Sindicato realiza transmissão ao vivo para discutir salários, jornada de trabalho, creches e condições nas fábricas do maior polo de moda íntima do país
Enquanto vitrines, catálogos e coleções movimentam milhões no polo da moda íntima de Nova Friburgo, do outro lado da produção existe uma rotina que muita gente conhece bem: jornadas longas, pressão por metas, cansaço acumulado e dificuldade para equilibrar trabalho, filhos e descanso.É nesse cenário que o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário de Nova Friburgo e Região (STIVNF) realiza, nesta quinta-feira (28), às 19h, uma live para debater os rumos da Campanha Salarial 2026 da categoria. A transmissão acontece pelas redes oficiais da entidade no Instagram e Facebook.A mobilização deste ano chega carregada de um tema que vem aparecendo cada vez mais nas conversas dentro e fora das fábricas: o fim da escala 6×1.Com o lema “Trabalho com respeito, filhos com cuidado. 6×1 NÃO!”, o sindicato tenta transformar em pauta coletiva um sentimento antigo entre trabalhadores do setor. Para muitas costureiras, principalmente mães, a dificuldade não está apenas no salário. Está na ausência de tempo.Tempo para descansar. Tempo para cuidar dos filhos. Tempo para viver fora da rotina de produção.Segundo o STIVNF, a campanha salarial deste ano foi construída sobre quatro pilares considerados centrais pela categoria: reajuste salarial, combate à informalidade, melhores condições de trabalho e garantia de creches em tempo integral para filhos de trabalhadoras.A discussão ganha peso porque Nova Friburgo concentra um dos maiores polos de moda íntima do Brasil. O setor movimenta milhares de empregos diretos e indiretos e influencia praticamente toda a economia regional, desde pequenas oficinas até grandes marcas.Dados divulgados pelo sindicato apontam que cerca de 36% da moda íntima comercializada no país passa pela produção da região. Ao mesmo tempo, trabalhadores relatam dificuldades para acompanhar o custo de vida, aumento das despesas básicas e desgaste físico provocado pelas jornadas intensas.Nos bastidores da campanha salarial, a defesa do fim da escala 6×1 virou um dos pontos mais sensíveis das negociações.A proposta defendida pelo sindicato busca ampliar períodos de descanso e reduzir impactos físicos e emocionais causados pela rotina repetitiva das fábricas. A pauta também conversa diretamente com um debate nacional que vem crescendo nas redes sociais e entre categorias profissionais de diferentes áreas.Em declarações recentes, o administrador do STIVNF, Edil Nunes, afirmou que o desenvolvimento econômico do polo não pode caminhar separado da valorização dos trabalhadores.A entidade também tenta ampliar a participação digital da categoria durante as negociações. Por isso, a live desta quinta-feira é vista internamente como uma forma de aumentar pressão e mobilização em tempo real.A expectativa é que trabalhadores enviem perguntas, relatos e comentários ao vivo durante a transmissão.No chão das fábricas, a sensação entre muitos profissionais é de que a campanha salarial deste ano vai além do reajuste. Ela toca diretamente na qualidade de vida de quem sustenta um dos setores mais importantes da economia de Nova Friburgo.A campanha salarial do vestuário em Nova Friburgo colocou a escala 6×1 no centro do debate entre trabalhadores e empresários. Em uma região movida pela indústria da moda íntima, a discussão envolve salário, descanso, saúde mental e a rotina de milhares de famílias.