Túlio Rezende: O assunto é delicado e as feridas ainda estão abertas
2011, todo mundo na cidade sabe o que significa esse ano. Da criança à idosa, todo mundo tem alguma memória daquele verão. Hoje acadêmicos e jornalistas descrevem como catástrofe sócio climática na região serrana do Estado do Rio de Janeiro. A maior de todos os tempos, que atingiu diversas cidades e em Nova Friburgo, fez milhares de vítimas fatais e dezenas de milhares de famílias desabrigadas. Moramos em um grande pedaço do que sobrou do bioma da Mata Atlântica, cerca de duzentos mil seres humanos vivendo junto com Assanhaços, Micos e Suçuaranas, Araucárias e Embaúbas. No momento, estamos no início do século 21 e nossa busca por progresso a qualquer custo criou cidades que hoje urbanistas chamam de “manchas urbanas” e consomem a natureza como câncer.O assunto é delicado e feridas ainda estão abertas. Muito ainda não foi dito sobre aqueles dias de 2011. Em uma reconstrução artística e documental, a turma da Companhia Arteira @arteiracompanhia, teve todo cuidado e delicadeza e trouxeram as memórias de uma forma delicada, mas forte e impactante, como foi, no filme “Os Invisíveis”, no canal da companhia, no You Tube. A discussão sobre o que foi, corno foi, porque foi, não é tão viva hoje como deveria ser. Temos tributos, homenagens, esculturas, matérias em jornais e agora documentários – um dos documentários é sobre o Condomínio Terra Nova @terranovaofilme, também no YouTube, mostrando para onde foi grande parte das famílias desabrigadas. Obras de imensa importância para não esquecermos. Mas a discussão deveria sair das telas e tomar as ruas, as plenárias, assembleias, casas, escritórios e repartições. A cidade continua sendo construída como há 10 anos: sem o devido respeito ao seu solo, às suas montanhas e rios.O Condomínio Terra Nova é um exemplo do fracasso dos modelos antigos de MCMV. As construtoras decidiam o terreno, o tamanho do imóvel, tudo. Recebiam o dinheiro limpo. Investem o mínimo, lucram o máximo. Continuidade da era do grande “boom” econômico dos anos 60 e 70. Hoje o novo MCMV foi desenhado para evitar esse tipo de equívoco urbanístico. Existem alguns movimentos artísticos locais em parceria com a comunidade, em áreas periféricas, longe das comodidades dos grandes centros, levando Arte e Educação onde o Estado e o Município “esqueceram” de levar o básico. Manos e Minas do @icau, por exemplo , fazem diversas intervenções de valorização do Hip-Hop e reduzem um pouco da aridez do conjunto habitacional. Reverter um pouco dos fracassos urbanísticos do passado é o que fazem iniciativas como essas, fundamentais para nossa cidade. Cultura e Lazer são Direito de todos e todas e é também, Direito à Cidade.
Quem é Túlio Rezende?
Túlio Rezende é Arquiteto e Urbanista, mora e trabalha em Nova Friburgo desde 2011. Já foi funcionário da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e tutor na graduação de Arquitetura e Urbanismo da Unopar-NF.A reprodução deste conteúdo em parte ou em sua totalidade, sem prévia autorização doEcoSerrano, pode acarretar em violação dos direitos autorais e resultar em uma ação judicial.Redes Sociais do EcoSerranoTelegramGrupo de Whatsapp 3Grupo de Whatsapp 2Grupo de Whatsapp 1 Instagram: @ecoserranoFacebook: @ecoserranooTwitter: @serrano_ecoYoutube: EcoSerrano