Juíza autoriza uso de força policial, após ocupação na Universidade que protesta por cortes em benefícios estudantis à pessoas em vulnerabilidade. Veja o vídeo do momento da prisão
Por volta das 15h10 desta sexta-feira (20), policiais militares retiraram os estudantes que ocupavam a UERJ e cumpriram a decisão judicial da 13ª Vara de Fazenda Pública, que determinava a reintegração de posse da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) com a desocupação completa dos prédios.
No início da tarde, policiais do Batalhão de Choque entraram na universidade e utilizaram bombas de efeito moral para dispersar os manifestantes. Às 14h, três estudantes e o deputado federal Glauber Braga (PSOL), que estava no local apoiando os alunos, foram detidos e encaminhados à Cidade da Polícia.
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A entrada dos policiais ocorreu às 13h20 pelo portão 7 da UERJ. Testemunhas relataram que estudantes jogaram pedras e pedaços de madeira contra os policiais, que reagiram às agressões. Durante o confronto, alunos incendiaram pneus na Avenida Rei Pelé, uma das principais vias da Zona Norte. Estudantes do lado de fora da universidade tentaram entrar para apoiar os colegas. De acordo com a reitoria da UERJ, um policial ficou ferido e foi levado ao hospital. Não houve registro de feridos entre os estudantes.
Às 14h50, a situação já estava mais controlada, mas muitos alunos ainda ocupavam o prédio principal da universidade. A desocupação foi confirmada pela Polícia Militar às 15h10.
Ocupação desde julho
Os estudantes ocupavam a UERJ desde 26 de julho em protesto contra cortes de benefícios estudantis, especialmente relacionados à bolsa de apoio à vulnerabilidade social, e o Ato Executivo de Decisão Administrativa (AEDA). Eles não cumpriram a decisão judicial que ordenava a desocupação do prédio. Durante a semana, a juíza Luciana Losada havia concedido um prazo de 24 horas para a desocupação, o que não foi acatado pelos alunos, resultando em confrontos entre seguranças e manifestantes.
Em nova decisão, a juíza ordenou o uso de força policial para garantir a reintegração de posse dos prédios da UERJ. Segundo a reitoria, houve tentativas de diálogo com os estudantes, mas sem sucesso. “Lamentamos que a situação tenha chegado a esse ponto, apesar dos esforços de negociação com os grupos ocupantes”, afirmou a reitora Gulnar Azevedo e Silva.
Confronto na quinta-feira
Na quinta-feira (19), houve confusão na UERJ, com vídeos mostrando seguranças arrastando um aluno e enfrentando resistência dos manifestantes. A PM foi acionada e utilizou bombas de efeito moral para controlar a situação. A ocupação, apelidada de “AEDA da Fome”, alega que as novas regras prejudicaram cerca de 5 mil universitários, enquanto a UERJ afirma que o número real de afetados é de 1.600.
Declarações
Em nota, a PM informou que atuou em apoio ao Poder Judiciário para cumprir a decisão de desocupação, e que reforçou o policiamento na área. O deputado Glauber Braga, por meio de sua assessoria, criticou a ação, chamando-a de “repressão autoritária” e afirmando que sua detenção foi ilegal, pois ele estava defendendo os estudantes.
O PSOL, em nota assinada por seu presidente no Rio, Juan Leal, também condenou o uso de força e acusou o governo estadual de autoritarismo.
“Ao defender os estudantes da UERJ que estavam sendo ameaçados e agredidos pela Tropa de Choque (que pela primeira vez na história entrou na UERJ!), o deputado federal Glauber Braga foi detido. Os estudantes participavam de uma ocupação na universidade, lutando contra cortes no orçamento da política de permanência estudantil destinada a estudantes pobres. Glauber está sendo levado junto com mais 3 estudantes nessa reintegração de posse absurda. É uma detenção ilegal, já que um deputado federal só pode ser detido em flagrante por crime inafiançável. Assim funciona o autoritarismo e a truculência de Cláudio Castro e da reitoria da UERJ. Lutar não é crime! Abaixo o autoritarismo e a repressão!”
A Justiça marcou uma audiência para o dia 2 de outubro para discutir as reivindicações dos estudantes.
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