“Falsa sensação de democracia”, dizem ex-conselheiros de Cultura sobre enquete

Simpatizantes à BIMA alertam para possível “cheque em branco” ao destino do espaço

Termina nesta terça-feira, 2, a consulta popular promovida pela Prefeitura de Nova Friburgo sobre qual seria o melhor destino ao imóvel na Praça do Suspiro. Biblioteca Internacional Machado de Assis (BIMA), Praça da Cerveja, Espaço para eventos ou outra sugestão. Desde o anúncio da enquete, criou-se uma grande polêmica por conta da suposta interferência da própria Prefeitura para a utilização do espaço. Antes destinada à construção da BIMA, com lei municipal que garante sua execução, projeto finalizado e verba separada, o espaço pode sofrer um desvio quanto ao destino inicial. Esta possibilidade fez com que muitas pessoas, entidades e comerciantes se posicionassem. Os manifestos chamam atenção para o que pode ser encarado como um “cheque em branco” de possibilidades, caso o projeto da BIMA não seja concluído. Um deles foi dos ex-integrantes do extinto Conselho Municipal de Política Cultural (CMPC). Em nota, Jorge Ayer, Sergio Prata, Lia Caldas, Gero Band, Catherine Beltrão, Eliane Santos e Paula Tavares, destacaram que a BIMA é um empreendimento com o potencial de transformação de toda a cultura da região serrana e conta com o apoio da UNICEF, já com verba aprovada, apoio dos artistas e de ampla parcela da população da cidade. “Além de um desrespeito ao que já foi aprovado, a consulta permite todo o tipo de manipulação, à medida que se pede para participar da “consulta”, um endereço de email válido. Uma pessoa do Acre pode votar. Além disso, propõe uma falsa questão: como escolher entre um projeto já aprovado e uma ideia (sim, é apenas uma ideia, quem conhece o projeto desta Praça da Cerveja?), ou um difuso “lugar de eventos”, podendo ser, ainda, qualquer coisa que a população vote. Cria-se, desta forma, uma falsa sensação de democracia.”, afirmaram os ex-conselheiros. “Democracia pressupõe respeito ao acordado, a discussão de forma equânime das ideias e o respeito a necessária isenção do Poder Público na condução deste processo. Ora, no momento em que a chamada na página da Prefeitura para esta “consulta” tem a foto de uma caneca de chope já está claro a quebra da impessoalidade necessária e obrigatória em toda ação pública”, continuaram os ex-conselheiros que afirmaram ainda não serem contra a Praça da Cerveja, mas pediram que este projeto seja apresentado e discutido.

Crescente Gastronomia também se posiciona em favor da BIMA

O Crescente Gastronomia, que há décadas funciona nos arredores da Praça do Suspiro, é um dos restaurantes mais tradicionais da cidade. Os donos do restaurante, impactados diretamente com os recentes eventos ocorridos na região e atentos aos rumos que o imóvel vizinho pode tomar, publicaram nas redes sociais um posicionamento acerca da enquete. “A prefeitura adquiriu o terreno, desenvolveu o projeto e captou recursos para construção de uma biblioteca internacional. No entanto, nos últimos meses o terreno vem sendo utilizado constantemente para desenvolvimento de eventos e shows que transformaram o cotidiano do entorno, causando muitas queixas dos moradores. Os relatos envolvem desrespeito às vagas de garagem, som muito elevado até tarde da noite, poluição por fumaça em evento de costela entre outros problemas dos quais somos testemunhas.”, escreveram. Para tentar minimizar o problema, os responsáveis pelo restaurante procuraram integrantes do Executivo, do Legislativo e marcaram presença na audiência pública que tratou sobre o Código de Posturas da cidade para contornar os impactos dos recentes eventos. “Apesar de encontrar pessoas sensíveis à questão, os agentes que podem trazer solução ignoraram qualquer apelo. Entendemos e concordamos que eventos têm relevância na economia e na vida dos cidadãos, mas não vemos coerência na utilização do terreno para esse fim quando não há como estabelecer limites. Ainda mais quando o anfiteatro ao lado foi projetado e edificado para realizar eventos, e encontra-se abandonado.” Agora a prefeitura tenta evitar o ônus político junto aos insatisfeitos propondo consulta pública e tentando se eximir da decisão que já havia tomado. Alertamos que a biblioteca (BIMA) tem projeto, captou recursos e já gerou custos à prefeitura. Enquanto as demais propostas não apresentaram mais do que uma ideia, levando a população a votar em algo que sequer sabem exatamente do que se trata. Por tudo isso, apoiamos a opção da BIMA que nos pareceu mais sensata entre as três que nos foram oferecidas.”, finalizaram.
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