Atafona está sendo engolida pelo mar - Foto de Felipe Fitipaldi para Nat Geo

Cidade do RJ pode ser uma das primeiras a “desaparecer” por elevação do oceano

População da cidade já sente os efeitos. Mar avança 5 metros por ano e já destruiu 500 casas

Esta semana, o jornalista Felipe Vidon publicou uma reportagem pelo jornal O GLOBO, que revela um relatório recente da Nações Unidas (ONU), em que cita duas cidades do Rio de Janeiro que poderão desaparecer. O Brasil foi citado devido ao risco iminente causado pela rápida elevação do Oceano Pacífico. O documento faz um alerta mundial, destacando o “potencial catastrófico global” da situação. Entre as cidades mencionadas, estão o Rio de Janeiro, amplamente conhecido no mundo todo, e Atafona, um pequeno distrito de São João da Barra, no Norte Fluminense. Enquanto o Rio de Janeiro se preocupa com os impactos futuros, os moradores de Atafona já vivem a realidade das mudanças climáticas. Segundo a reportagem assinada por Vidon, a população já sente os efeitos da catástrofe. O mar em Atafona avança cinco metros por ano e já destruiu 500 casas e 1 milhão de metros quadrados. De acordo com a Prefeitura de São João da Barra, Atafona tem chamado a atenção pelo avanço contínuo do mar sobre a terra, um fenômeno conhecido como transgressão marinha. Desde os anos 1960, o mar tem avançado sobre a faixa de terra, destruindo casas, ruas e áreas inteiras da comunidade. Esse processo acelerado é resultado de uma combinação de fatores naturais e atividades humanas.
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Erosão costeira e impactos em Atafona

Localizada na foz do Rio Paraíba do Sul, Atafona é uma área naturalmente vulnerável à erosão costeira. A situação, porém, foi agravada pela construção de barragens ao longo do rio e pela extração de areia das dunas, o que alterou o equilíbrio natural da sedimentação. Com a redução do aporte de sedimentos, que deveria “alimentar” a praia, o mar encontrou menos resistência para avançar sobre a terra. Como consequência, várias famílias foram forçadas a abandonar suas casas, que foram engolidas pelo mar, e infraestruturas essenciais, como ruas e redes de esgoto, também foram destruídas. A economia local, baseada na pesca e no turismo, também sofre. Com a destruição das áreas costeiras, essas atividades tornam-se cada vez mais inviáveis, prejudicando ainda mais os moradores que dependem desses setores para sobreviver.
Atafona sendo engolida pelo mar no RJ - Foto Rafael Duarte-768x512
Atafona sendo engolida pelo mar no RJ – Foto Rafael Duarte-768×512

Relatório da ONU alerta para catástrofe global

O relatório da ONU, divulgado na última terça-feira, revela que o nível dos mares aumentou 15 centímetros nos últimos 30 anos em algumas partes do Oceano Pacífico. Em Atafona, o aumento registrado foi de 13 centímetros no mesmo período. As previsões indicam que, até 2050, o nível do mar pode subir até 21 centímetros, com uma média de 16 centímetros. O secretário-geral da ONU, António Guterres, enfatizou a gravidade da situação global, afirmando que o aumento do nível do mar tem o poder de devastar cidades costeiras e economias litorâneas. Ele pediu uma ação urgente dos líderes globais para reduzir drasticamente as emissões de gases de efeito estufa, acelerar a transição para energias limpas e aumentar os investimentos em adaptação climática. A pesquisa também aponta que o aumento do nível do mar está diretamente ligado ao aquecimento global, que provoca o derretimento das calotas polares. À medida que o gelo derrete, os oceanos se expandem e o nível do mar sobe. As ilhas do Pacífico são especialmente vulneráveis, com elevações médias de apenas um a dois metros acima do nível do mar. Cerca de 90% da população dessas ilhas vive a menos de cinco quilômetros da costa, tornando-as extremamente suscetíveis aos impactos das mudanças climáticas. Fontes: ONU, O GLOBO, Prefeitura de São João da Barra

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