Juíza acatou denúncia feita pelo MPRJ de que durante as eleições de 2023, a conselheira se utilizou de estrutura pública para se eleger. Decisão ainda cita participação de gabinete de vereador friburguense. Todos os detalhes estão na matéria
Na última segunda-feira, 8 de abril, a Juíza Dra. Adriana Valentim proferiu uma decisão de grande repercussão no município de Nova Friburgo. Através de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público, a Conselheira Tutelar Ana Letícia Amorim de Souza foi afastada de suas funções, após uma série de irregularidades constatadas em sua campanha eleitoral, segundo o MPRJ em decisão ratificada pela juíza.De acordo com a decisão judicial, Ana Letícia, eleita em 2023 com 563 votos, foi alvo de denúncias relacionadas ao uso indevido de recursos públicos e coação de autoridades durante o processo eleitoral. A Comissão Eleitoral do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) relatou interferências da ré no trabalho de apuração das denúncias, bem como a utilização de estrutura pública para divulgação de sua candidatura.O Ministério Público argumentou que Ana Letícia violou não apenas as regras da campanha eleitoral, mas também princípios fundamentais da administração pública, como a impessoalidade e a moralidade. Além disso, foram apontadas evidências de apoio indevido por parte de assessores parlamentares ligados ao vereador Isaque Demani.
Decisão resvala na Câmara de Vereadores
De acordo com o MPRJ, após uma análise mais detalhada dos elementos apresentados durante o processo judicial, constatou-se que os assessores Toni Mendes e Ligia Serrão, lotados no gabinete do vereador Isaque Demani, desempenharam um papel ativo na campanha eleitoral de Ana Letícia para o cargo de Conselheira Tutelar. Documentos e testemunhos revelaram que esses assessores estiveram diretamente envolvidos na divulgação da candidatura, utilizando recursos e estrutura ligados ao gabinete parlamentar.A legislação vigente, especificamente a Resolução n.° 231/2022 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), proíbe expressamente o uso da função pública para beneficiar candidatos em processos eleitorais. No entanto, os assessores do vereador Isaque Demani, de acordo com o MPRJ e a juíza Adriana Valentim, foram além de suas atribuições e agiram em favor da candidatura de Ana Letícia, configurando uma clara violação aos princípios da impessoalidade e da isonomia eleitoral.
Afastamento
Diante dessas constatações, a decisão judicial de afastar Ana Letícia do cargo de Conselheira Tutelar foi fundamentada na probabilidade de irregularidades cometidas durante sua campanha eleitoral. Além disso, a atuação dos assessores parlamentares no apoio à candidatura da ré reforçou a gravidade das acusações e a necessidade de preservar a lisura e a legitimidade do processo eleitoral.A conduta dos assessores do vereador Isaque Demani, ao utilizar recursos públicos e a estrutura do gabinete parlamentar para favorecer determinada candidatura, contraria os princípios éticos e legais que regem o exercício das funções públicas. Nesse sentido, a decisão judicial visa garantir a observância desses princípios e assegurar a lisura e a transparência nos processos eleitorais, preservando a confiança da sociedade nas instituições democráticas.Diante das graves acusações e da probabilidade de irregularidades, a Juíza Adriana Valentim determinou o afastamento imediato de Ana Letícia de suas funções como Conselheira Tutelar. A decisão, baseada nos artigos 294 e 300 do CPC, ressalta a necessidade de preservar a integridade das instituições e garantir o cumprimento dos princípios éticos e legais que regem o exercício público.Agora, cabe às autoridades municipais, incluindo o Prefeito Municipal, o Presidente do CMDCA e o Secretário Municipal de Assistência Social, tomar as medidas necessárias para o cumprimento da decisão judicial, incluindo a convocação do suplente imediato para ocupar o cargo deixado vago por Ana Letícia Amorim de Souza.
O que dizem os citados?
O portal EcoSerrano entrou em contato com a Conselheira Tutelar, com os assessores parlamentares e com o vereador Isaque Demani. Veja o que os citados responderam ao portal:
Ana Letícia Amorim
“Eu não recebi até o presente momento nenhum documento oficial da justiça para que eu possa saber do que se trata e tomar as medidas cabíveis.”
Ligia Serrão
“De coração, eu nunca imaginava que meu apoio a uma conselheira tutelar pudesse causar isso! A apoiei a pedido de um amigo, e nunca utilizei qualquer estrutura de trabalho para ajudar ninguém. Meu apoio restringiu a postagem no Facebook, que inclusive praticamente não teve engajamento.”
Isaque Demani
“Desconhecia esse fato. Não apoiei nenhum candidato ao conselho tutelar. O fato de dois dos quatro assessores que trabalham comigo terem postado apoio a um dos candidatos de forma nenhuma configura que usaram a estrutura de trabalho do meu gabinete, jamais admitirá isso. Não posso controlar a vida pessoal deles, e esse apoio foi pessoal. No mais não tive acesso aos autos, até porque não sou parte nesse processo, sequer sabia de sua existência! Não sei que selo é esse e se usaram meu nome não foi com minha autorização e ciência (na verdade, nem sei se usaram).Torço para que tudo se esclareça o mais breve possível.”
Toni Mendes
Até o fechamento desta edição, o assessora parlamentar não enviou uma nota. O espaço segue abertoA reprodução deste conteúdo em parte ou em sua totalidade, sem prévia autorização doEcoSerrano, pode acarretar em violação dos direitos autorais e resultar em uma ação judicial.