Até vereadora foi vítima de ataques. Estudo do ISP informa que ao menos quatro pessoas por dia fazem registros de crimes relacionados à questão racial. Subnotificação não foi abordada no levantamento
No Dia da Consciência Negra, 20, o Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ), divulgou o resultado de um levantamento inédito, entre agosto e setembro deste ano, sobre racismo. De acordo com os dados colhidos, 245 indivíduos foram vítimas de discriminação racial no Estado do Rio de Janeiro. Este número representa 54% de todos os crimes de injúria registrados durante o período analisado, evidenciando uma média de quatro novos casos de racismo a cada 24 horas.A análise do perfil das vítimas revelou que a maioria é do sexo feminino, com idades entre 18 e 59 anos. A capital fluminense desponta como líder nas estatísticas, contabilizando 117 ocorrências, o equivalente a 47,7%, quase metade dos casos. Logo em seguida, estão os municípios de Nova Iguaçu e Niterói, ambos com 15 (6,1%) registros.“O racismo é uma questão enraizada que atravessa todos os setores da sociedade, muitas vezes de forma sútil. Por essa razão, a divulgação dos dados é fundamental não apenas para subsidiar a criação de políticas públicas de combate ao racismo, como também para aprimorar os instrumentos já existentes de enfrentamento”, afirma o vice-presidente do ISP, Leonardo Vale.A Secretaria de Estado de Polícia Civil tem uma unidade especializada de atendimento às vítimas de racismo, a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (DECRADI), localizada no Centro do Rio, possui profissionais capacitados para fazer o acolhimento ao cidadão. Além disso, o Disque Denúncia recebe e monitora as denúncias cadastradas e atua em parceria com órgãos especializados no combate à violação de Direitos Humanos.Outra iniciativa do Governo do Estado é a Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, responsável por desenvolver políticas públicas para auxiliar no combate e conscientização sobre os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de cor, raça, etnia, religião ou procedência nacional. Em julho deste ano, o Estado sancionou aLei nº 10.053/23, que estabelece a Política Estadual Vini Jr. de Combate ao Racismo nos Estádios e Arenas Esportivas do Rio de Janeiro, entre as medidas previstas estão a interrupção de partidas esportivas em caso de denúncia ou manifestação, bem como a realização de campanhas educativas nos estádios.
Painel Grupos Vulneráveis
Disponível para consulta pública, o painel Discriminação desempenha um papel crucial na análise de estatísticas relativas à discriminação contra indivíduos ou grupos em razão de sua etnia, raça, cor, sexualidade e religião. Seu objetivo é fornecer informações que possam ser utilizadas no desenvolvimento de políticas públicas que contribuam para o combate ao preconceito. De acordo o levantamento anual, ao longo de 2022 foram registrados 322 casos de preconceito de cor, raça, etnia e religião. Para acessar as estatísticas na íntegra, http://www.ispdados.rj.gov.br/Arquivos/Relatorio-ISPDiscriminacao.html
Subnotificação
A subnotificação de casos de racismo refere-se aos incidentes de racismo que não são oficialmente registrados, denunciados ou documentados de maneira adequada. Isso pode ocorrer por vários motivos, incluindo medo de retaliação, falta de confiança nas instituições responsáveis, falta de conscientização sobre os meios de denúncia disponíveis, entre outros fatores.A subnotificação de casos de racismo é uma preocupação significativa, pois dificulta a compreensão real da extensão do problema e pode impedir a implementação de medidas eficazes para combater o racismo.
Casos de racismo em Nova Friburgo
Ao menos em três ocasiões, duas no mesmo final de semana deste ano e uma no ano passado, chamaram atenção em Nova Friburgo. Em 11 de outubro, durante as Olimpíadas da Cooperativa Educacional Escola Fribourg, que acontecia no ginásio do Friburguense, em Olaria, a aluna Gabriella Costa de 15 anos, uma das porta-bandeiras da Imperatriz de Olaria, foi xingada de macaca por alguns estudantes. As ofensas aconteceram durante uma partida de vôlei, na qual a estudante era uma das atletas.Em 14 de outubro, durante os Jogos Universitários de Nova Friburgo (JUNFRI), dois estudantes negros “foram agredidos fisicamente pelos seguranças da empresa terceirizada contratada pelo evento esportivo Junfri”, escreveu em nota a atlética da Estácio de Sá de Nova Friburgo. Os alunos pertencem ao Instituto Superior de Ensino do Censa (Isecensa), uma universidade particular em Campos dos Goytacazes (norte do estado). Segundo uma postagem da atlética, os seguranças envolvidos na confusão foram identificados e afastados do evento pela organização.No ano passado, durante o período das eleições, a vereadora Maiara Felício (PT), foi agredida virtualmente com xingamentos racistas enquanto fazia campanha para deputada federal. A parlamentar chegou a registrar ocorrÊncia na 151ª DP.A reprodução deste conteúdo em parte ou em sua totalidade, sem prévia autorização doEcoSerrano, pode acarretar em violação dos direitos autorais e resultar em uma ação judicial.Redes Sociais do EcoSerranoTelegramGrupo de Whatsapp 3Grupo de Whatsapp 2Grupo de Whatsapp 1 Instagram: @ecoserranoFacebook: @ecoserranooTwitter: @serrano_ecoYoutube: EcoSerrano