Caso gerou repercussão nacional. Investigação foi encerrada pela Prefeitura, mas continua no Ministério Público
A Prefeitura de Nova Friburgo encerrou o Processo Administrativo contra todas as servidoras públicas envolvidas no caso do suposto bullying a uma criança, ex-aluna na C. M. E. I. Professora Leda Tavares (relembre o caso no final da matéria). Segundo as informações obtidas com exclusividade pelo EcoSerrano, o gabinete da vereadora Priscilla Pitta – que acompanhou de perto o caso e prestou auxílio jurídico às denunciantes e à família da criança – procurou a Prefeitura para saber informações recentes sobre o PAD. Em resposta, a equipe da vereadora foi informada de que a investigação, por parte do Executivo, havia sido encerrada e todas as envolvidas foram orientadas a retornar às suas funções. Não foi possível saber qual foi a decisão da Prefeitura diante do caso que gerou repercussão nacional, porque ela correu em sigilo.Em consulta ao Portal da Transparência, na parte dos servidores públicos, é possível verificar que a ex-diretora do Leda Tavares foi nomeada ainda em outubro do ano passado, época em que o PAD estava em aberto, em outra unidade também como diretora e em uma segunda instituição como professora. As auxiliares, ao que tudo indica, já retornaram às suas atividades, mas não no Leda Tavares. A elas teria sido dado o poder de escolha sobre qual unidade gostariam de trabalhar. Diante das informações do gabinete da vereadora e do portal dos servidores, é possível especular que a Prefeitura não detectou qualquer desvio de conduta das envolvidas. De agosto de 2023 até fevereiro de 2024, ao que parece, todas as envolvidas, apesar de afastadas de suas funções, continuaram a receber o salário normalmente.
Relembre o caso
“No início de junho de 2023, a diretora e seis auxiliares do C.M.E.I Leda Tavares teriam praticado bullying contra um aluno da instituição. A vítima, uma criança de três anos de idade, com problema na fala, é moradora da Chácara do Paraíso. A situação foi denunciada ao Ministério Público do Rio de Janeiro pela vereadora Priscilla Pitta.Segundo a denúncia, a vítima já vinha sofrendo com deboches e ironias com relação ao seu peso, por parte das auxiliares e da diretora. Em um dado momento, as acusadas de praticar bullying teriam feito uma aposta para saber “quantas arrobas” pesava o menino. Cada uma teria apostado R$ 10. A criança teria sido obrigada a se pesar na balança da cozinha da escola.Após a criança se pesar, teria sido constatado que uma das auxiliares “ganhou o bolão”. Um print de uma conversa no grupo da unidade seria uma das provas quando a suposta ganhadora do bolão estaria “cobrando” para que as demais participantes depositassem via PIX o dinheiro da aposta. Pessoas próximas às acusadas garantem que a imagem foi retirada de contexto e que, na realidade, o print se tratava da venda de um produto.“O prefeito mentiu”Segundo as informações que chegaram ao EcoSerrano, à época, o caso do suposto bullying aconteceu no dia 3 de julho de 2023. A primeira denúncia teria sido feita de forma anônima na Ouvidoria da Prefeitura em 8 de julho. Outras duas pessoas também teriam feito denúncias anônimas na Ouvidoria. Ao perceberem que o caso poderia ser abafado, os denunciantes ligaram para o Disque 100 que registra casos de violações de Direitos Humanos, crianças e adolescentes, entre outros.Mesmo com as denúncias tendo sido registradas na Ouvidoria, a Secretária de Educação, Caroline Klein, alegou ter tido conhecimento do fato no início de agosto. Ao que parece, teria sido perto desta data em que a então diretora da unidade pediu exoneração do cargo, quando teria tomado ciência de que o caso havia ido parar no Ministério Público.Ao que tudo indica, o Prefeito Johnny Maycon também teria ficado ciente da situação no início de agosto. Talvez por isso ele tenha marcado presença na Festa Junina da escola, que ocorreu em 12 de agosto. “No vídeo que ele fez essa semana de Brasília informando que ele havia ficado ciente do caso em 22 de agosto, ele mentiu”, disse uma fonte.As seis auxiliares que teriam participado do bullying permaneceram trabalhando normalmente na unidade até o dia 28 de agosto, data do afastamento oficial de todas as envolvidas.
Ministério Público
Até o momento, não houve publicação no Diário Oficial da Prefeitura de Nova Friburgo comunicando o encerramento do PAD e do retorno das envolvidas. Apesar disso, o Ministério Público, no âmbito da Infância e Juventude continua investigando o caso. As envolvidas respondem criminalmente pela denúncia.
Investigação da Prefeitura gerou revolta
A apuração do EcoSerrano conseguiu descobrir que durante a investigação dos fatos por parte da Prefeitura de Nova Friburgo, ao menos uma das denunciantes teria sido coagida e humilhada durante o interrogatório. Uma das testemunhas do suposto bullying teria ido até a Procuradoria do município e teria sido interpelada pelo marido de uma das acusadas, que é advogado, sob a alegação de que ele era o representante das servidoras denunciadas.Somente uma denunciante teria sido ouvida. Após a sessão de perguntas, ela saiu da Prefeitura e teria prestado queixa na delegacia por conta da forma que foi tratada.Uma fonte do EcoSerrano informou ainda que o restante das pessoas ouvidas pelo Executivo não presenciaram as cenas do suposto bullying e, por isso, não puderam testemunhar os fatos, apesar de estarem cientes do ocorrido. A fonte do portal acredita que tenha sido proposital não ter chamado outras denunciantes que afirmam ter presenciado as cenas da suposta humilhação à criança.Após toda a polêmica e repercussão, a fonte do EcoSerrano informou que a instituição parecia estar sofrendo uma represália dos “cabeças” da Prefeitura e Educação. Segundo a fonte, a unidade ficou sem 7 servidores da noite pro dia e não houve reposição. Além disso, há a desconfiança de que a unidade estaria sendo boicotada, tendo sido retirada da lista de opções, dos profissionais da área e, por isso, o quadro de funcionários não havia sido preenchido nos últimos meses.
Defasagem nas escolas
A denúncia acima parece ser uma realidade de quase todas as mais de 120 unidades municipais de Nova Friburgo. Há defasagem em praticamente todos os quadros de funcionários. Pais de alunos, além dos próprios servidores concursados têm enchido as redes sociais da Prefeitura com pedidos e reclamações sobre o assunto.Há denúncias de que auxiliares de professores estão sendo responsáveis por uma turma inteira, inclusive dando aula, sendo que o nível para este cargo é médio, ou seja, estes servidores não estão aptos para exercer a função que exige uma formação mais específica. Além disso, outros servidores estão desempenhando uma série de desvios de função.Por conta da falta de profissionais, algumas escolas estão encerrando os expedientes com algumas turmas cerca de três horas antes. Os pais dos alunos estão desesperados. Há muita dificuldade para conciliar seus empregos com o retorno dos filhos para casa em horário conflitante com o trabalho.O portal EcoSerrano entrou em contato com a Secretária de Educação, Caroline Klein, e com o Prefeito Johnny Maycon sobre o processo administrativo relativo às servidoras públicas. No entanto, até o fechamento desta reportagem, o portal não obteve retorno.A reprodução deste conteúdo em parte ou em sua totalidade, sem prévia autorização doEcoSerrano, pode acarretar em violação dos direitos autorais e resultar em uma ação judicial.