Professores cobram pagamento do piso e melhorias na categoria. Categoria está na bronca com o Prefeito Johnny Maycon

SEPE: “Johnny Maycon tem atitude infantil e descumpre leis”

Na segunda parte da entrevista com diretora da entidade sindical, categoria não descarta greve por tempo indeterminado

Na continuação da entrevista conduzida por Guilherme Alt, diretor do portal EcoSerrano, com Marília Formiga, professora e diretora do Sindicato dos Profissionais da Educação (SEPE-NF), foram discutidas as promessas não cumpridas pelo prefeito Johnny Maycon e a falta de reconhecimento da legitimidade do SEPE. Além disso, a educadora abordou a carência de profissionais na rede municipal de educação revelada pelo recente concurso público. Marília comentou ainda sobre as acusações de politicagem contra o SEPE e a possibilidade de uma greve geral dos educadores.
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Guilherme Alt: Você considera que Johnny Maycon traiu a categoria, tendo em vista as promessas não cumpridas e a falta de reconhecimento da legitimidade do SEPE? Como a entidade se sente sobre o prefeito não receber mais o SEPE para negociações? Marília Formiga: Sim, ele traiu a categoria na medida que se comprometeu com a valorização dos servidores e, no seu último ano de governo, ainda não sentou para negociar as pautas de maneira concreta, como já foi denunciado inúmeras vezes pelo sindicato. Guilherme Alt: O recente concurso público revelou uma grande defasagem de profissionais na rede municipal, resultando no aumento do número de vagas diretas. Como o SEPE vê esse aumento repentino das vagas e o que isso indica sobre a situação atual? Marília Formiga: O governo municipal sempre ocultou a verdade sobre as condições de trabalho nas escolas e sobre as carências, tanto de profissionais quanto de vagas reais para os estudantes. O exemplo disso são salas com números de crianças acima do que está determinado na lei e o adoecimento da categoria por sobrecarga de trabalho. Esse aumento de vagas já nos “minutos finais do segundo tempo” demonstra a falta de planejamento do governo e sua incapacidade de governar de forma responsável, garantindo o funcionamento do serviço público de forma satisfatória para a população. Guilherme Alt: Quais são os cargos mais afetados pela falta de profissionais na rede pública de educação? Marília Formiga: Essa questão varia de escola para escola, mas em nossas visitas às unidades escolares temos identificado, além dos mediadores, muita carência de merendeiras, auxiliares de creche, orientadores pedagógicos e educacionais. Não que não haja carência em outras áreas, mas essas se destacam.  De acordo com o Plano Municipal de Educação de Nova Friburgo, todas as Unidades Escolares, da Educação Infantil ao Ensino Fundamental, têm direito a equipe pedagógica completa, com orientadores pedagógicos e educacionais. Todas as turmas da Educação Infantil (Creche e Pré-escola) têm direito a um auxiliar. A ausência desses profissionais sobrecarrega alguém, pois o serviço existe. Guilherme Alt: O prefeito acusou o SEPE de fazer politicagem. O que a entidade tem a dizer sobre essa acusação? Marília Formiga: O SEPE cumpre com a tarefa de representar os trabalhadores e trabalhadoras da educação e, obviamente, não pode se calar diante da violação dos direitos já conquistados pela categoria ou a retirada deles. Isso, consequentemente, afeta a imagem do prefeito, uma vez que ele descumpre inúmeras leis e foi um governo que não avançou nas pautas históricas da categoria, apesar de ter se comprometido com isso, como pode ser visto em várias falas que proferia quando era vereador e apresentava solução para tudo. É lamentável essa atitude infantil de atacar a categoria através do seu órgão representativo, tentando desqualificar a instituição. Isso só demonstra a incapacidade de governar de forma madura e responsável, sabendo lidar com o contraditório e sendo capaz de dialogar e construir uma política que avance na garantia de direitos tanto dos trabalhadores quanto dos estudantes. Guilherme Alt: O SEPE considera paralisar as atividades por tempo indeterminado, ou seja, uma greve geral? Quais são os fatores que poderiam levar a essa decisão? Marília Formiga: A greve é um instrumento de luta que nunca pode ser descartado, pois é utilizado pelos trabalhadores quando todos os caminhos se fecham. Se os trabalhadores e trabalhadoras decidirem por esse caminho, o Sindicato cumprirá com a tarefa que lhe for dada pela categoria em assembleia. Guilherme Alt: Quais outras demandas essenciais para o bem-estar dos educadores precisam ser levadas em consideração neste momento? Marília Formiga: Além de garantir os direitos trabalhistas de todos e todas que trabalham nas unidades escolares da rede municipal, é preciso garantir as condições efetivas de trabalho, com materiais e equipamentos adequados ao desenvolvimento das funções no dia a dia das escolas, de forma a resultar numa educação de qualidade socialmente referenciada. Outro aspecto fundamental é o desenvolvimento de práticas efetivamente democráticas na tomada de decisões e na resolução dos problemas. Guilherme Alt: Como o SEPE avalia os educadores que são contrários à luta da classe? O que a entidade diria a esses profissionais? Marília Formiga: Nenhuma conquista da classe trabalhadora foi dada como uma benesse de alguém, sempre foi na luta que os trabalhadores e trabalhadoras de todas as categorias conquistaram seus direitos ou resistiram para não perdê-los. Nesse sentido, é fundamental o envolvimento de todos e todas nas tomadas de decisões, que devem ocorrer de forma coletiva e organizada. Outra questão fundamental é observar os movimentos orquestrados para desarticular a categoria e jogar os trabalhadores uns contra os outros. É preciso focar no inimigo comum, aquele que tem o poder de retirar ou não permitir o avanço dos direitos da classe trabalhadora. Quando nos distraímos com coisas menores, as picuinhas internas passam despercebidas e só os trabalhadores perdem com isso. Por fim, precisamos exercitar a unidade na luta, por mais que seja difícil, colocando-nos na posição de classe e sem repetir o discurso dos nossos algozes, favorecendo-os. Guilherme Alt: Qual é o recado que o SEPE quer passar para a categoria da Educação diante das condições de trabalho que os profissionais enfrentam e que seguem sem definição? Marília Formiga: É importante salientar que a luta nunca foi fácil, porém é fundamental persistir de forma organizada e construindo cada ação coletivamente. A assembleia é a instância organizativa e deliberativa que orienta as ações da categoria e do sindicato. Sendo assim, é preciso ampliar a participação e não desanimar.

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