Mulheres são maiores responsáveis pela busca de água para as famílias

Nesta sexta-feira, celebra-se o Dia Mundial da Água. Especialista fala sobre o tema e como a mulher está diretamente ligada ao manejo dos recursos hídricos

Nesta sexta-feira, 22, é celebrado o Dia Mundial da Água. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas em 21 de fevereiro de 1993 com o objetivo de alertar as pessoas sobre a importância de preservar esse recurso natural. Nesse dia devemos reafirmar o direito humano à água e ao saneamento básico a partir do mote: “Água é Direito, não Mercadoria!” No mês em que foi celebrado o Dia da Mulher (8M) cabe destacar ainda que as mulheres são as maiores responsáveis pela busca de água para as famílias, uma probabilidade que dobra para as meninas, que passam mais tempo envolvidas nessa tarefa do que os meninos, de acordo com um novo relatório divulgado pelo Unicef e pela OMS “Progresso sobre água potável, saneamento e higiene doméstica (WASH) 2000-2022 : Foco especial em questões de gênero”. No contexto da divisão sexual do trabalho patriarcal, o entrelaçamento entre o direito à água e ao esgoto e o direito das mulheres está presente na responsabilidade das mulheres nos trabalhos domésticos e do cuidado como, por exemplo, nos afazeres de casa, no preparo de alimentos e no cuidado de crianças e idosos. As mulheres desempenham papel fundamental no manejo da água, para elas esse recurso natural não é utilizado apenas na necessidade de “matar a sede” e fazer sua higiene pessoal, mas também na alimentação e limpeza da casa e higiene de toda a família. Em Nova Friburgo, polo de moda íntima, é inevitável lembrar que mundialmente, as mulheres representam cerca de 80% das pessoas empregadas na indústria da confecção, que também é responsável por aproximadamente uma quinta parte da contaminação da água doce a nível mundial, segundo a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID). Além disso, a insegurança hídrica afeta principalmente as mulheres de assentamentos informais ou precários, violando diretamente seu direito à dignidade humana ao serem privadas do acesso no que tange a quantidade e qualidade da água. Se as mulheres são o público mais diretamente afetado pela carência no acesso à água, deriva daí a certeza de que elas deveriam ser privilegiadas por meio de práticas específicas que levassem em conta suas reivindicações e necessidades, desde as etapas de seleção de demandas e planejamento de uma intervenção determinada até a gestão e implantação dela. Segundo a ONU-Água, “o planejamento, a implementação e a monitorização eficazes da água e do saneamento dependem da participação de toda a sociedade, especialmente das mulheres e dos jovens, e a integração de considerações de igualdade de gênero”. Assim, para acelerar a realização do ODS 6 (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6) da ONU de “garantir disponibilidade e manejo sustentável da água e saneamento para todos” é necessária a criação de oportunidades para a participação de mulheres na gestão da água. Dessa forma, resta o convite às mulheres friburguenses para pautarem o direito humano à água em suas lutas, especialmente as militantes feministas e ambientais. Mulheres, informem-se e participem (individualmente, como representantes da sociedade civil ou em coletivos) dos Conselhos Municipais, seja o Conselho da Mulher, o de Meio Ambiente e temas afins ou os Comitês de Bacias Hidrográficas. Esses espaços participativos, muitas vezes esvaziados pela falta de interesse das autoridades políticas e empresariais, precisam ser ocupados e ressignificados para que a pauta da gestão da água emerja a partir de um enfoque de gênero. As necessidades das mulheres vulneráveis da nossa cidade devem ser priorizadas no horizonte de uma gestão da água socialmente justa. Este estudo EDITAL Nº 11/2023 – PÓS-DOUTORADO NOTA 10 / 2023 foi financiado pela FAPERJ – Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, Processo SEI 260003/000155/2024.

Sobre a autora do texto

Vívian Alves de Assis – Doutora em Direito pela UFRJ e Pesquisadora bolsista do Programa de Pós-Doutorado Nota 10 da FAPERJ no PROURB/RJ. Ocupou o cargo de Secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano Sustentável em Nova Friburgo em 2021. A reprodução deste conteúdo em parte ou em sua totalidade, sem prévia autorização do EcoSerrano, pode acarretar em violação dos direitos autorais e resultar em uma ação judicial.

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