viagens ao país, devido à instabilidade na região.

Mesmo assim, os prefeitos, incluindo representantes de Nova Friburgo, Macaé, Belo Horizonte, João Pessoa e Florianópolis, decidiram embarcar. Eles estavam em um campus universitário em Kfar Saba quando os ataques começaram.


Como foi o resgate?

Após o fechamento do espaço aéreo de Israel, o Ministério das Relações Exteriores articulou um plano de retirada por terra. Segundo comunicado oficial, as autoridades brasileiras foram levadas em segurança até a Jordânia, com apoio do governo local.

De lá, o grupo seguirá para a Arábia Saudita, onde um voo fretado – organizado principalmente com recursos da Prefeitura de Belo Horizonte – fará o transporte de volta ao Brasil.

A operação foi coordenada pessoalmente pelo Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, com o apoio das embaixadas brasileiras em Tel Aviv, Amã (Jordânia) e Riade (Arábia Saudita).


E os que ficaram?

Ainda permanecem em Israel 27 autoridades brasileiras, que aguardam definição sobre as próximas etapas do resgate. Israel já ofereceu a eles a mesma rota de evacuação por terra até a Jordânia, de onde embarcarão em voos comerciais.


Alerta contra golpes

O Itamaraty também alertou para tentativas de golpes por aplicativos, com pessoas oferecendo vagas falsas em supostos voos de resgate. O espaço aéreo israelense permanece oficialmente fechado, e o governo orienta que os brasileiros sigam apenas as instruções oficiais da Embaixada em Tel Aviv.


Recomendações de segurança

O Home Front Command, comando israelense de proteção civil, reforça a orientação para que todos os estrangeiros permaneçam nas proximidades de abrigos fortificados, atentos a sirenes e comunicados oficiais.

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