Governador foi desmascarado: Cláudio Castro mudou o tom e reconheceu que não pediu apoio e ainda rejeitou ajuda em maio
Cláudio Castro afirma que governo federal recusou ajuda em operação policial no Rio de Janeiro. A ação no Alemão e na Penha é a maior da história do estado.O governador Cláudio Castro (PL) afirmou nesta terça-feira (28) que o governo federal negou auxílio em operações policiais no Rio de Janeiro, deixando o estado “sozinho” na megaoperação realizada nos Complexos do Alemão e Penha, onde ao menos 60 pessoas morreram em tiroteios intensos.
“Tivemos pedidos negados 3 vezes: para emprestar blindados, teria que haver GLO, mas o presidente [Lula] é contra a GLO. Cada dia uma razão para não colaborar”, disse Castro.A Garantia da Lei e da Ordem (GLO) autoriza o uso das Forças Armadas em situações excepcionais, quando as forças estaduais estão sobrecarregadas. Nesse caso, Exército, Marinha e Aeronáutica atuam com poder de polícia temporário, sob comando do presidente da República.Documentos obtidos pela TV Globo mostram ofícios enviados por Castro ao governo federal em janeiro, solicitando veículos blindados à Marinha e ao Exército, que não foram atendidos.
Operação tem caráter de defesa e segue regras da ADPF 635
Castro classificou a ação como de defesa, alegando que a “guerra está passando dos limites” e que seria necessário maior integração com as Forças Federais. Ele ressaltou que a operação cumpriu as regras da ADPF 635, com acompanhamento do Ministério Público.“Os confrontos ocorreram majoritariamente em áreas de mata, minimizando os efeitos sobre a população”, destacou.
O que diz o governo federal
O Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que mantém atuação no Rio desde outubro de 2023, através da Operação Nacional de Segurança Pública, vigente até 16 de dezembro de 2025.O MJSP destacou:
178 operações da Polícia Federal em 2025, sendo 24 focadas em tráfico de drogas e armas.
Apreensão de 10 toneladas de drogas e 190 armas de fogo, incluindo 17 fuzis.
855 mandados de prisão cumpridos entre 2024 e 2025.
Recuperação de veículos e combate a roubos em rodovias federais.
Recursos federais para o sistema penitenciário e segurança pública.
Doações de veículos, drones, coletes e munições no valor de aproximadamente R$ 10 milhões.
O ministério reforçou que atua em cooperação contínua com o RJ, incluindo acordos de inteligência, recuperação de ativos e integração a redes nacionais de combate a facções.
Detalhes da operação nos Complexos do Alemão e Penha
A megaoperação, parte da Operação Contenção, visou prender 100 integrantes do Comando Vermelho.
Área impactada: 26 comunidades da Zona Norte, cerca de 280 mil moradores.
Ação criminosa: barricadas em chamas, tiros e drones com explosivos.
Prisões: entre os detidos, Nicolas Fernandes Soares, operador financeiro do CV.
Planejamento: toda logística realizada pelo estado, sem apoio federal direto.
“Essa é a maior operação da história do Rio”, afirmou Castro.
Impacto na população e segurança
Segundo o secretário de Segurança, Victor Santos, a operação foi planejada para minimizar impactos civis, concentrando confrontos em áreas de mata. Drogas e armas ainda não contabilizadas foram apreendidas.As ações visam enfrentar o crime organizado, proteger moradores e reduzir o poder bélico das facções criminosas, com foco em cooperação entre União e estado.
Contexto e perspectivas
Castro reforçou que o estado cumpre sua parte na segurança pública, mas que há necessidade de maior integração federal. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, se colocou à disposição para colaborar nas próximas ações.O MJSP reafirma seu compromisso com o Rio de Janeiro, promovendo segurança pública integrada, investindo em inteligência, recuperação de ativos e apoio operacional contínuo.